PT exige prisão de Bruno Reis após caos nos ônibus em Salvador
PT solicita medidas duras contra Bruno Reis após redução da frota de ônibus causar transtornos em Salvador.

O pedido de prisão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) pelo PT e a ordem de prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, deflagraram uma crise política e judicial em Salvador neste domingo de segundo turno presidencial, após a redução da frota de ônibus que deixou eleitores sem transporte até os locais de votação.
Justiça manda prender secretário e impõe multa milionária
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman, determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza e ordenou o restabelecimento imediato da frota integral de ônibus em Salvador, com frequência de dia útil e gratuidade para os passageiros.
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Na decisão, Kertzman afirmou que houve violação aos artigos 297, 304 e 347 do Código Eleitoral, que tratam de crimes de impedimento ao direito ao sufrágio. O tribunal fixou multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento da ordem judicial.
A Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) relatou ao TRE-BA que, por volta do fim da manhã, vários ônibus ainda permaneciam nas garagens, enquanto pontos de parada registravam lotação e atrasos, o que, na visão da coligação, impediu que parte dos eleitores chegasse às urnas.
PT pede prisão de Bruno Reis
Na mesma petição, a federação pediu a prisão do prefeito Bruno Reis, acusando-o de crime eleitoral por dificultar o acesso dos eleitores aos locais de votação. Para o grupo, a redução da frota configuraria uso da máquina pública para interferir no processo eleitoral.
Coordenador da campanha de Lula na Bahia, o senador eleito Rui Costa (PT-BA) foi ao ataque. “Ele está cometendo um crime eleitoral, dificultando que o eleitor exerça sua vontade soberana. Precisa ser detido”, afirmou.
Bruno Reis reagiu com insultos e negou qualquer tentativa de prejudicar a votação. “Esse Rui Costa é um vagabundo e está mentindo”, disse o prefeito. Ele argumenta que Salvador oferece transporte gratuito em dias de eleição “independente de lei” e que “objetivamente nunca tivemos problemas e Lula sempre venceu as eleições em Salvador”.
Como começou o problema com os ônibus em Salvador?
Segundo o próprio prefeito, o impasse começou ainda nas primeiras horas da manhã, quando, de acordo com ele, sindicalistas ligados ao PT foram às garagens e colaram adesivos do partido nos ônibus.
“Foram para a porta da empresa de ônibus e colocaram adesivos do PT nas janelas. É uma concessionária de transporte público que não pode cometer esse crime eleitoral de propaganda. Por isso os ônibus foram retidos até a retirada dos adesivos. Mas já estão circulando nas ruas”, afirmou Reis.
O prefeito admite que 75 ônibus ficaram retidos na garagem de uma empresa, o que reduziu a oferta no início do dia justamente no horário de maior movimento de eleitores. Em nota, a gestão municipal disse ter determinado que todos os veículos fossem liberados, “ainda que estivessem com adesivação considerada como propaganda irregular”, e que a operação estava sendo normalizada em diálogo com representantes sindicais.
Bruno Reis sustenta que o problema foi provocado propositalmente por adversários. “Foi um problema no início da manhã causado por eles mesmos, para terem discurso, ir para Justiça e ter fato político”, disse.
Secretário está na França e prefeitura fala em habeas corpus
Alvo da ordem de prisão do TRE-BA, o secretário de Mobilidade, Pablo Souza, não está em Salvador. Segundo o prefeito, ele se encontra na França para um evento oficial a convite do presidente Emmanuel Macron, com retorno previsto para esta segunda-feira.
Reis saiu em defesa do auxiliar. “É um cara super preparado”, afirmou, ao anunciar que os advogados da prefeitura vão ingressar com pedido de habeas corpus para evitar que o secretário seja preso ao desembarcar no Brasil.
Entenda o contexto
A oferta de transporte público é considerada estratégica em dias de eleição, especialmente em capitais com forte dependência de ônibus. Em Salvador, a frota gratuita costuma ser usada por eleitores de bairros periféricos para chegar às zonas eleitorais.
Neste segundo turno, o encolhimento temporário da frota, com 75 ônibus retidos em uma das garagens, afetou diretamente quem depende exclusivamente do transporte coletivo. O PT argumenta que isso prejudicou sobretudo eleitores de baixa renda e pediu a extensão do horário de votação em duas horas. Esse pedido ainda aguarda decisão da Justiça Eleitoral.
A crise expôs a disputa aberta entre o comando municipal, ligado ao União Brasil, e o grupo petista que governa o estado. Além de Rui Costa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), anunciou que colocou a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública “à disposição para garantir a circulação de ônibus em Salvador durante o 2º turno”.
Enquanto o TRE-BA acompanha o cumprimento da decisão sobre a frota e analisa os pedidos de prisão e extensão de horário de votação, a expectativa é de novos desdobramentos judiciais e políticos após o fechamento das urnas e o retorno do secretário Pablo Souza ao país.


