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PSG campeão da Champions termina em 416 prisões e noite de caos na França

A comemoração do título inédito do PSG na Champions League termina em noite de caos na França, neste sábado (30), com 416 prisões e confrontos violentos. Em Paris, onde 283 pessoas são detidas, a polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar torcedores que erguem barricadas, destroem equipamentos públicos e interrompem o transporte.

Título vira combustível para tumultos nas ruas de Paris

Milhares de torcedores lotam as ruas da capital poucas horas depois da vitória dramática nos pênaltis, em Budapeste. A festa começa espalhada por Paris, com foco na Champs-Elysées, e rapidamente ganha contornos de conflito. Sinalizadores, fogos de artifício e bandeiras se misturam a lixeiras reviradas, bicicletas de aluguel empilhadas e vidraças protegidas por tapumes.

O Ministério do Interior decide repetir a estratégia de contenção adotada no ano passado, quando a conquista anterior do PSG também termina em distúrbios. São mobilizados 22 mil policiais em todo o país, 8 mil apenas em Paris, em um esforço preventivo que tenta antecipar os excessos. A operação não impede, porém, cenas de perseguição, nuvens de gás lacrimogêneo e correria em vários bairros.

Na Champs-Elysées, cerca de 20 mil pessoas se aglomeram, segundo a polícia. Lojas reforçam vitrines com tapumes antes mesmo do apito final, numa tentativa de evitar o saque registrado em 2025, quando grupos de jovens depredam estabelecimentos de grife. Desta vez, os comerciantes escapam de uma devastação maior, mas dois pontos comerciais ainda são atingidos em outras áreas da cidade.

Perto do estádio Parc des Princes, onde o clube organiza telões para quem não viaja a Budapeste, milhares de torcedores se concentram nas imediações. Entre 4 mil e 5 mil pessoas ficam do lado de fora, sem conseguir entrar. A frustração alimenta empurrões em um dos portões e provoca a primeira grande intervenção policial da noite.

Um grupo de cerca de 150 torcedores tenta forçar a entrada no estádio, segundo um porta-voz da polícia. Agentes reagem com gás lacrimogêneo e dispersam a multidão. Bicicletas de aluguel são reunidas para formar uma barricada improvisada, removida às pressas por policiais em equipamento de choque. Um repórter da AFP relata fogos de artifício lançados contra as forças de segurança e contra o céu já tomado pela fumaça.

Segurança pressionada e reação política imediata

As cenas se multiplicam pela noite. O anel viário de Paris é bloqueado por um grupo de torcedores que invade a pista, interrompe o trânsito e dispara sinalizadores sobre os carros parados. Em outros pontos, um ponto de ônibus é destruído nas proximidades da Champs-Elysées, enquanto uma padaria e um restaurante sofrem danos perto do Parc des Princes.

O balanço inicial aponta seis veículos danificados, além dos dois comércios atingidos. Duas dúzias de sinalizadores e cerca de 100 fogos de artifício são apreendidos. Sete policiais ficam feridos ao longo da noite, segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez, que classifica os distúrbios como “absolutamente inaceitáveis”.

As autoridades de transporte entram em cena para tentar conter a propagação dos conflitos. Linhas de bonde são interrompidas, estações de metrô são fechadas por segurança e o tráfego de ônibus é suspenso em trechos estratégicos. A cidade que celebra um título europeu histórico também lida com uma operação de emergência que atinge a rotina de moradores distantes dos focos de tumulto.

Em paralelo à final da Champions, Paris vive uma noite de agenda cheia. A cantora Aya Nakamura se apresenta no Stade de France, o rapper Damso lota a La Défense Arena, e o Aberto da França de tênis avança em Roland Garros. O calendário reforça a pressão sobre o sistema de segurança, já tensionado pela expectativa de um novo surto de violência ligado ao futebol.

O clima de confrontação transborda para a arena política. A líder de extrema direita Marine Le Pen usa o X para atacar o governo e o estado de segurança pública. “Só na França a vitória de um clube de futebol provoca tumultos”, escreve. Em outra mensagem, afirma que “só na França todos se sentem obrigados a se trancar em casa na noite de uma vitória para evitar serem confrontados com violência”.

Laurent Nunez reage com a defesa da operação de segurança. O ministro afirma que há “um sistema muito robusto e muito sólido em vigor” e insiste que o objetivo é garantir um ambiente festivo. “Nossa responsabilidade é garantir a todos uma celebração festiva que seja tranquila e totalmente segura”, reforça um porta-voz da polícia, diante das críticas da oposição e da preocupação do governo com a imagem do país.

Desfile, Macron e a disputa pelo controle das ruas

A violência da noite de sábado pressiona diretamente os planos para este domingo (31). O PSG prepara um desfile no Champ-de-Mars, em frente à Torre Eiffel, com expectativa de 100 mil torcedores. O percurso se torna o novo teste da estratégia de segurança francesa em torno de grandes eventos esportivos.

O Ministério do Interior reforça o efetivo e revisa o perímetro de proteção, receoso de que grupos mais radicais tentem repetir as cenas de vandalismo. A polícia tenta equilibrar o direito à celebração com a necessidade de evitar novos prejuízos a comerciantes, danos a equipamentos públicos e riscos para moradores e turistas que circulam pela região.

Depois do desfile, os jogadores do PSG seguem para o Palácio do Eliseu, onde são recebidos pelo presidente Emmanuel Macron. O encontro, tradicional em conquistas esportivas de grande porte, ganha peso político adicional em meio às críticas sobre o controle das ruas. Governantes sabem que qualquer falha vira munição imediata na disputa entre governo e oposição.

Os 416 detidos na noite de sábado entram em um fluxo acelerado de procedimentos judiciais, com inquéritos por vandalismo, agressão e desacato. Torcedores comuns, comerciantes e moradores aguardam para saber se o endurecimento das medidas de segurança se mantém nas próximas partidas decisivas, inclusive em competições nacionais.

O país que se projeta como palco de grandes eventos esportivos enfrenta um dilema conhecido: como transformar a euforia do futebol em festa e não em risco recorrente. As respostas dadas nas próximas horas, em Paris, ajudam a indicar se a França aprende a controlar esse limite ou segue refém de noites em que a celebração termina em gás lacrimogêneo.

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