Praia Clube atropela Minas e conquista Superliga Feminina em jogo único
O Praia Clube derrota o Minas por 3 sets a 0, neste domingo (3), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e conquista a Superliga Feminina 2025/26. A equipe de Uberlândia controla a final em jogo único, encerra jejum contra a rival e levanta o terceiro troféu da competição.
Virada de roteiro em uma rivalidade que domina a Superliga
O confronto coloca frente a frente as duas equipes que monopolizam o vôlei feminino brasileiro nos últimos anos. Praia e Minas decidem seis das últimas sete edições da Superliga, transformam a rivalidade mineira em clássico nacional e concentram investimentos, atletas de seleção e títulos. A temporada 2025/26, porém, se desenha com outro favorito: o Minas vence todos os cinco duelos anteriores, inclusive a final do Campeonato Mineiro, a semifinal da Copa Brasil e um confronto decisivo na Copa Brasília.
O roteiro da final no Ibirapuera sugere repetição da lógica da temporada. A equipe comandada pelo italiano Lorenzo Pintus chega mais confiante, com Thaísa liderando um sistema de bloqueio que domina a Superliga e Pri Daroit em boa fase. O Praia carrega o peso de nove anos de confrontos intensos e de uma última vitória sobre o Minas apenas em março de 2025, no returno da edição passada da liga. Em São Paulo, essa história muda de eixo em 1h20 de jogo, com parciais de 29/27, 25/21 e 25/13.
Equilíbrio no início, reação no meio e atropelo no fim
O primeiro set condensa o tamanho da rivalidade. Os dois times apresentam passe firme, o fundamento que garante a construção das jogadas, e acionam as centrais com frequência. Thaísa, de um lado, e Adenízia, do outro, viram bolas rápidas e seguram o placar equilibrado até a reta final. O Praia abre três pontos, vê o Minas reagir com boa sequência de saque de Pri Daroit e volta a ceder o empate, em um trecho de jogo em que cada erro pesa. A virada definitiva vem em detalhe de concentração, e o set fecha em 29 a 27 para o time de Uberlândia.
O segundo set começa com o favoritismo do Minas, enfim, dando as caras. O bloqueio encaixa, o saque pressiona e o placar salta para 10 a 5 para a equipe de Belo Horizonte. O Praia não se desmonta, troca pontos mesmo atrás e encontra em Michelle a válvula de escape. Uma boa sequência de saques da ponteira desmonta o sistema defensivo do Minas, empata a parcial e abre quatro pontos de frente. A partir daí, o time de Uberlândia joga com mais leveza. Payton Caffrey e a própria Michelle assumem as bolas de segurança, aquelas decididas nas horas de pressão, e fecham em 25 a 21.
O terceiro set expõe o desgaste emocional do Minas. A equipe volta a largar na frente, faz 7 a 3 e tenta recuperar a confiança perdida. O Praia mantém a estrutura, corrige o passe e engata uma sequência de contra-ataques que muda o jogo. A virada vem rápida, a diferença cresce e o placar final de 25 a 13 traduz o domínio. O Minas passa a errar mais no saque e no ataque, e o Praia aproveita cada brecha. A torcida mineira presente no Ibirapuera vê a vantagem escapar sem reação, enquanto o lado amarelo da arquibancada já começa a gritar “é tricampeão” antes do ponto final.
Protagonistas em quadra e peso do tricampeonato
A americana Payton Caffrey fecha a noite como maior pontuadora da decisão, com 15 pontos. Michelle aparece logo atrás, com 14, e a capitã Adenízia contribui com 12 bolas no chão em uma atuação regular no ataque e firme no bloqueio. No Minas, Pri Daroit e Johnson dividem o protagonismo ofensivo, com 11 pontos cada, mas não conseguem manter o volume de jogo diante da virada adversária.
O título deste domingo coloca o Praia em outro patamar na história recente da Superliga. O clube chega ao terceiro troféu nacional, após as conquistas de 2017/18 e 2022/23, esta última também sobre o Minas. Em menos de dez anos, a equipe de Uberlândia sai da condição de novidade no topo para se consolidar como potência. A rivalidade mineira, antes dominada pelo histórico de títulos do Minas, ganha novos contornos com três conquistas do Praia em um intervalo de nove temporadas.
O impacto vai além da coleção de taças. O tricampeonato reforça o projeto esportivo do Praia, que investe de forma contínua em estrutura, elenco e comissão técnica. A vitória em jogo único, diante de um adversário que leva vantagem em todos os confrontos da temporada, funciona como prova de resiliência e ajuste tático. Em termos de imagem, o clube ganha espaço em transmissões, publicidade e redes sociais, fatores que hoje contam tanto quanto o resultado em quadra.
Superliga ganha em equilíbrio e em visibilidade
A final em São Paulo também alimenta o interesse do público pelo vôlei feminino. O Ibirapuera recebe torcedores de diferentes estados, com caravanas de Minas Gerais e do interior paulista, em um domingo que reforça o caráter nacional da Superliga. A disputa em jogo único concentra audiência de TV e streaming, aumenta a exposição das atletas e cria um produto mais fácil de comunicar para patrocinadores. O modelo favorece decisões dramáticas, como a parcial de 29 a 27 no primeiro set, e ajuda a transformar jogadoras em referências para um público mais jovem.
Para o Minas, a derrota em 3 sets a 0 pesa pela forma. O time lidera o confronto direto na temporada, chega como favorito e vê o título escapar em uma partida em que começa melhor em dois dos três sets. A campanha reforça a consistência do projeto, mas abre espaço para questionamentos internos sobre ajustes em jogos decisivos. A comissão técnica de Lorenzo Pintus terá de lidar com a frustração imediata e com a pressão por respostas rápidas em competições futuras.
O Praia, por outro lado, ganha fôlego simbólico e esportivo. O elenco vitorioso tende a atrair novos patrocínios e segurar jogadoras cobiçadas por clubes europeus e asiáticos, mercados que hoje oferecem salários mais altos. A presença de campeãs olímpicas como Adenízia no elenco fortalece a conexão com a seleção brasileira e ajuda a manter o Brasil em evidência no cenário internacional do vôlei feminino.
Próximo capítulo da rivalidade já começa a ser escrito
O encerramento da Superliga 2025/26 não diminui a temperatura da rivalidade entre Praia e Minas. A tabela da próxima temporada deve voltar a colocar as equipes em confrontos decisivos em torneios como Copa Brasil, Mineiro e competições regionais, que costumam servir de prévia para a liga nacional. Os técnicos já trabalham com a possibilidade de novo encontro em fases agudas, como semifinais e finais, cenário que se torna quase rotina nos últimos anos.
A final deste domingo, porém, muda o eixo da discussão. O Minas deixa de ser o favorito incontestável, e o Praia passa a carregar o peso do tricampeonato e da vitória em jogo único, por 3 a 0, sobre o maior rival recente. A próxima temporada da Superliga se desenha com mais equilíbrio, mais narrativa e mais pressão sobre ambos os lados. A pergunta que permanece, a partir de agora, é simples e define o próximo capítulo: quem vai ditar o ritmo da próxima era do vôlei feminino brasileiro, Praia ou Minas?
