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Polícia mira pontos de tráfico ligados ao PCC e prende dois durante operação em Roraima

Ação cumpriu nove mandados em Boa Vista, Mucajaí e Alto Alegre; drogas, dinheiro, celulares e uma arma de fogo foram apreendidos.

Polícia mira pontos de tráfico ligados ao PCC e prende dois durante operação em Roraima

A Polícia Civil de Roraima deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação contra pontos de venda de drogas suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Boa Vista, Mucajaí e Alto Alegre e terminou com duas prisões em flagrante. Durante as diligências, os agentes apreenderam entorpecentes, dinheiro, documentos, aparelhos celulares, uma arma de fogo e munições.

A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e teve como objetivo atingir uma estrutura de comercialização de drogas no varejo. Segundo as investigações, os pontos de venda são chamados de “lojinhas” pelos integrantes da facção, que dividem a responsabilidade pelos locais e mantêm um sistema de prestação de contas à organização criminosa.

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Em Boa Vista, as buscas ocorreram nos bairros União, Dr. Airton Rocha, Jardim Primavera, São Bento e Senador Hélio Campos. A investigação começou após uma prisão em flagrante realizada em 2025 e foi aprofundada até a identificação dos endereços que se tornaram alvos da operação.

PCC operava “lojas de drogas” com nomes como Rosinha e Hello Kitty em Roraima

Polícia investiga funcionamento de pontos de tráfico ligados ao PCC

De acordo com o delegado Hugo Cardias, titular da DRACO e responsável pela investigação, os agentes identificaram indícios de uma estrutura organizada para a comercialização de entorpecentes em diferentes regiões de Roraima.

Os investigadores descobriram que os pontos de venda funcionariam de maneira distribuída, com cada integrante responsável por determinado endereço.

Esses locais, conhecidos internamente como “lojinhas”, recebem nomes próprios e mantêm registros de prestação de contas à organização criminosa.

A estrutura permite que a facção organize a distribuição das drogas e acompanhe a movimentação dos pontos de comercialização, segundo a investigação policial.

Com base nos elementos reunidos desde 2025, o delegado solicitou à Justiça a expedição de nove mandados de busca e apreensão.

Após a autorização judicial, equipes da Polícia Civil foram distribuídas entre os endereços investigados para realizar as diligências simultaneamente.

Suspeito de tráfico é preso em Boa Vista

Durante as buscas em um imóvel no bairro Dr. Airton Rocha, em Boa Vista, os policiais prenderam em flagrante um homem de 25 anos, identificado pelas iniciais H.V.F.B.

Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas e já possui antecedentes pelo mesmo crime.

No endereço, os agentes encontraram uma pequena quantidade de entorpecentes, dinheiro e aparelhos celulares.

O suspeito foi conduzido à sede da DRACO, onde foi autuado em flagrante por tráfico de drogas.

De acordo com a corporação, ele deverá ser apresentado à Justiça neste sábado (7), durante audiência de custódia.

Na audiência, será analisada a legalidade da prisão e a necessidade de manutenção da medida cautelar, conforme a legislação.

Homem é preso com rifle calibre .22 em Mucajaí

A segunda prisão ocorreu no município de Mucajaí, durante o cumprimento de um mandado de busca em um imóvel relacionado a outro investigado.

No endereço, os policiais localizaram um rifle calibre .22, da marca Rossi, além de duas munições intactas do mesmo calibre.

Rifle calibre .22, da marca Rossi, apreendido pela Polícia Civil de Roraima durante operação contra pontos de tráfico ligados ao PCC. Foto: Divulgação/PCRR.

Também foi apreendido um aparelho celular que poderá contribuir para as investigações.

O operador de máquinas R.R.S., de 44 anos, pai do alvo da investigação, apresentou-se como proprietário da arma.

Ele foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido, crime previsto no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento.

Após a formalização da prisão, foi arbitrada fiança. O homem realizou o pagamento e acabou liberado.

O rifle e as munições permaneceram apreendidos e serão submetidos à perícia.

A Polícia Civil não informou que o homem preso pela posse da arma integre o PCC ou participe da comercialização de drogas investigada na operação.

Investigação começou após prisão realizada em 2025

Segundo Hugo Cardias, a operação desta sexta-feira é resultado de uma investigação iniciada no ano passado.

A partir de uma prisão em flagrante realizada em 2025, os policiais aprofundaram a análise de informações e identificaram possíveis ligações entre suspeitos e pontos de venda de drogas.

As diligências permitiram reunir elementos que fundamentaram os pedidos de busca e apreensão apresentados ao Poder Judiciário.

O delegado destacou que o trabalho de enfrentamento ao crime organizado depende da continuidade das investigações.

“Essa investigação começou a partir de uma prisão em flagrante realizada no ano passado. No decorrer das diligências, conseguimos identificar indícios da atuação dessa facção criminosa e reunir elementos que fundamentaram os pedidos de busca e apreensão. O crime organizado não para, e nossas investigações também não vão parar”, afirmou Hugo Cardias.

A ação mobilizou equipes formadas por delegados e oficiais investigadores, responsáveis pelo cumprimento das ordens judiciais em cada endereço.

Também participaram os delegados Matheus Fraga, Vinícius Souza, Leonardo Michell, Ricardo Daniel, Igor Silveira, Jonathan Freese e Vinícius Quadro.

Sistema de “lojinhas” já apareceu em outras investigações em Roraima

A utilização de pontos de venda de drogas identificados por nomes próprios já havia sido apontada em investigações anteriores sobre a atuação do PCC em Roraima.

Em dezembro de 2025, o Ministério Público de Roraima denunciou 17 integrantes da facção por suspeita de participação em uma rede de comercialização de entorpecentes.

Naquela investigação, os pontos eram identificados por nomes como Rosinha, Cemitério, Tem de Tudo, Império e Hello Kitty.

Segundo o Ministério Público, a estrutura investigada mantinha mecanismos de controle financeiro, divisão de lucros e acompanhamento das atividades dos integrantes.

As apurações apontaram movimentação de pelo menos R$ 414 mil em aproximadamente quatro meses.

A investigação atual também menciona a existência de “lojinhas”, mas a Polícia Civil não confirmou que todos os endereços alvos da operação desta sexta-feira integrem a mesma estrutura investigada anteriormente.

Próximos passos

Os documentos, aparelhos celulares e demais materiais apreendidos serão analisados pela Polícia Civil para aprofundar a investigação.

A perícia poderá ajudar a identificar novas conexões entre os investigados, a movimentação dos pontos de venda e a possível participação de outras pessoas na estrutura criminosa.

A arma de fogo e as munições recolhidas em Mucajaí também passarão por exames periciais.

O homem preso por suspeita de tráfico permanecerá à disposição da Justiça até a audiência de custódia prevista para sábado (7).

A DRACO continuará investigando a atuação dos pontos de comercialização de drogas e a possível ligação dos envolvidos com o PCC.

Até o momento, a operação resultou em duas prisões em flagrante e no cumprimento dos nove mandados judiciais, mas as investigações continuam e poderão ter novos desdobramentos.

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