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Pesquisa mostra Lula à frente entre católicos e Flávio entre evangélicos

Uma pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira 25 indica um país religiosamente dividido na disputa presidencial de 2026. Em um eventual segundo turno, Lula abre vantagem entre católicos, enquanto Flávio Bolsonaro lidera com folga entre evangélicos.

Religião organiza a disputa por 2026

O levantamento, realizado por telefone entre 22 e 24 de maio com 2.045 entrevistados em todo o país, mostra que a religião continua a organizar o voto no Brasil. No quadro geral, sem recorte religioso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47% das intenções em um segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 43%. Brancos e nulos somam 9%, e 1% dos entrevistados não sabe ou não responde.

Quando a lente se aproxima dos grupos religiosos, o mapa muda de cor. Entre católicos, Lula abre vantagem: tem 51% das preferências, contra 42% do filho mais velho de Jair Bolsonaro. Nesse recorte, 7% pretendem votar em branco ou nulo, e 1% ainda não decidiu em quem votar. Entre evangélicos, o resultado se inverte. Flávio Bolsonaro chega a 54%, enquanto Lula recua para 36%. Brancos e nulos vão a 10%, e 1% não sabe ou não responde.

Os números reforçam uma divisão consolidada ao longo da última década, em que o bolsonarismo transforma o eleitorado evangélico em base prioritária. No outro polo, Lula preserva força entre católicos, grupo que ainda é o maior do país, mas perde espaço ano a ano para igrejas pentecostais e neopentecostais. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-04193/2026, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

Base religiosa define estratégias de campanha

Os dados chegam em um momento em que pré-campanhas começam a testar discursos e alianças para 2026. As cúpulas partidárias olham para os templos com a mesma atenção que dedicam aos programas de TV. O resultado da Nexus/BTG sugere que a disputa tende a se radicalizar em torno de pautas morais e identitárias, usadas como atalhos para fidelizar fiéis e eleitores.

No entorno de Lula, conselheiros admitem que a relação com lideranças evangélicas continua frágil, apesar de gestos pontuais desde 2023. A avaliação é que o presidente fala com alguma naturalidade ao catolicismo social, ligado à defesa dos pobres e a uma agenda de direitos, mas tem dificuldade em furar o bloqueio de pastores alinhados ao bolsonarismo. “O eleitor evangélico foi bombardeado por anos com a ideia de que a esquerda ameaça sua fé. Desfazer isso exige tempo, presença e escuta”, avalia um cientista político ouvido pela reportagem.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, herda o capital político construído pelo pai nos púlpitos. Pastores que deram visibilidade a Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 tendem a repetir a estratégia com o senador do PL, visto como fiador da continuidade desse projeto. Embora não seja tão conhecido nacionalmente quanto o ex-presidente, Flávio aparece como porta de entrada para manter unida a frente conservadora evangélica, que mistura discursos contra o aborto, a chamada “ideologia de gênero” e um apelo à segurança pública.

Os percentuais revelados pela pesquisa também pressionam partidos de centro e siglas do chamado centrão, que costumam negociar tempo de TV e apoio de lideranças religiosas. O eleitorado católico, onde Lula abre vantagem, continua numeroso e mais heterogêneo, o que preserva espaço para candidaturas com discurso social e defesa do Estado laico. No campo evangélico, a distância em favor de Flávio sugere um ambiente mais hostil para alianças com a esquerda, ainda que setores minoritários tentem construir pontes com o governo.

O que está em jogo até as eleições de 2026

O retrato de maio de 2026 não define o resultado da eleição, mas indica o tabuleiro em que as campanhas vão se mover. A vantagem de Lula entre católicos, somada à dianteira de Flávio entre evangélicos, tende a orientar agendas específicas para cada público. Em comunidades católicas, o Planalto deve insistir em temas como combate à fome, políticas sociais e defesa da democracia. Em templos evangélicos, o bolsonarismo promete reforçar o discurso de valores familiares e liberdade religiosa.

Os grupos religiosos também pressionam por espaço em políticas públicas. Bancadas católicas e evangélicas disputam recursos para comunicação, educação e projetos sociais, enquanto se alinham ou se afastam do governo conforme o humor de suas bases. A diferença de 11 pontos a favor de Flávio entre evangélicos, contra os 9 pontos pró-Lula entre católicos, indica que nenhum dos dois lados pode se dar ao luxo de ignorar o outro segmento.

As campanhas observam ainda outro dado: 9% do eleitorado geral declara intenção de votar em branco ou nulo em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, e 1% não sabe ou não responde. Esse contingente, somado aos indecisos dentro de cada grupo religioso, torna-se alvo preferencial de estratégias digitais e de ações presenciais em paróquias, comunidades de base, pequenas igrejas e grandes denominações.

O avanço do calendário eleitoral tende a acentuar a disputa por legitimidade moral. Lula tenta mostrar que a defesa de direitos sociais e o combate à desigualdade caminham ao lado da liberdade de culto, enquanto o bolsonarismo insiste em apresentar a si mesmo como barreira contra um suposto “radicalismo de esquerda”. No meio, milhões de fiéis avaliam quem melhor representa suas crenças e seus medos.

Os próximos levantamentos vão indicar se o favoritismo de Lula entre católicos e a vantagem de Flávio entre evangélicos se consolidam ou se diluem diante de fatos novos, como denúncias, crises econômicas ou acordos partidários. Até lá, a pesquisa Nexus/BTG funciona como aviso para as campanhas: a eleição de 2026 passa inevitavelmente pelos altares, pelos púlpitos e pelas urnas.

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