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Pesquisa em Pernambuco mostra Lula com ampla vantagem sobre Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga a disputa presidencial em Pernambuco, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026. O petista aparece com 57% das intenções de voto no estado natal, 35 pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário no cenário testado.

Lula consolida favoritismo em seu estado natal

O levantamento, realizado pelo instituto Real Time Big Data entre 9 e 10 de junho, confirma Pernambuco como um dos pilares da base eleitoral de Lula. Em um cenário de primeiro turno, o presidente registra 57% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alcança 22%. A diferença de 35 pontos reforça a força do petista no Nordeste e alimenta o discurso de que a reeleição passa, obrigatoriamente, por um desempenho robusto na região.

A pesquisa é registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-02795/2026 e ouviu 1.600 eleitores em todas as regiões do estado. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. No recorte por estado, Pernambuco se mantém como território de resistência ao bolsonarismo e dá sinais de que a memória afetiva e política em relação a Lula continua ativa quase quatro décadas depois de sua primeira candidatura presidencial.

O instituto também testa um cenário em que outros nomes da esquerda e da extrema esquerda aparecem agrupados na categoria “outros somados”. São candidatos como Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU), que, juntos, não ameaçam a liderança de Lula. O espaço reduzido dessas legendas no eleitorado pernambucano reforça a polarização entre o presidente e o campo bolsonarista.

Num eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a distância diminui, mas segue confortável para o Planalto. O petista mantém vantagem de 26 pontos percentuais, segundo o Real Time Big Data, o que indica um grau elevado de cristalização de voto. A pesquisa não divulga os números detalhados desse cenário, mas aponta que, mesmo com a concentração dos votos da direita, o presidente preserva uma frente ampla em Pernambuco.

Aprovação do governo e efeito regional

O desempenho de Lula nas intenções de voto se apoia em um nível de aprovação superior a seis em cada dez eleitores. De acordo com o instituto, 62% dos entrevistados aprovam o trabalho do presidente. Outros 36% dizem desaprovar a gestão, enquanto 2% não sabem avaliar ou preferem não responder. Essa avaliação positiva se traduz também na percepção sobre o governo como um todo.

Questionados sobre a administração federal, 43% dos pernambucanos classificam o governo Lula como “ótimo” ou “bom”. Cerca de 26% o consideram “regular”, e 27% o avaliam como “ruim” ou “péssimo”. Os indecisos somam 2%. Os dados mostram um ambiente mais favorável ao presidente em Pernambuco do que a média nacional observada em outros levantamentos recentes, ainda que os números nacionais não sejam objeto desta pesquisa específica.

Analistas políticos ouvidos reservadamente por campanhas veem nessa combinação de aprovação alta e vantagem eleitoral uma espécie de “seguro” para o PT no estado. Na leitura desses estrategistas, Pernambuco funciona como vitrine do lulismo e como ponto de equilíbrio em meio ao avanço de forças conservadoras em outros polos do país. “Enquanto Lula mantiver essa musculatura no Nordeste, qualquer adversário entra na disputa em desvantagem”, avalia um consultor ligado ao campo progressista.

Para o bolsonarismo, o resultado expõe um desafio estrutural. Flávio Bolsonaro tenta herdar o capital eleitoral do pai, mas chega a Pernambuco com um recall bem mais baixo que o de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022. A presença do senador do PL no questionário mostra uma estratégia de testar seu potencial como rosto nacional do bolsonarismo na sucessão de 2026. Os números iniciais, porém, sugerem que o caminho será mais íngreme em estados historicamente alinhados a Lula.

Estratégias em disputa e próximos movimentos

Os resultados da pesquisa tendem a influenciar diretamente o desenho das campanhas em Pernambuco. No campo governista, a leitura é de que a prioridade passa a ser preservar a vantagem e evitar desgastes locais, em especial nas relações com a governadora e com prefeitos de médio porte. O desempenho robusto de Lula no estado também fortalece as negociações do PT por alianças proporcionais e pelo lançamento de candidaturas próprias em cidades-chave.

Entre os oposicionistas, a reação deve vir em duas frentes: maior presença física de Flávio Bolsonaro no Nordeste e tentativa de nacionalizar temas que desgastem o governo federal, como economia, segurança pública e custo de vida. A aposta de aliados do PL é reduzir a diferença em estados onde o bolsonarismo ainda enfrenta rejeição alta, para compensar eventuais perdas em regiões mais favoráveis, como o Centro-Oeste e o Sul.

O levantamento de 9 e 10 de junho funciona como um recorte de meio de caminho em um país que se aproxima de mais uma eleição marcada pela polarização. A consolidação de Lula em Pernambuco pressiona a oposição a redesenhar rotas e amplia o peso do estado nos cálculos de 2026. Nos bastidores, dirigentes partidários admitem que novos números, de outros institutos e regiões, serão decisivos para definir candidaturas, coligações e o tom da campanha.

Até lá, a distância de 35 pontos registrada agora é menos um ponto de chegada e mais um termômetro da correlação de forças no início da temporada eleitoral. A pergunta que se impõe, em Pernambuco e fora dele, é se o bolsonarismo encontrará espaço para reduzir essa margem ou se o estado seguirá como um dos principais redutos de Lula na reta final da disputa presidencial.

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