Palmeiras pode igualar pior fase de grupos na era Abel na Libertadores
Com só 5 pontos após três rodadas, o Palmeiras entra na reta final da fase de grupos da Libertadores sob risco de igualar sua pior campanha com Abel Ferreira. A equipe pode chegar, no máximo, a 14 pontos, mesma pontuação mínima registrada em 2024 sob o comando do português.
Reta final sob pressão no Grupo F
O cenário pressiona o time justamente no momento em que o torneio continental costuma servir de termômetro para o ano. Faltam três jogos, dois deles no Allianz Parque, para definir se o Verdão avança com autoridade ou carrega dúvidas para o mata-mata, caso confirme a classificação.
O Palmeiras é hoje o segundo colocado do Grupo F, com 5 pontos somados. Empata em casa com o Cerro Porteño após sair na frente, desperdiça a chance de abrir vantagem e vê a margem de erro diminuir. O calendário aponta agora uma sequência decisiva: Sporting Cristal fora de casa, depois Cerro Porteño e Junior Barranquilla em São Paulo.
Se vencer os três compromissos restantes, o time chegará a 14 pontos. O número não é desprezível, mas carrega simbolismo: foi exatamente essa a pontuação da fase de grupos de 2024, a mais baixa da era Abel na Libertadores. Na ocasião, o clube ainda assim lidera seu grupo e termina com a terceira melhor campanha geral. A comparação expõe mais a queda em relação a 2025, quando o Palmeiras atinge 100% de aproveitamento e se torna a principal força da fase inicial, do que um colapso de desempenho imediato.
Da autoridade ao incômodo das dúvidas
A diferença é o contexto. Em 2025, a equipe passeia na fase de grupos, vence todas as partidas e confirma a melhor campanha geral do torneio. Chega à decisão e perde o título para o Flamengo, mas o caminho até a final consolida o modelo de jogo e a imagem de time dominante no continente.
O roteiro atual é menos confortável. O empate recente com o Cerro, em casa, expõe um Palmeiras que cria, mas sofre para matar jogos e controlar emoções. Abel Ferreira sai irritado também com o entorno. Em tom de desabafo, reclama publicamente da redução do campo no estádio do rival. “Nunca vi isso na minha vida”, dispara ao comentar a estratégia paraguaia de diminuir o gramado para tentar travar o jogo alviverde.
O incômodo do treinador não se limita aos detalhes de infraestrutura. Nos bastidores, membros da comissão técnica admitem que o desempenho oscila mais do que o planejado para esta fase da temporada. A pontuação atual, 5 em 9 possíveis, não é trágica, mas contrasta com o padrão recente do clube na Libertadores e alimenta um debate silencioso: o Palmeiras ainda assusta como antes?
Os números recentes ajudam a entender a preocupação. Em 2024, com 14 pontos, o Palmeiras lidera seu grupo com alguma folga, mesmo em versão menos letal. Um ano depois, o salto para os 18 pontos na primeira fase reforça a ideia de estabilidade competitiva. Agora, o teto volta a ser 14, mas com uma diferença importante: qualquer tropeço pode não apenas derrubar a pontuação máxima, como abrir brecha para um desfecho traumático, com eliminação precoce.
Impacto esportivo e pressão interna
Uma campanha de grupos mais modesta tende a cobrar preço imediato. Em termos práticos, somar menos pontos significa, em geral, correr risco de cruzar com adversários mais fortes já nas oitavas de final. A tabela de classificação geral da Libertadores costuma premiar quem impõe autoridade desde o início, com mando de campo até fases avançadas. O Palmeiras conhece bem esse caminho e sabe o quanto pequenas oscilações em maio podem custar caro em agosto.
O impacto não se limita à matemática. A torcida, acostumada a ver o time se classificar com folga, reage com impaciência aos tropeços recentes. Vaias pontuais, cobranças nas redes sociais e comparações constantes com a campanha perfeita do ano passado compõem o ambiente. A dúvida sobre qual Palmeiras entrará em campo em jogos decisivos volta a circular nas arquibancadas e nos programas esportivos.
Dentro do clube, a situação também serve de termômetro para o trabalho de Abel e da diretoria. A eventual repetição da pior pontuação da era do português alimenta discussões sobre renovação do elenco, ajustes táticos e gestão física em calendário apertado. Internamente, a avaliação é de que a classificação ainda está sob controle, mas ninguém ignora o peso simbólico de uma queda no patamar exibido em 2025.
O próprio treinador, que constrói uma relação de autoridade com o elenco e com a torcida, sente o aumento da pressão. O histórico de títulos e campanhas profundas na Libertadores lhe garante margem, mas não blindagem total. Um fracasso ainda na fase de grupos mudaria a chave do debate: de um ano de ajustes para um ano de crise.
Sequência decisiva e futuro em aberto
O caminho imediato está traçado. O Palmeiras encara primeiro o Sporting Cristal, fora de casa, em um jogo que pode redefinir o clima da campanha. Uma vitória abre a porta para retornar ao Allianz Parque com chance concreta de se aproximar da liderança do grupo e reduzir o ruído em torno do desempenho. Qualquer tropeço amplia o peso dos dois confrontos em São Paulo e transforma a arena em palco de decisão antecipada.
Na sequência, Cerro Porteño e Junior Barranquilla visitam o Allianz. O histórico recente em casa na Libertadores indica vantagem palmeirense, mas não garante nada em um ano de sinais contraditórios. A comissão técnica trabalha com o discurso de “jogo a jogo”, enquanto a diretoria monitora o ambiente e a resposta da equipe sob pressão.
Os próximos 270 minutos na Libertadores devem definir não só a pontuação da fase de grupos, mas também o tom do restante da temporada. Uma arrancada com três vitórias recoloca o Palmeiras no bloco dos candidatos naturais ao título continental e reduz o peso da comparação com 2024 e 2025. Uma sequência irregular, com nova perda de pontos, pode cristalizar a percepção de que o time já não impõe o mesmo respeito.
A tabela oferece chance de reação e, ao mesmo tempo, escancara o risco de uma marca incômoda: igualar a pior fase de grupos da era Abel Ferreira. A resposta virá em campo, rodada a rodada, enquanto a Libertadores testa de novo até onde vai a autoridade recente do Palmeiras no continente.
