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NC Eleições 2026

Omar Aziz vence no AM com 56,97% e RJ leva disputa ao STF

Resultados parciais mostram vitória de Omar Aziz no Amazonas e disputa judicial no Rio de Janeiro envolvendo o PSD.

Omar Aziz vence no AM com 56,97% e RJ leva disputa ao STF

Omar Aziz (PSD) Com 56,97% dos votos válidos, consolida neste domingo a volta ao comando do Amazonas, enquanto Raquel Lyra (PSD) já garante a continuidade do governo em Pernambuco e o Rio de Janeiro enfrenta um impasse jurídico sobre a eleição para o Palácio Guanabara levado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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No segundo turno amazonense, projetado com 59,31% das urnas apuradas, Aziz abre vantagem sobre Professora Maria do Carmo (PL), que registra 43,03% dos votos válidos. Ele havia liderado o primeiro turno com 40,63%, à frente de Maria (24,49%) e do atual governador, Roberto Cidade (União), que ficou com 21,91% e foi eliminado.

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar por duas horas o horário de votação em todo o país mudou a rotina das seções eleitorais no estado. Em parte dos locais, urnas já estavam encerradas e boletins de urna haviam sido impressos quando a ordem chegou, o que gerou confusão entre mesários e eleitores.

Com trajetória que inclui passagens pela prefeitura de Manaus, vice-governo, governo estadual e Senado, Aziz retorna ao Executivo com a promessa de reduzir a polarização política e manter a interlocução com o governo federal. Ele ganhou projeção nacional ao presidir a CPI da Covid e, mais recentemente, ao relatar a proposta de emenda constitucional que extingue a escala 6×1 de folgas trabalhistas, que classificou como “emenda à Constituição mais importante da história dos trabalhadores brasileiros”.

A nova gestão assume um Amazonas sob pressão ambiental, após uma temporada de incêndios florestais que encobriram cidades de fumaça, suspenderam aulas e afetaram voos. Apesar da gravidade, tanto Aziz quanto Maria do Carmo evitaram tratar do tema com profundidade na campanha. O presidente do Ibama, Jair Schmitt, atribui parte do problema ao clima de radicalização: “A guerra política nas redes tem incentivado incêndios criminosos na Amazônia”.

Maria do Carmo, empresária da educação e reitora da Fametro, ancorou sua candidatura no apoio do bolsonarismo. O jingle “Maria é Bolsonaro, Bolsonaro é Maria” resumiu a estratégia de colar sua imagem à do ex-presidente, com participações em eventos ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e apoio público do pastor Silas Malafaia.

Raquel Lyra já garantiu reeleição em Pernambuco

Em Pernambuco, a disputa pelo governo já estava definida desde o primeiro turno. Raquel Lyra (PSD) foi reeleita com 53,27% dos votos válidos e neste domingo apenas cumpriu o ritual de votar em Caruaru, seu reduto eleitoral, acompanhada do prefeito Rodrigo Pinheiro, de auxiliares e familiares.

A vitória em rodada única dá fôlego político à governadora para seguir com sua agenda administrativa sem o desgaste de uma campanha prolongada. A avaliação positiva nas urnas reforça a posição do PSD como peça central no xadrez regional do Nordeste, enquanto outras legendas reorganizam estratégias para os próximos ciclos eleitorais.

Impasse no Rio de Janeiro chega ao STF

Enquanto Amazonas e Pernambuco saem do domingo com cenários mais claros, o Rio de Janeiro vive uma disputa judicial que pode redefinir o resultado para governador. O PSD, partido do prefeito Eduardo Paes, tenta reverter a exclusão dos votos dados a Garotinho, que concorria com registro indeferido, mas ainda assim apareceu na urna e recebeu cerca de 274 mil votos.

Após o pleito, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou o indeferimento e determinou a anulação desses votos. A retotalização deu maioria absoluta a Douglas Ruas, que foi declarado eleito em primeiro turno pelo Tribunal Regional Eleitoral fluminense. O PSD afirma que a retirada posterior dos votos de Garotinho alterou artificialmente o cenário e que, mantida a contagem original, a disputa deveria ir ao segundo turno.

O caso foi levado ao STF depois de derrotas do partido no TRE-RJ e em tentativas iniciais na própria corte. Aliados de Ruas argumentam que o resultado expressa a escolha das urnas e não pode ser revertido sem dano à legitimidade democrática. “A vontade popular foi de que Douglas Ruas seja o novo governador, ele foi o mais votado, mudar a decisão do TRE do Rio de Janeiro será visto como ‘conflito de interesses’ e insegurança jurídica”, resume uma avaliação crítica ao recurso.

Para o advogado André Fini Terçarolli, que acompanha o tema, o debate ultrapassa a disputa fluminense e mira o próprio desenho das regras eleitorais. “A rediscussão afeta a segurança jurídica porque prolonga a incerteza sobre quem foi eleito e sobre quais critérios determinam o resultado”, afirma. Segundo ele, há uma diferença crucial entre aplicar, após a votação, uma consequência prevista em lei e mudar as interpretações no meio do jogo: “A distinção decisiva está entre aplicar uma consequência jurídica previamente conhecida e introduzir uma interpretação nova depois da votação. Na primeira hipótese, a retotalização concretiza as regras da disputa. Na segunda, pode frustrar a confiança dos eleitores e dos candidatos, que participaram da eleição sob outra compreensão das consequências de seus atos.”

Enquanto o STF não bate o martelo, o Rio segue em compasso de espera sobre quem assumirá o governo e em que condições. Uma eventual determinação de realização de segundo turno reabriria a campanha, com novos custos e provável acirramento político; a manutenção da decisão atual consolidaria a vitória de Ruas, mas sob a sombra da contestação jurídica levantada pelo PSD.