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NC Eleições 2026

Brasil tem 158 mi de eleitores e 300 mil centenários

Mais de 158 milhões de brasileiros participam do pleito, incluindo milhares de eleitores centenários e idosos.

Brasil tem 158 mi de eleitores e 300 mil centenários

Brasil tem quase 300 mil eleitores centenários e um total que passa de 158 milhões de pessoas aptas a votar, o Brasil vive neste domingo um dia de votação marcado pela diversidade etária e pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de estender o horário das urnas até as 19h em todo o país, nas seções onde a votação ainda não foi encerrada.

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Voto de centenários e idosos ganha peso nas urnas

O contingente de pessoas com mais de 100 anos cadastradas para votar se aproxima de 300 mil eleitores. No primeiro turno deste ano, 2.141 centenários compareceram às urnas, um recorte que ajuda a explicar o aumento da participação de idosos nas eleições de 2026. Entre aqueles com 70 anos ou mais — faixa em que o voto já é facultativo — são cerca de 8,7 milhões de eleitores em todo o país.

Em Brasília, a aposentada Teresa Machado, de 83 anos, resume por que segue saindo de casa em dia de eleição. “Quem participa pode cobrar, quem não participa fica de fora aguardando o que os outros decidem. E como eu sempre decidi o que eu quero para a minha vida, é importante votar”, afirma. Para ela, votar também é uma forma de deixar um legado para filhos, netos e bisnetos.

No Varjão, periferia do Distrito Federal, o também aposentado Horácio da Silva, de 95 anos, chegou cedo à única escola pública do bairro, levado por uma das mais de 20 netas e netos. Mesmo dispensado pela lei, ele faz questão de se identificar na urna a cada eleição. “Tem que votar para melhorar o Brasil”, diz, enquanto a família se reveza para garantir que ele nunca falte.

Jovens estreiam nas urnas com olho na igualdade social

Na outra ponta da idade, adolescentes estreiam no título e reforçam a pluralidade do eleitorado. Em um colégio público na Asa Norte, em Brasília, Maria Teresa Neves Hora, de 16 anos, vota pela primeira vez, influenciada pelos pais e decidida a exercer um direito que ainda é facultativo para sua faixa etária.

“É muito importante que os adolescentes votem, porque isso impacta a vida de todo mundo”, afirma. “Quero um país que tenha mais igualdade social, que todo mundo tenha oportunidades de fazer o que quer na vida e melhorar. Também [desejo] um país mais amável com todo mundo, independentemente da religião ou de qualquer outra coisa.”

Na fila, outros eleitores também ligam o voto a pautas específicas. O auxiliar de almoxarifado Marcio Sampaio defende endurecimento das leis penais. “O povo deve acordar porque, desse jeito, a coisa está feia. Temos que mudar as leis desse país. A criminalidade está demais. Sou pela diminuição da maioridade penal também. O menor tem que responder pelos seus atos porque a violência é geral”, diz.

Já o universitário João Lucas Sousa Rodrigues, de 19 anos, destaca a importância do voto para grupos minorizados. “Sou um homem preto, gay, sou da Universidade Federal de Brasília, sei de onde eu, minha mãe e minha família viemos, sei o que passei também na minha infância. Então, voto hoje por quem minha mãe e eu somos”, afirma.

Entenda o contexto

O Brasil tem mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar nas eleições deste ano. Pela Constituição, cada voto tem o mesmo peso, independentemente de raça, renda, religião ou local de moradia. O que muda é a motivação de cada pessoa ao escolher quem vai comandar o país e governar estados e o Distrito Federal nos próximos anos.

O aumento da participação de idosos, a entrada de mais jovens a partir dos 16 anos e a presença de grupos diversos — de aposentados que dependem de benefícios sociais a eleitores LGBTQIA+ — ampliam a pressão sobre candidatos e futuros governos por políticas específicas, como programas para a terceira idade, proteção social, combate à violência e ações de inclusão.

STF estende votação até as 19h

Diante do tamanho do eleitorado e de dificuldades de deslocamento enfrentadas principalmente por idosos e trabalhadores, o STF atendeu a pedidos das campanhas presidenciais e autorizou a ampliação do horário de votação neste domingo. A orientação é que, nas seções onde ainda houver fila e as urnas não tenham sido fechadas, a votação siga até as 19h.

A medida impacta diretamente a logística da Justiça Eleitoral, mas é vista como forma de reduzir a exclusão de eleitores que têm jornada de trabalho longa, dependem de transporte público precário ou precisam de apoio para chegar ao local do voto. Na prática, mesários, servidores da Justiça e forças de segurança também permanecem mais tempo mobilizados.

Voluntários e fiscais reforçam confiança no processo

Além dos eleitores, o dia de votação movimenta milhares de pessoas que trabalham de forma voluntária. Aos 18 anos, a professora Orícia Azevedo Chaves se apresentou à Justiça Eleitoral e hoje preside a seção onde vota o aposentado Horácio, no Varjão. “Sinto que estou fazendo minha missão de cidadã, exercendo meu dever. Vai além dos benefícios, como ter folgas [no trabalho] e isenção na inscrição de alguns concursos”, afirma.

Do outro lado da mesa, fiscais de partidos acompanham a movimentação para evitar irregularidades. A professora Ecleidiane Nascimento dos Santos atua como fiscal e destaca o papel de quem conhece a comunidade. “Um fiscal da cidade conhece de perto todas as pessoas e pode verificar se está tudo ocorrendo certinho, se não há nenhum tipo de erro, boca de urna, compra de votos ou indução ao voto ao candidato que interessa a quem está levando o outro para votar e, assim, obrigando as pessoas a votarem nele também”, diz.

Voto também decide benefícios e políticas sociais

Em Brasília, irmãos aposentados por incapacidade permanente, como Dagoberto e Poliana Fernandes Leite, foram às urnas preocupados em manter o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. “Não quero perder nosso benefício. Com ele, compro comida para casa, ajudo minha mãe nas contas de luz, água e IPTU. Somos cinco [pessoas] lá e não posso trabalhar, por causa da epilepsia”, explica Poliana.

Para muitos eleitores, saúde, educação, segurança e programas de transferência de renda pesam tanto quanto o debate ideológico que marca a disputa polarizada deste ano. A eleitora Taylla Gabriele resume o clima na boca de urna: “A gente pode ser de um lado ou de outro. Mas, de fato, o que importa é ter voz. Não é só mais um voto. A grande maioria faz a representação e o grande todo faz acontecer”.

A enfermeira Eliane Gomes dos Santos, uma das mais de 2,5 milhões de eleitoras e eleitores do Distrito Federal, defende que política faz parte do dia a dia, não apenas de partidos. “A gente não discute muito sobre política. Mas somos seres sociais e não deve existir o apolítico. Todo mundo é político”, afirma. Para ela, mesmo em tempos de polarização, o diálogo é indispensável: “A gente precisa daqueles que já são ‘nossos’ e, também, das pessoas que pensam diferente e, inclusive, até daqueles que pensam muito diferente. É importante até mesmo para a gente ir galgando ganhos, ao longo da nossa trajetória.”

Ao fim do dia, caberá à Justiça Eleitoral medir o efeito prático da extensão do horário de votação e do engajamento de idosos, jovens e diferentes grupos sociais na taxa de comparecimento às urnas — dado que deve influenciar o debate sobre futuras mudanças nas regras e na organização das próximas eleições.