Olise faz hat-trick, França vence e liga alerta para fase de Mbappé
Michael Olise marca três gols nesta segunda (8), em Lille, garante a vitória da França por 3 a 1 sobre a Irlanda do Norte e sai maior às vésperas da Copa do Mundo de 2026. No último jogo em casa antes do embarque, os Bleus vencem, mas veem Kylian Mbappé repetir uma atuação preocupante, com uma coleção de chances perdidas.
Hat-trick em Lille e vaga em disputa
O amistoso no Stade Pierre-Mauroy, às 16h10 (de Brasília), começa como um teste de sistema e termina como um recado claro. Olise, meia-atacante do Bayern de Munique, aproveita cada espaço, cada rebote, cada hesitação da defesa da Irlanda do Norte. Marca aos 42 minutos do primeiro tempo, volta do intervalo em alta rotação e amplia logo aos 3. Fecha a conta aos 29 da etapa final, com um chute no ângulo que arranca o público das cadeiras em Lille.
O placar poderia ser ainda mais elástico. A França finaliza 27 vezes, contra apenas quatro dos visitantes. Cria por dentro, chega pelas laterais, pressiona a saída de bola. Constrói uma superioridade que raramente é ameaçada, apesar do gol de Kelly aos 18 do segundo tempo, em cruzamento de Charles, num raro erro de Upamecano. O teste serve menos para medir a Irlanda do Norte e mais para reorganizar a hierarquia do ataque francês a oito dias da estreia na Copa, marcada para o dia 16, às 16h, contra Senegal, pelo Grupo I, que ainda tem Iraque e Noruega.
Mudanças de Deschamps e a noite amarga de Mbappé
Didier Deschamps manda a campo força quase máxima. Troca peças em relação à derrota por 2 a 1 para a Costa do Marfim, na quinta-feira (4), em Lyon. Dembélé, Doué e Saliba ganham vaga entre os titulares e tentam dar outra cara ao time. O zagueiro do Arsenal volta depois da lesão sofrida na final da Liga dos Campeões, contra o PSG, e faz partida segura até ser substituído por Lacroix.
Pelo lado esquerdo, Theo Hernández acumula projeções ao ataque, enquanto Doué aparece por dentro para acelerar o jogo. O volume cedo expõe as fragilidades da Irlanda do Norte. Aos oito minutos, Mbappé recebe de Hernández na área e busca o ângulo oposto, mas chuta para fora. É o primeiro sintoma de uma noite em que nada encaixa para o craque do Real Madrid.
O roteiro se repete. Aos 19, Tchouaméni acerta a trave em chute de fora, Doué pega o rebote e encontra Mbappé livre, mas o atacante está impedido. Aos 26, Doué volta a servi-lo, agora em condição legal. O camisa 10 pega mal na bola e desperdiça. Na tribuna, Olivier Giroud, hoje no Lille, acompanha a cena. O veterano segue com 57 gols pela seleção e vê Mbappé continuar um gol atrás do recorde histórico.
Olise rompe o padrão de frustração perto do intervalo. Após lançamento longo de Upamecano, Doué domina com categoria e acha Dembélé. A defesa bloqueia o chute, mas a sobra cai limpa para o camisa 11 empurrar para o gol vazio. O estádio explode, e o 1 a 0 aos 42 muda o tom de uma partida que começava a ser tomada pela ansiedade.
Na volta do intervalo, o cenário se cristaliza. Gusto cruza da direita, Hernández cabeceia mal, a zaga corta parcial, e Olise emenda de pé esquerdo, de primeira, para fazer 2 a 0 aos 3 minutos. O golaço expõe a confiança do meia-atacante, que chega à Copa em curva ascendente após temporada consistente na Alemanha.
Confiança para Olise, pressão para Mbappé
O jogo parece controlado quando a Irlanda do Norte encontra espaço às costas da defesa. Charles ganha de Upamecano na força, cruza rasteiro e vê Kelly completar para o 2 a 1, aos 18. O gol não muda a lógica do duelo, mas devolve tensão a um time que ainda carrega o peso da derrota recente para a Costa do Marfim e da cobrança por desempenho convincente antes do Mundial.
Mbappé tem a chance perfeita para responder. Aos 28, Olise enfia um passe limpo, que desmonta a última linha irlandesa. O camisa 10 sai cara a cara com o goleiro e finaliza por cima. O lamento é imediato, quase um desabafo. Em vez de aliviar a pressão, o lance vira símbolo de uma sequência de jogos abaixo. O estádio aplaude, mas também reage com um misto de surpresa e impaciência discreta.
Olise decide que a noite não será sobre a crise de confiança do companheiro. No minuto seguinte, recebe aberto pela direita, corta para o meio e solta um chute no ângulo, sem qualquer chance para Charles. O 3 a 1 sela o hat-trick e transforma o meia-atacante no personagem central da preparação francesa. Em um elenco acostumado a girar em torno de Mbappé, ele se posiciona como alternativa real de protagonismo.
Os minutos finais apenas reforçam a sensação de desperdício ofensivo. Akliouche, que entra no lugar de Olise, perde boa chance aos 39. Barcola, outro reserva, chuta por cima aos 43. O volume ofensivo mostra que a França tem opções variadas, da velocidade de Dembélé à condução de Doué, passando pela chegada de Rabiot e pela segurança de Kanté no segundo tempo. Também indica que o placar de 3 a 1 fica aquém do que o desempenho produz.
Último teste em casa e a disputa por espaço na Copa
A vitória encerra a série de amistosos pré-Copa com um alívio. Depois da derrota para a Costa do Marfim, a França precisava de uma atuação convincente, ainda que contra um adversário modesto. O resultado em Lille não resolve todas as dúvidas, mas muda o clima no vestiário. Confirma Olise como peça-chave da rotação ofensiva e reforça a ideia de que Deschamps pode ajustar o desenho do ataque sem depender apenas do brilho de Mbappé.
A poucos dias da estreia contra Senegal, o técnico olha para o elenco e enxerga novas combinações. Olise aberto pela direita, com liberdade para cortar para dentro, ganha força. Dembélé e Barcola oferecem profundidade. Doué se apresenta como articulador jovem, capaz de acelerar e dar último passe. No meio, Tchouaméni e Rabiot mantêm equilíbrio, com Kanté pronto para segurar o jogo quando necessário.
O próximo passo é levar esse repertório para um palco de pressão diferente, em jogo valendo pontos. A França chega ao Mundial com status de favorita e carrega o peso de ser bicampeã. O amistoso em Lille não responde se Mbappé retomará o brilho no momento certo, mas mostra que, se isso não acontecer, Olise e companhia estão prontos para disputar o centro do palco. A Copa dirá se a seleção francesa vive uma transição silenciosa de protagonismo ou apenas uma breve oscilação de sua principal estrela.
