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Economia

“O único lado é o da população”, diz João Doria durante seminário do LIDE

Em entrevista exclusiva ao NC News durante seminário em São Paulo, ex-governador destacou desafios da gestão pública, investimentos privados e metas de universalização até 2033.

“O único lado é o da população”, diz João Doria durante seminário do LIDE

A ampliação do saneamento básico e os investimentos em infraestrutura no Brasil foram os principais temas do Seminário LIDE Infraestrutura e Saneamento, realizado nesta quarta-feira (4), na Casa LIDE, em São Paulo. O encontro reuniu empresários, executivos e representantes do poder público para discutir soluções capazes de acelerar obras, atrair investimentos e ampliar o acesso da população a serviços essenciais, como água tratada, coleta de esgoto e transporte público.

Durante o evento, o empresário e ex-governador de São Paulo João Doria, fundador e copresidente do LIDE, concedeu uma entrevista exclusiva ao NC News. Ele apontou a eficiência da gestão pública como um dos principais desafios para a universalização do saneamento brasileiro e defendeu a participação da iniciativa privada, acompanhada de investimentos públicos e financiamentos de longo prazo.

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O seminário também contou com a participação de dirigentes do Metrô de São Paulo, da Acciona, da Aena Brasil, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). Entre os assuntos discutidos estiveram o custo do financiamento, a segurança jurídica dos contratos, a expansão da mobilidade urbana e os investimentos necessários para cumprir as metas nacionais de saneamento.

Manaus tem água tratada para 99%, mas esgoto atende só 42% da população

João Doria aponta gestão pública como desafio para ampliar saneamento

Em conversa com o NC News, João Doria afirmou que a melhoria dos serviços de água e esgoto depende de uma administração pública eficiente, especialmente nas regiões brasileiras que ainda enfrentam dificuldades para ampliar a cobertura do saneamento.

Segundo o ex-governador, São Paulo possui uma estrutura consolidada no setor, enquanto estados das regiões Norte e Nordeste precisam de maior apoio financeiro e institucional para expandir os serviços.

“É a gestão pública, a gestão eficiente nas áreas onde o Brasil é altamente deficitário em saneamento e água tratada.”

Doria citou a Sabesp, privatizada em 2024, como exemplo de participação do setor privado na prestação dos serviços. Na avaliação dele, a transferência de empresas estatais para a iniciativa privada pode contribuir para ampliar investimentos, desde que acompanhada de planejamento e apoio dos governos.

O empresário também defendeu uma atuação mais efetiva do governo federal, com investimentos diretos e linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principalmente para estados com maior concentração de famílias de baixa renda.

Marco do Saneamento estabelece metas para 2033

Um dos pontos centrais da entrevista foi o cumprimento das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento Básico, atualizado pela Lei nº 14.026, de 2020.

A legislação determina que, até 31 de dezembro de 2033, os serviços de abastecimento de água potável deverão alcançar 99% da população brasileira, enquanto a coleta e o tratamento de esgoto deverão atender pelo menos 90%.

Para Doria, atingir esses objetivos depende de uma atuação conjunta entre os governos federal, estaduais e municipais, além da participação de concessionárias e instituições financeiras.

O ex-governador ressaltou que as regiões Norte e Nordeste exigem atenção especial, considerando as desigualdades de renda e as dificuldades históricas de acesso aos serviços.

O desafio também aparece em levantamentos recentes sobre o saneamento brasileiro. Em Manaus, por exemplo, embora a cobertura de abastecimento de água tratada supere 99%, a rede de esgotamento sanitário atende aproximadamente 42% da população, conforme dados de 2026 divulgados pela concessionária Águas de Manaus.

Metrô de São Paulo e investimentos em mobilidade entram no debate

Além do saneamento, o seminário abordou os investimentos necessários para ampliar a infraestrutura de transporte e mobilidade urbana.

O presidente do Metrô de São Paulo, Julio Castiglioni, destacou que concessões e parcerias público-privadas não eliminam os desafios relacionados ao custo do financiamento, especialmente em um cenário de juros elevados.

Segundo o executivo, aproximadamente R$ 30 bilhões foram aplicados no sistema metroviário paulista ao longo de quatro anos, considerando investimentos e despesas operacionais.

Castiglioni ressaltou que a expansão da rede exige projetos financeiramente sustentáveis, planejamento de longo prazo e segurança para os investidores.

Na entrevista ao NC News, João Doria elogiou a atuação do presidente do Metrô e destacou a importância de reunir representantes dos setores público e privado para discutir os desafios da mobilidade.

O ex-governador também apontou a necessidade de fiscalização dos contratos e acompanhamento dos serviços pelas agências reguladoras, considerando que o transporte coletivo atende diariamente uma parcela expressiva da população.

Aena prevê aproximadamente R$ 15 bilhões até 2028

A infraestrutura aeroportuária também esteve entre os assuntos discutidos durante o encontro.

O presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, destacou a necessidade de integrar o planejamento de obras entre União, estados e municípios, evitando situações em que grandes empreendimentos sejam concluídos sem acessos viários ou sistemas de drenagem adequados.

Segundo o executivo, os processos de licenciamento podem representar obstáculos importantes ao cumprimento dos cronogramas. Ele relatou experiências em que as autorizações consumiram 24 meses de um período total de 36 meses previsto para a execução das obras.

Yus informou que a Aena prevê aproximadamente R$ 15 bilhões em compromissos financeiros no Brasil até 2028, incluindo outorgas iniciais, indenizações e investimentos.

Entre os projetos está a modernização do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com entrega das obras prevista para junho de 2028.

São Paulo prevê R$ 70 bilhões em investimentos no saneamento

No setor de saneamento, a diretora de Serviços de Água e Esgoto da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), Juliana Collaço, apresentou os desafios enfrentados pelos 274 municípios paulistas que estão fora do contrato da Sabesp.

A estratégia discutida pelo governo estadual envolve a organização de blocos regionais e a estruturação de parcerias público-privadas com participação de recursos públicos para viabilizar investimentos.

Entre as prioridades estão a redução das perdas de água, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto e o atendimento a comunidades rurais e áreas informais.

“Quando a gente fala em universalização dos serviços, a gente está falando em não deixar ninguém para trás.”

O presidente da Arsesp, Diego Domingues, destacou que a expansão dos investimentos também exige o fortalecimento das estruturas de fiscalização e regulação.

Durante o seminário, ele mencionou os R$ 70 bilhões previstos até 2029 para antecipar a universalização dos serviços na área atendida pelo contrato da Sabesp.

Segundo Domingues, contratos claros, fiscalização eficiente e decisões técnicas fundamentadas são necessários para garantir a continuidade dos investimentos e o cumprimento das obrigações assumidas pelas concessionárias.

Obras do Metrô e geração de empregos

Ao comentar a importância da participação empresarial nos projetos de infraestrutura, João Doria citou a atuação da Acciona, companhia espanhola responsável por importantes obras de mobilidade em São Paulo.

O ex-governador mencionou um empreendimento metroviário de aproximadamente 23 quilômetros, com previsão de expansão operacional até 2027, e destacou a capacidade dessas obras de gerar empregos e beneficiar milhares de usuários do transporte público.

Segundo os números apresentados por Doria durante a entrevista, o empreendimento reúne mais de 11 mil empregos diretos e possui potencial para atender aproximadamente 630 mil passageiros diariamente.

O empresário também destacou a atuação de André de Angelo, CEO da Acciona no Brasil e líder da área de infraestrutura do LIDE.

Na abertura do seminário, De Angelo defendeu que os investimentos sejam avaliados não apenas pelo volume de contratos assinados, mas principalmente pelos resultados entregues à população.

“O contrato precisa virar obra, e a obra precisa virar serviço. E o serviço precisa mudar a vida de alguém.”

Para o executivo, a estabilidade regulatória, a qualificação profissional e a continuidade dos projetos entre diferentes governos são condições importantes para ampliar os investimentos e evitar atrasos.

Doria defende diálogo independentemente de posições políticas

Questionado pelo NC News sobre a possibilidade de o LIDE contribuir para aproximar empresários e representantes do governo, Doria afirmou que a entidade já desenvolve esse trabalho por meio de encontros e debates sobre os principais desafios econômicos e estruturais do país.

Segundo ele, o seminário desta quarta-feira foi o quarto encontro realizado pelo grupo em 2026 com foco em infraestrutura.

O empresário ressaltou que a proposta é aproximar o setor privado, a administração pública e os órgãos reguladores para identificar caminhos que permitam ampliar os investimentos e melhorar a prestação dos serviços.

Ao ser questionado se essa colaboração deveria ocorrer independentemente das diferenças políticas, Doria respondeu:

“Claro, independentemente do lado. Não há lado, neste momento o único lado que existe é o lado da população, é a ela que nós devemos servir, pelo público e pelo privado.”

Assista à entrevista exclusiva de João Doria ao NC News

Durante a entrevista exclusiva ao NC News, João Doria também comentou os investimentos no Metrô de São Paulo, o papel das empresas privadas na execução de grandes projetos e a importância de aproximar lideranças empresariais e representantes do poder público.

A conversa abordou ainda os desafios para cumprir as metas nacionais de saneamento até 2033, a necessidade de ampliar os financiamentos para regiões com menor acesso aos serviços e o papel do LIDE na promoção de debates sobre infraestrutura.

Confira abaixo a entrevista completa concedida pelo empresário e ex-governador de São Paulo ao NC News: