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Novo líder do Irã está gravemente ferido, mas mantém comando político

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofre graves ferimentos desde o ataque aéreo conjunto de EUA e Israel em 28 de fevereiro de 2026, mas permanece lúcido. A limitação física abre espaço para a Guarda Revolucionária assumir o controle das decisões militares em meio à guerra aberta com Washington e Tel Aviv.

Ferido, isolado e ainda no centro do poder

Mojtaba Khamenei, sucessor do aiatolá Ali Khamenei morto no mesmo bombardeio, atravessa uma recuperação lenta em local mantido em sigilo pelas autoridades iranianas. Segundo reportagem do New York Times, que cita diversas fontes iranianas sob anonimato, ele passa por tratamento intensivo desde o fim de fevereiro e não aparece em público desde que assume o posto máximo do regime.

O ataque de 28 de fevereiro, descrito por Washington e Tel Aviv como uma operação cirúrgica contra o comando político e militar iraniano, deixa o novo líder com três cirurgias na perna, uma na mão e queimaduras profundas no rosto e nos lábios. As lesões limitam sua capacidade de se locomover e de falar em público, mas não comprometem, até agora, sua lucidez ou a capacidade de tomar decisões estratégicas.

A comunicação com Khamenei ocorre por bilhetes e instruções escritas, em um circuito fechado de segurança, de acordo com o relato das fontes ouvidas pelo jornal americano. O isolamento alimenta rumores, dentro e fora do país, sobre seu real estado de saúde e até sobre a própria sobrevivência do líder, em um momento em que o Irã enfrenta ataques diretos dos Estados Unidos e de Israel pela primeira vez em décadas.

As informações sobre a extensão dos ferimentos apontam para um quadro de longo prazo. Khamenei espera uma prótese para a perna e recuperação gradual da mobilidade, enquanto médicos avaliam a necessidade de novas intervenções na mão, que ainda não recupera totalmente os movimentos. No rosto, as queimaduras graves nos lábios dificultam qualquer aparição televisionada e tornam improvável um retorno rápido aos tradicionais discursos em Teerã.

Guarda Revolucionária assume o volante em plena guerra

No vácuo aberto pela condição física do líder, a Guarda Revolucionária, braço mais poderoso das Forças Armadas iranianas, ganha ainda mais espaço. Segundo o New York Times, Mojtaba delega “por enquanto” as principais decisões militares aos generais do corpo de elite, que já controlam parte central da máquina de segurança e da economia do país. Na prática, o grupo opera como fiador da estabilidade do regime desde o início da guerra com EUA e Israel, no começo de 2026.

O presidente Masoud Pezeshkian, cirurgião cardíaco de formação, se envolve pessoalmente na supervisão médica do líder, num gesto que mistura cuidado clínico e sinal político. A presença do presidente ao lado dos médicos reforça a mensagem de que as instituições continuam em funcionamento, mesmo com o líder supremo afastado da cena pública. Generais de alta patente, porém, não o visitam, em parte por protocolos de segurança, em parte para preservar a imagem de continuidade e evitar vazamentos sobre seu estado.

Desde fevereiro, após a primeira onda de ataques americanos ao território iraniano, Teerã tenta convencer a população de que a ameaça à “sobrevivência do regime” está contida. A avaliação interna, segundo fontes citadas pelo jornal, é que a estrutura do Estado resiste ao choque inicial da ofensiva e mantém o controle sobre o aparato militar, sobre o Estreito de Ormuz e sobre o programa de mísseis. A ausência física de Khamenei, porém, escancara uma fragilidade central: a concentração de poder em torno da figura do líder supremo.

As tensões com Washington e Tel Aviv se ampliam desde 2024, quando o Irã endurece a postura sobre o programa nuclear e patrocina grupos aliados em conflitos na região. O ataque de fevereiro, que mata Ali Khamenei e fere seu filho e herdeiro, marca uma escalada inédita. Em vez de guerra por procuração, os Estados Unidos e Israel passam a atingir diretamente a cúpula do regime iraniano.

Dentro do Irã, a sucessão acelerada de Ali para Mojtaba, em meio ao luto nacional e sob bombardeios, reorganiza forças políticas em poucos dias. Clérigos conservadores, oficiais da Guarda Revolucionária e tecnocratas do governo civil disputam influência em torno de um líder que governa por escrito, protegido por camadas de sigilo e com horizonte médico ainda indefinido.

Futuro do regime em jogo e risco de nova escalada

A condição de Mojtaba Khamenei pesa diretamente sobre o cálculo de guerra e de negociação na região. Se a recuperação se prolonga por meses, a Guarda Revolucionária tende a consolidar o comando de fato das operações e do discurso externo, reduzindo espaço para qualquer gesto de acomodação com os Estados Unidos ou com Israel. Em um cenário de fragilidade interna, concessões podem ser vistas como sinal de fraqueza e desencadear disputa aberta pelo poder em Teerã.

A comunidade internacional acompanha cada indício sobre a saúde do líder porque ele concentra a palavra final sobre o programa nuclear, sobre as rotas de petróleo no Golfo e sobre o apoio a aliados regionais. Qualquer mudança na linha de comando em Teerã tem impacto direto em preços globais de energia, na segurança de embarcações no Estreito de Ormuz e na margem de manobra de países europeus que tentam evitar uma guerra regional mais ampla.

Aos 50 e poucos anos, Mojtaba Khamenei assume o posto máximo em circunstâncias que nenhum sucessor planeja: sob bombardeio estrangeiro, luto familiar e com o corpo devastado por ferimentos. O prognóstico médico divulgado por fontes iranianas indica necessidade de prótese, fisioterapia prolongada e até cirurgia plástica para reconstrução facial. A imagem pública de força, pilar do cargo de líder supremo desde a Revolução Islâmica de 1979, entra em choque com a realidade de um dirigente que mal consegue caminhar e falar em frente às câmeras.

Os próximos meses revelam se o sistema iraniano é capaz de funcionar com um líder enfraquecido fisicamente, mas ainda no topo da hierarquia, ou se a prática diária empurra o país para uma espécie de colegiado informal, liderado pela Guarda Revolucionária. Em meio a um conflito que já derruba autoridades, ameaça infraestruturas energéticas e reconfigura alianças no Oriente Médio, a pergunta central permanece sem resposta: quem, de fato, governa o Irã enquanto Mojtaba Khamenei se recupera longe dos holofotes?

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