Eduardo Paes abre larga vantagem ao governo do RJ, indica pesquisa
Eduardo Paes lidera com folga a corrida pelo governo do Rio de Janeiro em 2026 e aparece com chance de vitória em primeiro turno, segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta sexta-feira 24. O levantamento, feito entre 21 e 23 de abril com 1.680 eleitores, mostra o ex-prefeito muito à frente do deputado estadual Douglas Ruas, do PL.
Levantamento projeta favoritismo inédito no estado
O estudo aponta Paes, do PSD, como favorito para assumir o Palácio Guanabara após as eleições estaduais de 2026. Ele abre vantagem de quase 40 pontos percentuais sobre Ruas, que hoje preside a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e tenta ocupar interinamente o governo do estado.
A pesquisa indica que, mesmo em um eventual segundo turno, o cenário se mantém confortável para o ex-prefeito. Paes volta a registrar quase 40 pontos de frente em relação a Ruas, o que reforça a percepção de consolidação de seu nome entre os eleitores fluminenses.
Os números chegam em meio a uma fase de reorganização do tabuleiro político do Rio após sucessivas crises de governo e troca de mandatários. O estado acumula governadores afastados, cassados ou sob investigação desde a década passada, o que aumenta o peso de um candidato conhecido e testado nas urnas, como Paes.
O Paraná Pesquisas ouve 1.680 eleitores entre 21 e 23 de abril, em diferentes regiões do estado, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código RJ-04997/2026, condição exigida para divulgação em ano pré-eleitoral.
Disputa pelo Senado espelha polarização nacional
Enquanto Paes larga na frente pelo governo, a corrida pelas duas vagas do Rio no Senado aparece mais fragmentada e polarizada. O instituto testa dois cenários, sempre com Benedita da Silva, do PT, em primeiro lugar, mas tecnicamente empatada com nomes ligados ao bolsonarismo.
Em uma das simulações, a segunda vaga ficaria com o ex-governador Cláudio Castro, do PL. A presença dele na pesquisa mostra que, mesmo afastado das urnas, seu nome ainda tem recall entre o eleitorado conservador fluminense. Castro, no entanto, está inelegível e não pode concorrer em 2026.
Quando o Paraná Pesquisas retira o ex-governador do cenário, quem herda esse espaço é Rogéria Bolsonaro, também do PL. Ex-esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, ela desponta como favorita à segunda cadeira do Senado reservada ao Rio de Janeiro, o que sinaliza a persistência da influência bolsonarista no estado.
O desempenho de Benedita e Rogéria expõe uma disputa direta entre campos políticos já bem conhecidos do eleitor: de um lado, a trajetória histórica da ex-governadora e ex-senadora petista; de outro, o capital simbólico associado ao sobrenome Bolsonaro, ainda forte em redutos conservadores do estado.
A combinação de um governo estadual potencialmente sob comando do PSD, com Paes, e um Senado dividido entre PT e PL, cria um desenho de poder complexo. Essa configuração tende a exigir negociações constantes em Brasília para liberação de recursos e aprovação de projetos de interesse do Rio.
Rearranjo de forças e próximos movimentos até 2026
A folga de Paes obriga adversários a rever estratégias quase um ano e meio antes das eleições. Partidos que cogitam lançar candidaturas próprias podem ser pressionados a negociar alianças já no primeiro turno, em busca de espaço em um eventual governo liderado pelo PSD.
Douglas Ruas, hoje principal nome do PL na disputa estadual, tenta fortalecer sua projeção ao pleitear o comando interino do governo do Rio. Se conseguir, ganha visibilidade e estrutura; se fracassar, pode ter dificuldade para reduzir a distância em relação ao líder das pesquisas.
No campo progressista, a liderança de Benedita na corrida pelo Senado tende a reorganizar pactos internos. PT e aliados avaliam como conciliar apoio a Paes, que vem de um partido de centro, com a necessidade de garantir palanque próprio para a disputa nacional e para as cadeiras do Congresso.
A presença competitiva de Rogéria Bolsonaro, por sua vez, deve reacender a disputa interna no bolsonarismo fluminense por quem carrega o espólio político do ex-presidente. A entrada ou não de outras lideranças da direita radical no pleito ao Senado pode redefinir essa correlação de forças.
O quadro que emerge da pesquisa Paraná Pesquisas ainda não é definitivo, mas já redesenha o debate sobre 2026 no Rio. A pergunta que se impõe, a partir de agora, é se algum adversário conseguirá reduzir a distância para Eduardo Paes antes que a campanha comece oficialmente.
