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Neymar treina separado e vira dúvida para Brasil x Haiti na Copa

Neymar treina separado do elenco da Seleção Brasileira nesta semana em Columbia Park, em fase de transição física após lesão na panturrilha direita. A presença do atacante contra o Haiti, pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, é considerada improvável pelo estafe médico.

Recuperação controlada em pleno Mundial

O camisa 10 vive uma rotina diferente do restante do grupo desde a chegada da delegação ao Centro de Treinamento Columbia Park. Enquanto os companheiros trabalham em campo sob comando de Carlo Ancelotti, Neymar cumpre um roteiro de exercícios específicos, desenhado para evitar qualquer risco de recaída a menos de duas semanas de o Brasil entrar em campo pela segunda vez no torneio.

A CNN apura que o atacante iniciou há poucos dias a chamada fase de transição física, etapa que sucede o tratamento clínico da lesão na panturrilha direita. O problema o afasta dos gramados há cerca de um mês. O planejamento inclui trabalhos de força, corrida controlada e mudanças de direção em circuito reduzido, sempre monitorados de perto por médicos e fisiologistas da CBF.

Os exames de imagem mais recentes indicam evolução da cicatrização muscular, mas ainda sem liberação para treinamentos completos com o grupo. A avaliação interna é prudente: uma volta apressada colocaria em risco o resto da Copa e, em cenário extremo, até a próxima temporada europeia. Por isso, a comissão técnica resiste à tentação de acelerar o retorno de sua principal referência ofensiva.

Ancelotti acompanha parte das sessões no campo anexo, conversa com o departamento médico e recebe relatórios diários. O treinador insiste em tratar o caso com cautela. A prioridade, segundo interlocutores da comissão, é ter Neymar em condições plenas no mata-mata, ainda que isso signifique abrir mão dele em um ou até dois jogos da fase de grupos.

Impacto tático e peso simbólico da ausência

A incerteza sobre Neymar mexe com o desenho tático do Brasil. Sem o camisa 10, Ancelotti estuda manter uma formação mais móvel na frente, com três atacantes de velocidade e um meia criador recuado. A opção já aparece na estreia, quando o time entra em campo sem sua estrela, e tende a se repetir contra o Haiti caso o quadro não mude nas próximas 48 horas.

A seleção perde um finalizador de elite e, principalmente, um articulador que costuma concentrar decisões no último terço do campo. Em Copas anteriores, o Brasil registra aproveitamento significativamente menor quando Neymar está fora. Em 2014, o time desaba na semifinal após a lesão nas costas do atacante; em 2018, entra pressionado após longa recuperação no pé direito. O histórico alimenta o debate atual e mantém a torcida em alerta.

Dentro do vestiário, o discurso é de serenidade. A comissão tenta blindar o grupo da dependência excessiva em um só jogador e valoriza o elenco amplo de 26 nomes. Ainda assim, dirigentes reconhecem em conversas reservadas que a simples dúvida sobre Neymar influencia o humor dos treinos e a temperatura das discussões táticas.

Fora de campo, a repercussão é imediata. Nas redes sociais, torcedores cobram transparência e atualizações frequentes, enquanto especialistas divergem sobre o melhor caminho: arriscar alguns minutos contra o Haiti para dar ritmo ou preservar ao máximo e pensar no jogo seguinte. O próprio calendário pressiona. A segunda rodada ocorre em questão de dias, e o último compromisso da fase de grupos, contra a Escócia, já aparece como margem final para a volta do camisa 10.

Lesão, cronograma e próximos passos

A lesão na panturrilha ocorre em 17 de maio, na derrota do Santos para o Coritiba, pelo Brasileirão, a menos de 24 horas da convocação final para a Copa. O episódio dispara um sinal de alerta na CBF e obriga o departamento médico a montar um plano emergencial. Neymar é mantido na lista, mas chega ao Mundial sem disputar os amistosos preparatórios nem participar da estreia da Seleção.

O cronograma atual prevê nova bateria de avaliações nos próximos dias. O foco é medir a resposta da panturrilha ao aumento gradual de carga, especialmente em arrancadas e chutes de média distância. Só depois dessa etapa os médicos considerarão liberá-lo para atividades com bola em intensidade similar à dos companheiros. Até lá, o atacante segue em treinos em campo reduzido, musculação específica e sessões de fisioterapia de mais de duas horas diárias.

A dúvida se estende para além do duelo com o Haiti. A presença diante da Escócia, no último jogo do Brasil na fase de grupos, também não está garantida. A comissão trabalha com cenários. O mais conservador adia o retorno para um eventual jogo de oitavas de final. Outro, mais otimista, projeta alguns minutos contra os escoceses, desde que a classificação esteja encaminhada e os exames confirmem estabilidade total da musculatura.

A forma como o Brasil administra esses dias pode influenciar o rumo do Mundial. Uma classificação antecipada permitiria controlar minutos, evitar riscos desnecessários e entregar Neymar ao mata-mata em condição próxima do ideal. Um tropeço, ao contrário, aumentaria a pressão por uma volta acelerada e reabriria a discussão sobre até onde vale expor o principal jogador da equipe. A resposta virá em campo, entre boletins médicos, pranchetas táticas e a ansiedade de um país acostumado a se apoiar em seus grandes craques em jogos decisivos.

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