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Neymar tem lesão na panturrilha e desfalca Brasil contra o Egito

Neymar sofre lesão muscular grau dois na panturrilha direita e está fora do amistoso da seleção brasileira contra o Egito, neste sábado (6), em Cleveland. O atacante permanece em Nova Jersey, em tratamento intensivo, e tem previsão de retorno entre duas e três semanas.

Seleção viaja sem seu protagonista às vésperas da Copa

A delegação brasileira embarca nesta sexta-feira (5) para Cleveland, nos Estados Unidos, para o último amistoso antes da Copa do Mundo, sem o camisa 10. Neymar fica em Nova Jersey, onde a seleção se prepara desde o início da semana, e concentra a rotina em fisioterapia e reforço muscular sob supervisão da equipe médica.

A ausência acontece a menos de dez dias da estreia do Brasil no Mundial, marcada para 13 de junho, e mexe com o planejamento da comissão técnica. O amistoso contra o Egito, às 19h (horário de Brasília), seria o último teste com força máxima antes da competição. Agora, o jogo ganha outro significado: avaliar alternativas para o lugar do principal jogador do país.

A lesão surge no momento em que Neymar tenta recuperar ritmo e protagonismo depois de uma sequência de temporadas marcadas por problemas físicos. Durante os treinos na Granja Comary, em Teresópolis, e nos primeiros dias nos Estados Unidos, a comissão técnica trata cada sessão como parte de uma corrida contra o relógio para ter o atacante em plena forma na Copa.

O médico da seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, explica que exames de imagem realizados nesta semana confirmam o diagnóstico de lesão muscular de grau dois na panturrilha direita. “A ressonância magnética identificou uma lesão muscular de grau dois. Nossa expectativa é que, em um prazo de duas ou três semanas, esteja liberado”, afirma o médico, ainda na Granja Comary, antes da viagem aos Estados Unidos.

O que significa a lesão e por que o caso preocupa

A classificação em grau dois indica um rompimento parcial do músculo da panturrilha. Na prática, significa dor ao esforço, limitação de movimentos e risco alto de nova ruptura se o retorno acontece antes da cicatrização. O tempo de afastamento varia conforme a extensão do dano.

O ortopedista e médico do esporte Leandro Shimba, ouvido pela Jovem Pan, detalha esse intervalo. Segundo ele, esse tipo de lesão pode comprometer entre 5% e 50% da área do músculo afetado. “Se ela for mais próxima de 5%, a recuperação é rápida; agora, se for mais próxima de 50%, vai demorar mais, e o prazo pode ser de duas a seis semanas”, explica. A estimativa divulgada pela seleção, de duas a três semanas, indica um quadro intermediário, ainda assim delicado para quem precisa suportar uma Copa inteira.

O tratamento de Neymar inclui sessões diárias de fisioterapia, controle rigoroso de carga física e monitoramento por exames. Shimba lembra que a recuperação é “multifatorial” e depende de pilares combinados: repouso relativo, fortalecimento gradual, alongamentos controlados e terapias para acelerar a cicatrização. Entre os métodos citados pelo especialista está o PRP, o plasma rico em plaquetas, produzido a partir do próprio sangue do atleta para estimular a regeneração do tecido. No Brasil, porém, o Conselho Federal de Medicina ainda não libera esse recurso para uso rotineiro, o que limita sua aplicação em larga escala.

Além da discussão médica, pesa o histórico recente de Neymar em Copas. Em 2014, ele deixa o Mundial após sofrer fratura nas costas nas quartas de final. Em 2018, chega à Rússia depois de cirurgia no pé direito e sofre com limitações físicas ao longo do torneio. Cada novo problema, ainda que de menor gravidade, reforça a sensação de que o físico se torna um adversário recorrente em momentos decisivos.

Nas redes sociais, a lesão domina o debate desde a confirmação do laudo. Torcedores dividem-se entre a preocupação com a condição do craque e a esperança de que a pausa controlada, logo antes do início da Copa, permita que ele chegue mais inteiro à fase final do torneio. A comissão técnica, em público, adota tom moderado e repete que não pretende correr riscos desnecessários.

Impacto no time, cenário para a Copa e próximos passos

A ausência no amistoso contra o Egito muda o desenho do último teste antes do Mundial. Sem Neymar, o técnico precisa reorganizar a engrenagem ofensiva, testar variações táticas e distribuir a responsabilidade criativa entre meio-campistas e pontas. O plano inicial de repetir a escalação considerada ideal dá lugar a um laboratório forçado em plena reta final de preparação.

Para o elenco, o desfalque abre espaço para que candidatos à vaga ganhem minutos e protagonismo. A faixa central do ataque, onde Neymar costuma circular, passa a ser disputada por jogadores que, até aqui, orbitam o posto de coadjuvantes. O amistoso deste sábado, que em tese serviria para ajustes finos, transforma-se em vitrine para quem sonha com mais tempo de campo na Copa.

A repercussão da lesão também extrapola o campo. Empresas que associam suas marcas à imagem de Neymar acompanham de perto a evolução da recuperação, já que a presença do camisa 10 em campo costuma influenciar audiência, engajamento e retorno comercial. Programas esportivos dedicam blocos inteiros ao tema, especialistas debatem prazos e riscos, e cada atualização vinda do departamento médico vira manchete.

O cronograma traçado pela seleção prevê reavaliações periódicas ao longo das próximas duas semanas. Se a resposta ao tratamento é considerada satisfatória, Neymar volta aos treinos leves ainda nos Estados Unidos, com progressão gradual até o início da Copa. Caso o quadro evolua mais lentamente, a comissão pode optar por preservá-lo nas primeiras rodadas, mirando os jogos de mata-mata.

A Copa do Mundo coloca o Brasil em campo a partir de 13 de junho, e a margem de manobra é curta. O dilema da comissão técnica passa a ser equilibrar a necessidade de ter seu principal jogador em campo com a obrigação de não sacrificar o restante do torneio por uma pressa mal calculada. O amistoso contra o Egito, sem Neymar, antecipa esse debate e deixa uma pergunta no ar: o camisa 10 chegará ao Mundial no auge físico ou jogará mais uma vez contra o relógio?

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