Neymar desfalca Santos em decisão na Sul-Americana por lesão
Neymar está fora da partida decisiva do Santos contra o Deportivo Cuenca, nesta terça-feira (26), na Vila Belmiro, pela Copa Sul-Americana. Em recuperação de um edema na panturrilha direita, o camisa 10 não participa do último treino e desfalca o time em jogo que vale a sobrevivência do clube no torneio.
Santos decide sem o seu principal astro
O fim de tarde no CT Rei Pelé expõe o tamanho do problema. No gramado, Cuca orienta um treino tático e técnico sob tensão evidente. Neymar não aparece em nenhum momento. Enquanto os companheiros disputam espaço na equipe, o camisa 10 cumpre mais uma sessão de fisioterapia e exercícios na academia, rotina que se repete desde que o edema na panturrilha direita é diagnosticado.
O resultado é direto: o Santos entra em campo às 21h30 (de Brasília), na Vila Belmiro, sem o jogador que concentra as atenções da torcida e da defesa adversária. A ausência pesa ainda mais porque o confronto com o Deportivo Cuenca define o futuro do clube na Copa Sul-Americana. Com apenas quatro pontos e na lanterna do Grupo D, o time precisa vencer para chegar a sete e ainda torcer por uma combinação de resultados na outra partida da chave.
Neymar, por decisão conjunta entre o departamento médico santista e a comissão técnica, é preservado para evitar qualquer risco de agravamento da lesão às vésperas da Copa do Mundo. O atacante divide os dias entre aparelhos de fisioterapia e sessões de reforço muscular na academia do CT. O planejamento estabelece que ele só voltará a vestir a camisa do Santos depois do Mundial.
A agenda está traçada. Na manhã de quarta-feira (27), o jogador viaja para Teresópolis e se apresenta à seleção brasileira na Granja Comary. A transição do ambiente de clube para a concentração da seleção ocorre sem que o torcedor santista veja o craque em campo em um dos jogos mais importantes do ano.
Pressão esportiva e arquibancada popular
A diretoria tenta compensar a ausência do ídolo e o risco esportivo com uma estratégia simples: arquibancada cheia. O clube reduz de forma expressiva o preço dos ingressos, que passam a ser vendidos a partir de R$ 5,00. O objetivo é transformar a Vila Belmiro em um empurrão coletivo para um elenco que chega ao jogo sem sua principal referência técnica e emocional.
O cenário é pouco confortável. Na Sul-Americana, só os líderes de cada grupo avançam direto às oitavas de final. Os segundos colocados ainda precisam encarar uma repescagem contra os terceiros colocados vindos da Libertadores. O Santos, último no Grupo D com quatro pontos, não depende apenas de si. Além de derrotar o Deportivo Cuenca, torce por vitória do San Lorenzo, da Argentina, sobre o Recoleta, do Paraguai. Caso os paraguaios superem os argentinos e alcancem oito pontos, garantem a liderança. O Santos, então, empata em pontos com o San Lorenzo e passa a disputar a segunda vaga na repescagem no saldo de gols.
O detalhe estatístico pesa. Hoje, o San Lorenzo tem saldo positivo de 2, enquanto o Santos soma -1. Isso significa que a equipe de Cuca precisa não só vencer, mas vencer bem, caso queira ultrapassar os argentinos em uma eventual disputa de números. A tarefa, sem Neymar, se torna ainda mais complexa e redistribui responsabilidades ofensivas entre os companheiros do camisa 10.
O jogo também carrega um componente simbólico. A diretoria planejava homenagear Neymar pela convocação para a Copa do Mundo em pleno gramado da Vila. O protocolo rígido da Conmebol, somado à ausência do atacante, frustra a ideia. O tributo que pretendia celebrar o principal jogador da equipe se transforma em uma noite em que o clube precisa provar que consegue reagir mesmo sem ele.
Calendário apertado e futuro em disputa
A situação de Neymar expõe, mais uma vez, o peso do calendário sobre atletas de alto nível. O edema na panturrilha aparece na reta final de preparação para o Mundial, quando cada minuto em campo é medido. A decisão de poupar o atacante no Santos para preservá-lo para a seleção alimenta debates antigos sobre a divisão de forças entre clubes e CBF e sobre até que ponto a saúde do atleta é protegida em meio a viagens, jogos e pressão constante.
Para o Santos, o desfalque muda o eixo do planejamento esportivo imediato. A permanência na Sul-Americana pode significar calendário mais cheio, receitas extras e visibilidade internacional. Uma eliminação nesta terça-feira diminui a vitrine do clube no continente e antecipa discussões sobre reforços, reformulação do elenco e prioridades para a sequência da temporada. Jogadores que ocupam posições ofensivas entram em campo sob holofotes maiores, cobrados por gols e protagonismo que normalmente recaem sobre Neymar.
O próprio atacante passa a viver dias de transição. Longe da Vila Belmiro, ele concentra energias na recuperação completa da panturrilha e na adaptação ao ritmo da seleção. A forma física que ele apresenta na Granja Comary interessa ao torcedor brasileiro em geral, mas também ao santista, que sabe que o desempenho na Copa influencia diretamente a confiança e o estado físico com que o craque retornará ao clube.
A noite desta terça, na Vila, oferece uma síntese desse cruzamento de interesses. De um lado, um Santos pressionado, ingressos a partir de R$ 5,00 e a necessidade de vencer e torcer por um resultado paralelo. De outro, o vazio simbólico deixado pelo jogador que arrasta câmeras e olhares, mas segue confinado à academia e à sala de fisioterapia. A resposta virá em noventa minutos, e a pergunta que fica é se o clube conseguirá adiar, sem o seu maior astro, a despedida precoce do torneio continental.
