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Neymar avança na recuperação e mira retorno contra o Haiti

Neymar avança na recuperação de uma lesão na panturrilha direita e deve reforçar a Seleção Brasileira contra o Haiti, no segundo jogo da Copa do Mundo. O atacante está praticamente fora da estreia diante de Marrocos, neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, mas mantém cronograma considerado positivo pelo estafe médico.

Estreia sem o camisa 10 e bastidores da recuperação

O principal jogador da seleção trabalha em regime de atenção máxima desde o início da preparação para o Mundial de 2026. A lesão na panturrilha direita, considerada de grau moderado, tira Neymar do centro do planejamento imediato, mas não o afasta do torneio. Dentro da delegação, o cenário é descrito como de cautela pública e otimismo privado.

Os treinos no complexo montado pela CBF nos Estados Unidos seguem sem a participação plena do camisa 10. Neymar alterna sessões de fisioterapia, trabalhos na academia e leves atividades em campo, sempre sob supervisão do departamento médico. A palavra de ordem é evitar qualquer sobrecarga que possa provocar recaída em uma região historicamente sensível em jogadores de alta explosão.

Nos últimos dias, exames de imagem confirmam que a cicatrização progride dentro do prazo definido ainda na chegada aos Estados Unidos. Não há registro de edema adicional nem sinais de agravamento. A comissão técnica recebe atualizações diárias e ajusta o planejamento de treinos e jogos levando em conta janelas de 48 horas, em vez de projeções mais amplas para toda a fase de grupos.

O debate interno se concentra menos em quando Neymar volta a treinar com bola e mais em quando ele consegue suportar, sem risco desnecessário, 20, 30 ou 45 minutos em campo em ritmo de Copa. A avaliação é que antecipar esse momento por ansiedade, seja da comissão, do torcedor ou do próprio atleta, pode comprometer o restante do torneio. “Ancelotti quer Neymar na Copa quando ele puder jogar”, resume Galvão Bueno, em linha com o discurso do staff da seleção.

Impacto no time, na Copa e na estratégia de Ancelotti

O Brasil estreia contra Marrocos com um vácuo técnico e simbólico no setor ofensivo. Sem Neymar, Ancelotti redesenha o time e testa alternativas para manter o controle criativo da partida. O treinador trabalha com a ideia de um ataque mais móvel, evitando que a responsabilidade de criação recaia sobre um único jogador, enquanto aguarda a liberação do camisa 10.

A ausência na estreia não altera, por ora, o status de liderança do atacante dentro do elenco. A comissão técnica considera sua presença no vestiário e no banco, mesmo sem entrar em campo, um fator de equilíbrio emocional em ambiente de alta pressão. A avaliação é que a simples possibilidade de tê-lo disponível a partir do duelo com o Haiti, ainda pela fase de grupos, injeta confiança num grupo relativamente jovem.

O histórico recente pesa na análise. Depois de ter ficado fora da Copa de 2022 por problemas físicos e de ter enfrentado lesões graves em clubes nos últimos três anos, Neymar chega a 2026 sob escrutínio permanente. O departamento médico, o Santos e a CBF trocam laudos e imagens desde a etapa final da temporada de clubes. “Vai prejudicar o início da Copa do Neymar”, admite um médico ouvido pela reportagem, que reforça, porém, a convicção de que o planejamento reduz o risco de nova parada longa.

Os exames enviados pelo Santos à CBF, detalhados na última semana, servem de base para o protocolo seguido nos Estados Unidos. A leitura é de que o atacante tem condições de participar ainda da fase de grupos, caso mantenha a resposta positiva ao tratamento nas próximas 72 a 96 horas. A hipótese de corte é tratada como remota e, neste momento, fora de discussão prática na comissão técnica.

O impacto esportivo é direto. Com Neymar em campo, o Brasil ganha repertório em bolas paradas, passes em profundidade e capacidade de decisão em jogos travados, características decisivas em Copas recentes. Sem ele, a equipe tende a apostar mais em velocidade pelos lados e em marcação alta, na tentativa de compensar a ausência de um articulador clássico.

Retorno gradual, vigilância diária e o que está em jogo

O plano de retorno prevê etapas nítidas. Primeiro, aumento progressivo da carga física, com corridas, mudanças de direção e arrancadas controladas. Em seguida, treinos com bola em espaço reduzido, com contato limitado. Só então a liberação para atividade plena com o grupo, incluindo participação em coletivos e simulações de jogo, algo projetado para ocorrer entre o fim da primeira semana de Copa e a véspera do confronto com o Haiti.

O passo decisivo será a resposta do corpo do atleta nas 24 horas seguintes a esses treinos mais intensos. Qualquer desconforto mais forte ou sensação de peso na panturrilha reabre a discussão sobre o tempo de utilização, mesmo que ele seja liberado clinicamente. A comissão técnica trabalha com cenários que vão desde alguns minutos em campo contra o Haiti até uma volta mais conservadora, já no terceiro jogo da fase de grupos.

No vestiário, a expectativa é de que Neymar vista o uniforme ainda na fase de grupos, nem que seja, num primeiro momento, como opção para o segundo tempo. A presença no banco já seria vista internamente como sinal de recuperação consolidada e de que o atacante pode ganhar ritmo ao longo do torneio, em vez de estrear apenas em um eventual mata-mata.

O desfecho dessa corrida contra o relógio não afeta apenas o desenho tático do Brasil. A forma como a seleção administra a condição física de seu principal jogador funciona como termômetro da maturidade de um projeto que chega a 2026 com a missão explícita de retomar protagonismo mundial. Entre a pressão por colocar Neymar em campo o quanto antes e a prudência médica, a Copa força a seleção a responder, na prática, a mesma pergunta que ecoa entre torcedores e dirigentes: até onde vale arriscar hoje para não comprometer o amanhã?

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