Neymar acerta saída do Santos e fica perto do FC Cincinnati na MLS
Neymar se prepara para deixar o Santos e acertar com o FC Cincinnati, da Major League Soccer, ainda em 2026. A informação parte do ex-jogador e apresentador Neto, que revela uma negociação avançada e um contrato considerado vantajoso para o camisa 10 alvinegro.
Negociação muda rota do ídolo em plena reconstrução santista
A possível transferência ganha força em 14 de abril de 2026, data em que o Santos volta a campo pela Copa Sul-Americana. Enquanto o time de Cuca se divide entre a competição continental e o calendário doméstico, o futuro de seu principal jogador se desloca para os Estados Unidos.
Neto, hoje apresentador na TV Bandeirantes, afirma que Neymar “vai deixar o Santos” para defender o FC Cincinnati, franquia da MLS que busca um nome de impacto para medir forças com o Inter Miami, de Lionel Messi. O clube norte-americano se dispõe a abrir o caixa e oferecer um pacote financeiro robusto, com salário elevado e bonificações por desempenho, para convencer o brasileiro a mudar de rota outra vez.
O movimento acontece poucos meses depois de Neymar renovar com o Santos até 31 de dezembro de 2026. O acordo, assinado no início do ano, foi celebrado como peça central do projeto de reconstrução conduzido pelo presidente Marcelo Teixeira, que tratou o retorno do atacante como um marco sentimental e esportivo.
“Como presidente e torcedor do Santos: ter o Neymar, nosso Príncipe, conosco até o fim do ano mostra que nosso projeto de reconstrução do clube e de nosso futebol segue firme”, disse Teixeira, à época, em janeiro. A fala reforça a dimensão da reviravolta que uma saída antecipada representaria dentro do planejamento alvinegro.
Nos bastidores, a avaliação hoje é mais cautelosa. Pessoas próximas à diretoria admitem incerteza sobre a permanência do craque, que vive altos e baixos físicos e técnicos desde o retorno ao Brasil. As lesões recentes e a necessidade de administrar minutos em campo contrastam com a exigência de protagonismo em uma equipe pressionada por resultados.
MLS mira Neymar para rivalizar com Inter Miami e ampliar vitrine
O interesse do FC Cincinnati se insere em uma estratégia mais ampla da MLS. A liga norte-americana investe, há pelo menos dez anos, em nomes de peso para acelerar sua consolidação como mercado relevante fora da Europa. A chegada de Messi ao Inter Miami, em 2023, impulsiona audiência, venda de ingressos e contratos comerciais em toda a competição.
O Cincinnati enxerga em Neymar a chance de encurtar essa distância. Um jogador de 34 anos, com passagens por Barcelona e Paris Saint-Germain e mais de 400 gols na carreira, ainda carrega enorme capacidade de atrair patrocinadores e mídia. A presença em uma conferência rival da de Miami aumenta o potencial de clássicos midiáticos e jogos transformados em eventos globais.
Financeiramente, o modelo da MLS permite contratos mistos, que combinam salário fixo, participação em receitas comerciais e ativos ligados à imagem do atleta. Um acordo dessa natureza pode garantir a Neymar ganhos próximos ao patamar europeu, mesmo em uma liga em desenvolvimento, e prolongar sua carreira em um ambiente menos desgastante do que os centros tradicionais.
Para a MLS, um pacote que reúna Messi de um lado e Neymar de outro reforça a tese de que o campeonato passa a ser, cada vez mais, destino de elite para jogadores em fase avançada, mas ainda competitivos. O efeito imediato tende a ser um aumento de audiência internacional, maior interesse de emissoras latino-americanas e asiáticas e um salto na venda de produtos licenciados.
No Santos, o impacto é inverso. A saída do principal atacante, ainda em meio à temporada, obriga o clube a redesenhar o setor ofensivo e o plano esportivo traçado até dezembro. A diretoria terá de escolher entre investir parte de uma eventual compensação financeira em reposições de curto prazo ou guardar fôlego para 2027, quando a janela de negociações promete ser mais intensa.
Santos se equilibra entre o presente em campo e o futuro de seu ídolo
Enquanto a negociação avança nos bastidores, o time de Cuca se prepara para enfrentar o Recoleta nesta quarta-feira, pela segunda rodada da Sul-Americana. O técnico indica uma formação mista e preserva peças como o zagueiro Lucas Veríssimo, numa tentativa de equilibrar calendário apertado e risco de lesão.
O cenário cria um contraste curioso. Dentro de campo, o Santos tenta recuperar competitividade continental e brigar na parte de cima da tabela nacional. Fora dele, convive com a possibilidade real de perder, pela segunda vez em pouco mais de uma década, o jogador que simboliza sua era moderna de títulos e exportação de talentos.
Em termos de marca, a eventual despedida de Neymar reduz o poder de barganha do clube em novas negociações comerciais e na venda de direitos de transmissão internacionais. O craque segue sendo um dos rostos mais reconhecidos do futebol global, capaz de influenciar a escolha de patrocinadores e o interesse de plataformas de streaming em mercados específicos.
Para o jogador, a ida a Cincinnati representa uma mudança de eixo na carreira. Depois de disputar Champions League por quase dez anos, vestir novamente a camisa do Santos e carregar a expectativa de liderar um processo de reconstrução, ele passa a mirar um ambiente onde a pressão esportiva é menor, mas a exposição ainda é enorme, sobretudo no mercado norte-americano de entretenimento.
A diretoria santista evita, por ora, falar em ruptura. Internamente, a ordem é esgotar conversas para tentar mantê-lo até o fim do vínculo ou, ao menos, assegurar uma compensação que evite novo abalo nas finanças alvinegras. A palavra final deve sair nas próximas semanas, quando os números da proposta estiverem sobre a mesa e o próprio Neymar definir qual será o próximo capítulo de sua trajetória.
