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Maioria dos brasileiros rejeita Trump, mas mantém visão favorável dos EUA

A imagem de Donald Trump segue negativa entre os brasileiros em 2026. Levantamento da AtlasIntel, divulgado nesta quarta-feira (3/6), mostra que 54,8% reprovam o presidente dos Estados Unidos, enquanto 41,7% declaram ter uma visão positiva dele.

Rejeição ainda é maioria, mas recua após pico em 2025

Os números mais recentes indicam um quadro de rejeição expressiva, mas distante do pior momento da série. Em julho de 2025, 63,2% dos entrevistados afirmavam ter uma imagem negativa de Trump e apenas 31,9% diziam vê-lo de forma positiva. Agora, a rejeição cai para 54,8%, e a aprovação sobe para 41,7%. Outros 3,5% não souberam responder.

A pesquisa é feita com brasileiros residentes no país e foi realizada entre 30 de maio e 3 de junho de 2026. A AtlasIntel aponta uma curva de oscilação na percepção sobre o presidente norte-americano desde o início de seu segundo mandato. Em janeiro de 2025, 52% avaliavam Trump de forma negativa e 44% tinham opinião favorável. Em abril, a maré vira contra ele: a reprovação sobe para 57,6%, enquanto a aprovação recua para 38,2%, até atingir o pico de rejeição em julho do mesmo ano.

O levantamento divulgado agora ocorre em meio a uma nova rodada de tensões entre Brasília e Washington. Na última semana, o governo norte-americano inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras. A decisão amplia o alcance de sanções, bloqueio de ativos e instrumentos jurídicos dos Estados Unidos contra as duas maiores facções criminosas brasileiras.

A medida endurece o discurso da Casa Branca sobre segurança e crime organizado e pressiona o governo brasileiro a responder, ainda que de forma cautelosa, a uma classificação que carrega peso político e simbólico. Ao mesmo tempo, expõe Trump ao escrutínio da opinião pública no Brasil, que passa a associar diretamente o presidente às ações mais agressivas de sua política externa.

Trump é rejeitado; país segue visto de forma mais favorável

O contraste entre a imagem de Trump e a dos Estados Unidos aparece de forma clara nos dados. Enquanto o presidente enfrenta rejeição majoritária, o país continua ligeiramente bem avaliado. Segundo a AtlasIntel, 50,5% dos brasileiros dizem ter uma visão positiva dos EUA, contra 46,4% com percepção negativa. Outros 3,1% não sabem ou preferem não opinar.

Os números sugerem que parte expressiva do público brasileiro separa o governo de turno da imagem de longo prazo dos Estados Unidos. O país segue associado a oportunidades econômicas, tecnologia, cultura pop e educação, mesmo com atritos diplomáticos e discursos duros vindos da Casa Branca. A figura de Trump, por outro lado, concentra rejeição acumulada por declarações polêmicas, estilo confrontador e decisões que atingem diretamente interesses brasileiros.

No campo da segurança, a inclusão de PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras atinge um nervo exposto. Para o eleitorado brasileiro, crime organizado é tema cotidiano, associado à violência nas periferias, ao sistema prisional e à infiltração em estruturas do Estado. A ação de Washington projeta esse debate para o plano internacional, com um presidente estrangeiro se colocando como protagonista no combate às facções nacionais.

Especialistas ouvidos pela própria AtlasIntel avaliam que a medida tem dupla leitura. De um lado, reforça a cooperação policial e financeira contra o crime transnacional, permitindo que autoridades americanas usem ferramentas mais duras contra integrantes e apoiadores das facções. De outro, coloca o Brasil sob holofotes incômodos ao enquadrar grupos nascidos aqui na mesma categoria jurídica de organizações terroristas internacionais, como o Estado Islâmico.

No plano político interno, a pesquisa encontra um país polarizado. Eleitores mais alinhados a discursos de lei e ordem tendem a ver com simpatia a ofensiva contra o PCC e o Comando Vermelho e, por tabela, mostram maior tolerância ao estilo de Trump. Segmentos críticos ao presidente norte-americano interpretam a decisão como gesto unilateral, com potencial para desestabilizar cooperações sensíveis e alimentar narrativas de interferência externa.

Tensões em alta, diplomacia em teste e cenário em aberto

A evolução dos números desde o início do segundo mandato de Trump ajuda a entender o tamanho do desafio diplomático. Em pouco mais de um ano, a rejeição ao republicano oscila entre 52% e 63,2%, sempre acima da aprovação. O recuo mais recente, para 54,8%, não significa uma virada de humor, mas sugere acomodação em patamar alto de desconfiança. A imagem do país, por sua vez, permanece relativamente blindada, com 50,5% de avaliação positiva.

Para o governo brasileiro, o quadro impõe equilíbrio delicado. A pressão interna por resultados concretos no combate ao crime organizado se soma à necessidade de preservar relações econômicas e estratégicas com Washington. Setores da diplomacia defendem ampliar a cooperação técnica com as autoridades americanas sem endossar, de forma automática, a retórica de “guerra ao terror” aplicada a facções brasileiras.

O comportamento da opinião pública passa a ser peça relevante nessa equação. Uma rejeição persistente a Trump tende a limitar o capital político de qualquer aproximação mais explícita com a Casa Branca. Ao mesmo tempo, a visão majoritariamente favorável aos Estados Unidos abre espaço para agendas de educação, ciência, comércio e meio ambiente, menos contaminadas pela figura do presidente.

A pesquisa da AtlasIntel, ao captar a diferença entre a imagem do líder e a do país, funciona como termômetro de um relacionamento complexo. A inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras pode redefinir fronteiras da cooperação em segurança e inspirar medidas semelhantes por outros parceiros internacionais. Também pode endurecer o debate interno sobre soberania, atuação das Forças Armadas e papel das polícias em acordos com agências estrangeiras.

Os próximos levantamentos vão mostrar se a rejeição a Trump volta a crescer com o avanço das sanções e dos processos derivados da nova classificação das facções brasileiras. Até lá, o contraste registrado agora permanece: um presidente visto com desconfiança pela maioria dos brasileiros e um país que, apesar dos choques diplomáticos, continua ocupando lugar ambivalente, porém ainda desejado, no imaginário nacional.

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