Magnata albanês foragido por tráfico internacional é preso em Ilhabela
O magnata albanês Ervin Mata, procurado internacionalmente por tráfico de drogas e participação em organização criminosa, é preso em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, em abril de 2026. A Polícia Militar o localiza após ação de inteligência que rastreia sua movimentação entre o litoral sul e o norte do estado.
Caçada internacional termina no litoral paulista
A captura encerra uma perseguição que atravessa fronteiras e dura ao menos dois anos. Mata está na lista de procurados internacionais desde novembro de 2023 e vive foragido desde setembro de 2025, quando passa a ser alvo oficial da Justiça brasileira. A prisão ocorre em um comércio de Ilhabela, durante patrulhamento da Polícia Militar, após cruzamento de informações de inteligência que indicam sua saída da Baixada Santista em direção ao Litoral Norte.
Em nota enviada à CNN Brasil, a PM informa que o magnata é localizado após o monitoramento de sua rota entre o litoral sul e o norte do estado. Os policiais o abordam em um estabelecimento comercial e o conduzem à Delegacia da Polícia Federal em São Sebastião. Com ele, são apreendidos dois celulares e documentos que, até então, pertenciam a um dos foragidos mais procurados por autoridades europeias.
Do esquema de cocaína na Europa ao cerco no Brasil
A trajetória de Mata no crime transnacional desperta a atenção de governos europeus desde o início da década. Investigações do governo da Albânia apontam que ele coordena, em 2020, o envio de 240 kg de cocaína para Frankfurt, na Alemanha, em uma operação que consolida sua posição em rotas internacionais de drogas. O esquema, segundo autoridades albanesas, rende ao magnata 81 milhões de lek albanês (ALL), o equivalente a cerca de R$ 5,2 milhões à época.
Os mesmos inquéritos o apontam como líder de uma organização criminosa envolvida não só no tráfico de grandes carregamentos de cocaína, mas também na organização e no financiamento de assassinatos ligados ao controle de territórios e dívidas do tráfico. Ele responde na Albânia por tráfico de drogas, participação em organização criminosa e associação criminosa, o que amplia o peso político de sua prisão em solo brasileiro.
No Brasil, o caso ganha novo capítulo em 2025. Em 11 de março daquele ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decide pela prisão cautelar de Mata, a pedido das autoridades responsáveis pela cooperação internacional. A prisão só é decretada em 23 de setembro, período em que o albanês passa a ser oficialmente tratado como foragido, sob risco de fuga e de continuidade das atividades da rede criminosa.
A captura em Ilhabela se insere em um cenário de crescente colaboração entre forças de segurança brasileiras e europeias para enfrentar o crime transnacional. O foco recai sobre as rotas que conectam América do Sul e Europa, nas quais o Brasil é frequentemente usado como ponto de partida, escala ou logística para carregamentos de cocaína, tanto em portos quanto em aeroportos.
Golpe nas rotas de drogas e efeito sobre o crime organizado
A prisão de Ervin Mata é vista por investigadores como um golpe relevante contra o tráfico internacional de drogas. Ao retirar de circulação um articulador acusado de coordenar carregamentos de centenas de quilos de cocaína e de financiar assassinatos ligados à sua organização, autoridades esperam desarticular parte da engrenagem que mantém ativas rotas entre a América do Sul e a Europa. A apreensão dos celulares é tratada como peça-chave para mapear contatos, rotas, fluxos financeiros e outros integrantes da rede.
Especialistas em segurança ouvidos reservadamente por autoridades brasileiras afirmam que prisões dessa natureza costumam produzir efeito imediato sobre grupos rivais e aliados. O vácuo de liderança abre disputa por territórios, acesso a fornecedores e canais de distribuição, o que pode gerar tanto aumento de violência localizada quanto reorganização de alianças. Ao mesmo tempo, o caso fortalece a percepção de que o Brasil amplia sua capacidade de cooperar em ações contra o crime organizado transnacional.
O histórico de Mata, que transita entre Albânia, Alemanha e Brasil, ilustra como as fronteiras deixam de ser barreira para o crime e se tornam apenas linhas em um mapa logístico. A prisão em uma cidade turística, distante dos grandes centros financeiros e políticos, revela a aposta em uma estratégia clássica de foragidos de alto perfil: buscar refúgio em locais aparentemente discretos, longe de holofotes, mas ainda com acesso a estruturas de apoio.
Próximos passos e pressão por cooperação internacional
Após a prisão em flagrante, Mata é levado à Delegacia da Polícia Federal em São Sebastião, onde deve passar por identificação formal e oitivas. A CNN Brasil busca a Polícia Federal para detalhar quais serão os próximos passos, mas não obtém resposta até o momento. A tendência é que o caso avance em duas frentes: o processo para eventual extradição para a Albânia e a apuração de eventuais crimes cometidos em território brasileiro.
O governo albanês, que o investiga pelo tráfico dos 240 kg de cocaína em Frankfurt e por envolvimento em assassinatos, deve reforçar pedidos de cooperação e de transferência de custódia. A articulação envolverá o Itamaraty, o STF e órgãos de cooperação internacional. No Brasil, investigadores tentam identificar quem apoia o magnata durante o período de fuga, quais rotas ele utiliza para se mover pelo país e se há vínculos diretos com facções que atuam em portos brasileiros.
A prisão de Ervin Mata se soma a outros casos recentes que expõem a presença de lideranças estrangeiras do crime organizado em território nacional. A resposta institucional e a rapidez na definição do destino do magnata serão um teste para a capacidade do Brasil de manter, na prática, o discurso de combate ao crime transnacional. A pergunta, agora, é se a captura em Ilhabela marca o desmonte de uma rede ou apenas a queda mais visível de uma cadeia ainda em operação.
