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Lula reabre articulação no Senado para emplacar Jorge Messias no STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma, em maio de 2026, a articulação direta com senadores para tentar emplacar novamente Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal, após a derrota histórica da primeira indicação. O movimento busca garantir votos com antecedência e evitar um novo desgaste político no plenário do Senado.

Lula tenta reconstruir a ponte com o Senado

Lula transforma a escolha de um ministro do STF em prioridade política imediata. Um mês após ver Jorge Messias ser rejeitado por 42 votos a 34, o presidente se envolve pessoalmente em conversas reservadas com integrantes da base e da oposição. O objetivo é simples e direto: só reenviar o nome do advogado-geral da União ao Senado quando tiver segurança de que o resultado será diferente.

A estratégia contrasta com a primeira rodada. Em abril, o Planalto anuncia Messias ao Supremo antes de uma conversa estruturada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A decisão fere egos, embaralha compromissos e abre espaço para articulações paralelas. Na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça, em 29 de abril, Messias é avisado ao pé do ouvido pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) de que Alcolumbre trabalha para derrubar a indicação.

O aviso se confirma dias depois, no plenário. A rejeição, rara em indicações ao STF desde a redemocratização, expõe fragilidades na coordenação política do governo. Auxiliares de Lula reconhecem, em reservado, que o Planalto subestimou resistências difusas a Messias, tanto pela ligação direta com o presidente quanto por sua atuação recente na defesa de pautas sensíveis para o governo.

Desde então, Lula abandona a expectativa de que a força do cargo resolveria a disputa sozinho. O presidente procura senadores individualmente, revisita compromissos estaduais, ouve reclamações sobre emendas, cargos e prioridades regionais. Interlocutores descrevem um esforço para “limpar o terreno” antes de um novo envio do nome ao Senado, desta vez com mapeamento de voto a voto.

Disputa por influência no Supremo e no jogo político

A insistência em Messias revela o peso estratégico do STF para o Planalto. Em 2026, o tribunal julga temas que vão de regras eleitorais a políticas de gasto público. Uma cadeira ocupada por um aliado de confiança pode alterar o equilíbrio interno em votações apertadas. No entorno de Lula, a leitura é que a derrota de abril enfraquece a autoridade do presidente não só sobre o Senado, mas também sobre a narrativa em torno do Supremo.

Messias é peça central dessa equação. Advogado-geral da União desde o início do terceiro mandato, ele participa de defesas-chave de medidas do governo e se torna figura próxima ao núcleo do poder. Para setores da oposição, essa proximidade alimenta o argumento de que sua chegada ao STF reforçaria uma corte “alinhada” ao Planalto. Para aliados, o perfil técnico e a trajetória na advocacia pública garantiriam previsibilidade e estabilidade em decisões sensíveis.

O próprio Messias escolhe o silêncio desde a derrota. Recluso, evita entrevistas e recusa comentários públicos sobre a votação. Interlocutores afirmam que ele conversou com 79 dos 81 senadores antes da primeira sabatina, mas percebe, tarde demais, que a contabilidade oficial de apoios não espelhava a insatisfação subterrânea. Agora, sua equipe discute cenários e uma nova estratégia de exposição, caso Lula confirme o reenvio do nome.

O Planalto sabe que a próxima rodada terá custo político maior. Se Messias for aprovado, Lula consolida influência sobre uma cadeira que pode durar por mais de uma década, já que ministros do STF se aposentam, em regra, aos 75 anos. Se o Senado rejeitar o nome pela segunda vez, o impacto recai diretamente sobre a imagem de um governo que, em seu terceiro mandato, busca demonstrar capacidade de articulação e controle da base.

A disputa se dá também sob pressão de calendário. Em 2026, o país entra em ano eleitoral com previsão de campanhas acirradas para governos estaduais e para o Congresso. A composição do STF e a relação entre os Poderes tendem a ser usadas como munição retórica em palanques, redes sociais e debates televisivos. Uma nova derrota de Lula no Senado alimentaria discursos sobre fragilidade institucional e poderia fortalecer a oposição em palcos regionais.

O que está em jogo e os próximos movimentos

No curto prazo, a movimentação em torno de Messias afeta diretamente o funcionamento do Senado. Lideranças cobram mais espaço na definição de indicados, exigem participação prévia em decisões e usam a votação ao STF como moeda em negociações sobre orçamento, cargos e projetos de interesse local. A relação entre Alcolumbre e o Planalto se torna ponto sensível, já que o presidente do Senado controla a pauta e a velocidade de tramitação.

Para além da correlação de forças em Brasília, a aprovação ou nova rejeição de Messias tem impacto sobre a percepção de estabilidade institucional. Uma corte em transição, pressionada por críticas de todos os lados, passa a ser observada pela forma como absorve um ministro identificado com o governo ou rejeita o nome avalizado pelo presidente. Cada movimento pode influenciar decisões sobre políticas públicas, investigações de corrupção, conflitos federativos e regras eleitorais que moldam o jogo político até 2030.

Lula anuncia, em 29 de maio, que insistirá na indicação de Messias. A declaração pública é também um recado ao Senado: o presidente não pretende recuar do nome escolhido, mas aceita redesenhar o caminho até a votação. A equipe política trabalha agora com um roteiro que inclui nova rodada de conversas com bancadas inteiras, revisão da comunicação sobre o perfil do indicado e tentativa de recompor pontes com Alcolumbre.

Ainda não há data formal para o reenvio da indicação, que depende do cálculo fino de votos em um plenário de 81 senadores. Entre a possibilidade de consolidar sua influência no Supremo e o risco de acumular uma segunda derrota em menos de três meses, Lula mede cada passo. A resposta sobre até que ponto o presidente ainda controla sua base, e sobre qual será o desenho do STF na próxima década, ficará a cargo de uma nova sessão no Senado que o Planalto tenta, desta vez, evitar que termine em surpresa.

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