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Lula abre 35 pontos sobre Flávio Bolsonaro em Pernambuco, diz pesquisa

Lula aparece como favorito disparado à reeleição em Pernambuco, seu estado natal, em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (11) pelo instituto Real Time Big Data. O presidente tem 57% das intenções de voto no primeiro turno, 35 pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário no levantamento.

Liderança folgada no estado de origem

O resultado confirma a força de Lula no Nordeste e, em particular, em Pernambuco, onde constrói sua trajetória política desde o retorno à Presidência. A pesquisa, feita nos dias 9 e 10 de junho de 2026, testa cenários para a eleição presidencial e mostra um quadro de estabilidade para o petista na região que historicamente lhe dá votações robustas.

No primeiro turno, Lula registra 57% das intenções de voto entre os pernambucanos. Flávio Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aparece bem atrás. A diferença de 35 pontos reforça o abismo entre o atual mandatário e o principal nome do bolsonarismo no estado.

O instituto também mede a rejeição e a aprovação do governo. O trabalho de Lula recebe 62% de aprovação, enquanto 36% dizem desaprovar a gestão. Outros 2% não sabem avaliar ou preferem não responder. Os números ajudam a explicar a vantagem expressiva do petista, que entra na pré-campanha de 2026 com margem confortável em seu berço eleitoral.

No recorte sobre a avaliação de governo, 43% dos entrevistados classificam a administração Lula como “ótima” ou “boa”. Outros 26% a consideram “regular”, e 27% dizem que o governo é “ruim” ou “péssimo”. A percepção majoritariamente positiva cria um ambiente político favorável para a tentativa de reeleição.

Segundo turno mantém Lula em vantagem

O levantamento testa ainda um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. Nessa simulação, a distância diminui em relação ao cenário de primeiro turno, mas o petista segue em posição folgada, com 26 pontos de vantagem sobre o adversário. A pesquisa não detalha os percentuais exatos, mas indica manutenção da liderança com ampla margem de segurança.

A presença de Flávio como principal antagonista reforça a tentativa do bolsonarismo de preservar espaço eleitoral no Nordeste, região onde Jair Bolsonaro sofreu derrotas sucessivas nas urnas. Em Pernambuco, o desempenho tímido do deputado revela as dificuldades da direita radical em romper o enraizamento petista, mesmo após anos de polarização intensa.

Os demais nomes aparecem reunidos na categoria de “outros somados”. Nesse grupo estão Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU). São candidaturas de menor expressão, que, somadas, não ameaçam o domínio de Lula no estado. O quadro indica uma disputa concentrada no embate entre o presidente e o herdeiro político do ex-mandatário.

A pesquisa do Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores em todas as regiões de Pernambuco. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança padrão de levantamentos eleitorais. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-02795/2026, requisito legal para a divulgação dos dados em período pré-eleitoral.

Impacto nacional e desafio para a oposição

Os números de Pernambuco têm peso que vai além das fronteiras do estado. O resultado fortalece a estratégia do PT de consolidar o Nordeste como bastião eleitoral antes de avançar sobre regiões mais competitivas, como Sudeste e Sul. Uma vantagem de 35 pontos sobre Flávio Bolsonaro sinaliza ao comando da campanha que a base histórica do lulismo permanece sólida às vésperas de uma disputa nacional decisiva.

A oposição bolsonarista enfrenta um dilema. De um lado, precisa manter viva a narrativa de força nacional herdada de 2018. De outro, se depara com pesquisas que mostram resistência elevada em áreas onde o ex-presidente não conseguiu maioria nem em 2022. Em Pernambuco, essa fratura se expressa na incapacidade, até agora, de apresentar um nome capaz de se aproximar do desempenho de Lula.

O desempenho do presidente em seu estado natal tende a influenciar também a disputa local por governo, Senado e Câmara. Aliados do PT e partidos da base tentam se associar ao capital político de Lula, enquanto adversários medem o custo de adotar um discurso mais duro contra o governo federal em um ambiente majoritariamente favorável ao presidente.

O cenário reforça a leitura de que a eleição de 2026 será, em boa medida, um novo capítulo da disputa entre o campo progressista e o bolsonarismo. Em meio a um Congresso de maioria conservadora e a um contexto internacional instável, com guerras em Gaza, no Irã e na Ucrânia, o peso de um colégio eleitoral fiel como Pernambuco ganha ainda mais relevância para o cálculo das campanhas.

O que a pesquisa antecipa para 2026

Os dados divulgados nesta quinta funcionam como um termômetro antecipado para as estratégias de comunicação e alianças. Para o PT, a prioridade é preservar a margem folgada no Nordeste e usar a alta aprovação de 62% em Pernambuco como vitrine de políticas sociais e econômicas. Para o campo bolsonarista, o desafio é reverter a desvantagem sem perder o núcleo mais radical de apoiadores.

À medida que o calendário eleitoral avança, novas pesquisas devem mostrar se a vantagem de Lula se mantém estável ou se Flávio Bolsonaro consegue encurtar a distância. O quadro atual, porém, deixa uma pergunta central para 2026: o bolsonarismo encontrará um caminho para romper o cinturão nordestino lulista ou seguirá confinado a redutos onde já fala apenas para convertidos?

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