LDU domina Mirassol em Quito e assume liderança do Grupo G
A LDU vence o Mirassol por 2 a 0 nesta terça-feira (14), em Quito, e assume a liderança isolada do Grupo G da Libertadores de 2026. O time paulista faz partida abaixo da média, sofre com a pressão equatoriana e perde a chance de engatar a segunda vitória seguida na competição.
LDU impõe ritmo e resolve o jogo ainda no primeiro tempo
O Estádio Casa Blanca mostra desde o início por que é um dos ambientes mais duros do continente. A LDU adianta as linhas, pressiona a saída de bola e empurra o Mirassol para o próprio campo. O time brasileiro não se adapta à altitude, erra passes simples e assiste ao domínio equatoriano.
Logo aos primeiros minutos, o roteiro se define. Após roubada de bola no meio, a LDU acelera em transição rápida e consegue um escanteio pela esquerda. A defesa do Mirassol afasta mal a cobrança, a bola sobra na entrada da área e Yerlin Quiñónez bate no canto de Walter. O gol cedo dá confiança aos donos da casa e expõe a dificuldade brasileira em respirar no jogo.
O Mirassol tenta respostas pontuais, mais na vontade do que na organização. Neto Moura recua para ajudar na saída de bola, Lucas Mugni busca aproximação pelo meio, mas a marcação alta da LDU corta as linhas de passe. Cada erro de domínio vira chance de contra-ataque, e a equipe de Rafael Guanaes recua alguns metros a cada investida equatoriana.
O cenário se repete até que a LDU encontra o segundo gol, ainda antes do intervalo. A jogada nasce pelo lado direito, em toque curto e paciente. José Quintero infiltra na área, recebe de frente para o gol e finaliza de pé esquerdo, sem muita força. A bola passa por baixo de Walter, que falha na tentativa de defesa e vê o 2 a 0 se confirmar no placar. O lance resume a noite insegura do Mirassol em Quito.
Reação do Mirassol esbarra em limite físico e expulsão
O intervalo traz um Mirassol diferente na postura, mas não no placar. A equipe volta mais compacta, adianta alguns metros a marcação e tenta encurtar o campo da LDU. Negueba e Galeano pressionam os zagueiros, e Eduardo procura acelerar pela faixa central. A intenção é clara: recuperar a bola mais perto da área adversária para diminuir o prejuízo cedo.
Quem quase amplia, porém, é a LDU. Aos oito minutos da segunda etapa, Janner Corozo ganha de Lucas Oliveira na corrida, invade a área e bate cruzado. A bola explode na trave direita de Walter e sai. O lance expõe de novo o espaço nas costas da defesa paulista e freia o ímpeto inicial de reação do Mirassol.
O ritmo do jogo cai depois desse susto. A LDU administra a vantagem, circula a bola com calma e aceita o relógio como aliado. O Mirassol sente o desgaste físico e perde força na pressão. Rafael Guanaes mexe no time, chama Denilson, Everton Galdino, Edson Carioca, Tiquinho Soares e Alesson para tentar renovar o fôlego e dar peso ao ataque, mas a equipe segue travada entre a necessidade de se lançar ao ataque e o medo de sofrer o terceiro gol.
A reta final sela a noite complicada dos brasileiros. Lucas Oliveira chega atrasado em dividida dura com Quintero e recebe o segundo cartão amarelo. A expulsão aos minutos finais desmonta qualquer plano de abafar a LDU nos instantes decisivos e transforma o fim da partida em mera gestão para os equatorianos. Com um a menos, o Mirassol se limita a evitar um placar mais pesado.
Grupo G embolado e pressão extra sobre o Mirassol
O resultado mexe de forma imediata com o desenho do Grupo G. A LDU chega a seis pontos em duas rodadas e assume a liderança isolada da chave. O Mirassol permanece com três, ainda na zona de classificação, mas com risco concreto de perder terreno. Lanús, da Argentina, e Always Ready, da Bolívia, se enfrentam nesta quarta-feira (15), ambos com zero ponto. Qualquer vencedor encosta no time paulista, que pode terminar a rodada fora do G2.
Para o Mirassol, a derrota não é só aritmética. A atuação abaixo do esperado em Quito expõe a diferença de maturidade entre um estreante em Libertadores e um clube acostumado a noites decisivas. O erro de Walter no segundo gol e a expulsão de Lucas Oliveira reforçam a impressão de um time ainda em adaptação ao nível de exigência do torneio continental.
A LDU, por outro lado, confirma a fama de mandante forte. Com controle tático, posse de bola e transições rápidas, o time equatoriano pouco sofre atrás e dá poucos espaços para as jogadas em velocidade do Mirassol. “É o tipo de jogo em que a gente não pode errar tanto. Eles punem cada vacilo”, admite o discurso interno do elenco brasileiro, que deixa Quito com a sensação de aprendizado amargo.
Os dados ajudam a dimensionar o cenário. Em duas rodadas, a LDU soma seis pontos em seis possíveis e larga na frente pela vaga às oitavas. O Mirassol segue com uma vitória e uma derrota e vê a chave ganhar contornos mais apertados, principalmente se Lanús ou Always Ready reagirem já nesta segunda rodada.
Calendário duro e pouco espaço para novos tropeços
A sequência da competição oferece ao Mirassol uma chance rápida de resposta, mas também aumenta a pressão por resultado. No dia 29 de abril, às 19h (de Brasília), o time paulista recebe o Always Ready no estádio Maião. A partida tende a ser tratada internamente como decisão antecipada. Uma vitória recoloca o clube na briga direta pela classificação; novo tropeço, em casa, pode transformar o sonho de oitavas em missão de alto risco.
A LDU volta a campo um dia antes, em 28 de abril, também às 19h (de Brasília), para enfrentar o Lanús no estádio La Fortaleza, na Argentina. O duelo vale a manutenção da liderança isolada e a chance de abrir distância ainda maior sobre os concorrentes. Um resultado positivo fora de casa deixaria os equatorianos muito perto de uma vaga, com metade da fase de grupos disputada.
O cartão vermelho de Lucas Oliveira ainda adiciona um problema prático para o Mirassol, que precisará remontar a defesa na próxima rodada. Guanaes terá pouco mais de duas semanas para ajustar o sistema defensivo, corrigir a saída de bola e reorganizar a equipe sem um de seus zagueiros titulares. A forma como o time reage a essa noite em Quito dirá se a derrota fica como tropeço isolado ou como sintoma de um caminho mais acidentado na primeira Libertadores da história do clube.
