Karina Kufa vai se casar com Thiago Brennand preso em SP
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Karina Kufa oficializa união com Thiago Brennand, atualmente detido em São Paulo, em cerimônia marcada para julho de 2026.
A advogada Karina Kufa, 46, vai se casar em 2 de julho de 2026 com o empresário Thiago Brennand, também de 46 anos, preso há três anos na penitenciária de Potim, no interior de São Paulo. A união será formalizada por procuração, porque o noivo cumpre pena em regime fechado por estupro e agressões contra mulheres.
Romance nascido no parlatório
O relacionamento começa há poucos meses, em um cenário improvável. Kufa é chamada, há cerca de quatro meses, para integrar a equipe de defesa de Brennand em ações criminais. O primeiro encontro ocorre no próprio presídio, no parlatório, espaço em que advogado e cliente conversam separados por um vidro.
As visitas se tornam semanais. Sem qualquer contato físico, eles passam a se conhecer apenas pela voz, pelos gestos contidos e pelos papéis levados em pastas de processos. Kufa descreve a aproximação como um processo gradual. “Foi uma paixão pelas palavras. Me apaixonei pelo intelecto dele”, afirma.
Ela conta que, ao longo das conversas, deixa de ver apenas o cliente conhecido nacionalmente por cenas de violência. “Sabe quando a pessoa é o seu espelho? Foi um acontecimento de Deus, um encontro de almas e de intelecto. Com ele, consigo conversar de igual para igual”, diz. Segundo a advogada, os dois nunca se tocaram.
Condenado por estupro, em busca de absolvição
Thiago Brennand está preso desde 2023. Ele ganha notoriedade em 2022, quando câmeras de segurança registram agressões a uma mulher em uma academia de São Paulo. Depois do episódio, passa a responder a uma série de ações por crimes contra mulheres.
Em um dos processos, é condenado por estupro. A pena inicial de 8 anos é majorada para mais de 10 anos de prisão. Além disso, acumula condenações por agressão e ofensas contra uma advogada de uma das vítimas. Ele cumpre a pena em regime fechado em Potim, a cerca de 170 quilômetros da capital paulista.
Karina Kufa, que constrói sua carreira no direito eleitoral e processual eleitoral, entra nesse universo penal já acostumada à alta exposição. Ela atua em campanhas e processos de grande repercussão e defende o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro em temas eleitorais. Agora, empresta esse capital jurídico e político a um réu condenado por crimes sexuais.
Apesar do histórico, ela diz estar “plenamente convicta” da inocência do noivo. “Se Deus quiser, vamos tirá-lo logo de lá [prisão]. E Deus há de querer”, afirma. Segundo Kufa, Brennand “segue de forma positiva e confiante, determinado a provar a inocência e resolver todos os seus problemas”.
Da defesa ao altar
A linha que separa a relação profissional da vida íntima se apaga aos poucos. Kufa, divorciada e mãe de dois filhos, conta que envolve a família na decisão e informa os filhos sobre o futuro casamento. Brennand tem um filho e, de acordo com a advogada, nunca formaliza união anterior. “Ele disse ao pai que só se casaria uma vez”, relata.
A cerimônia marcada para 2 de julho de 2026 será apenas civil, por procuração, como permite a legislação brasileira em casos de impedimento físico de uma das partes. O ato ocorre fora da penitenciária, com um representante legal no lugar de Brennand. O encontro entre os dois, naquele dia, continuará restrito ao parlatório.
Kufa, evangélica, afirma que planeja uma cerimônia religiosa quando — e se — o noivo deixar a prisão. “Vou só casar no civil por enquanto. Espero que ele saia logo para casarmos no religioso”, diz. Ela afirma ainda que espera a conversão religiosa de Brennand. Segundo a advogada, o casamento é o primeiro passo de uma trajetória de “transformação”.
Na avaliação de Kufa, a imagem pública do empresário distorce quem ele é. “As pessoas criaram a imagem de um monstro, mas ele é uma pessoa inteligente e interessante”, afirma. A narrativa de redenção, centrada em fé e mudança, passa a conviver com as condenações já registradas na Justiça.
Impacto ético e pressão sobre a OAB
O anúncio da união entre cliente e advogada abre uma frente delicada no meio jurídico. O Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil não proíbe de maneira explícita relações afetivas entre advogados e clientes. A combinação, porém, costuma ser vista com reserva, sobretudo quando envolve réus presos e processos em curso.
No caso de Kufa e Brennand, o casamento pode alimentar questionamentos sobre conflito de interesses. A mesma pessoa que conduz recursos e estratégias para derrubar condenações passa a ser, também, esposa do réu, com direitos conjugais, expectativa de convivência futura e possível partilha de bens. A defesa ganha um componente emocional explícito.
A OAB deve ser pressionada a se posicionar. Setores da advocacia enxergam risco à aparência de imparcialidade e à credibilidade dos argumentos apresentados em juízo. A sociedade civil, movimentos feministas e organizações de direitos humanos tendem a observar com lupa a combinação entre um histórico de violência contra mulheres e uma história de amor construída atrás das grades.
Para o sistema prisional, o casamento por procuração não altera, de imediato, a execução da pena. Em tese, porém, pode reforçar pedidos futuros de benefícios atrelados à vida familiar, como visitas íntimas caso o regime de Brennand mude. Também projeta para dentro da cela uma rede de apoio afetivo e financeiro, fator que costuma pesar na rotina de detentos.
Entre a narrativa de redenção e o peso das condenações
O caso expõe um choque de narrativas. De um lado, está a biografia recente de Brennand, marcada por imagens de agressão, denúncias de estupro e decisões judiciais que o condenam a mais de dez anos de prisão. Do outro, a aposta de uma advogada conhecida, que coloca a própria trajetória ao lado do homem que defende, em nome de um “encontro de almas”.
Kufa insiste que a relação nasce no plano intelectual, mediada por processos, vidro e vigilância. Afirma que não poderia “deixar de viver isso” e que a decisão de casar é uma resposta a algo que enxerga como plano divino. O casamento, para ela, é também um gesto público de confiança na inocência do noivo.
A repercussão, prevista para crescer até a data marcada, deve alimentar debates sobre a fronteira entre vida privada e função pública da advocacia. Também recoloca em discussão a capacidade de reintegração de condenados por crimes graves e o peso que a fé, o afeto e a projeção de uma nova vida podem ter diante de sentenças já transitadas.
Até julho de 2026, o enredo ainda pode ganhar reviravoltas jurídicas. Recursos podem avançar ou ser rejeitados, novas decisões podem agravar ou aliviar a situação de Brennand. A união, porém, já sai do papel como fato consumado e lança uma pergunta incômoda ao sistema de Justiça: até que ponto a balança suporta, ao mesmo tempo, o amor de uma advogada e o passado de um condenado por crimes contra mulheres?
Casamento com preso muda a pena de Thiago Brennand?
O casamento não altera automaticamente a condenação nem o regime de prisão. A pena só muda com decisões judiciais em recursos ou pedidos de progressão.
Karina Kufa pode continuar defendendo o próprio marido?
Do ponto de vista formal, pode, salvo decisão contrária da OAB ou da Justiça. Mas a relação conjugal tende a intensificar debates sobre conflito de interesses.
