Esportes

João Paulo Menna Barreto é eleito para conselho da SAF do Botafogo

O Botafogo elege em 24 de abril de 2026 o dirigente João Paulo Menna Barreto para o Conselho de Administração da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Vice-presidente do Conselho Deliberativo do clube social e secretário municipal de Meio Ambiente em Belo Horizonte, ele assume com a missão de aproximar o universo associativo da gestão profissional.

Conselho em fase decisiva da SAF

A votação ocorre na sede do clube, no Rio, em meio ao esforço para consolidar a transição do modelo associativo para o formato empresarial inaugurado com a SAF. O pleito, restrito aos associados, segue rito estatutário e é apresentado pela direção como processo “democrático e transparente”, em linha com o discurso de profissionalização que marca a nova fase do futebol brasileiro.

João Paulo acumula dois tipos de experiência que pesam na escolha: a liderança no Conselho Deliberativo, instância que representa cerca de dezenas de milhares de sócios, e o comando da pasta de Meio Ambiente em Belo Horizonte, cidade que executa projetos de sustentabilidade com orçamentos anuais na casa de centenas de milhões de reais. A leitura interna é de que essa combinação pode blindar o Botafogo em um momento em que decisões sobre investimento, endividamento e governança definem o rumo do clube pelos próximos dez anos.

Ponte entre clube social e gestão da SAF

O desafio central do novo conselheiro é reduzir a distância entre o Botafogo social, que concentra a memória e a afetividade do torcedor, e a SAF, responsável pelo futebol profissional e pelos principais contratos comerciais. Desde que o modelo de sociedade anônima entra em vigor no país, em 2021, dirigentes e torcedores debatem como equilibrar a lógica de lucro e performance esportiva com a preservação da identidade construída em mais de um século de história.

Ao ocupar um assento no Conselho de Administração, João Paulo passa a influenciar decisões sobre orçamento, contratações, infraestrutura e políticas de transparência. Internamente, o grupo que apoia sua eleição defende que ele leve para a mesa o que chama de “visão integrada de clube”, em que o calendário do futebol, os programas de sócio-torcedor e o uso dos equipamentos do clube social se conversem em um planejamento único, com metas anuais claras e revisões trimestrais.

A aposta na pauta ambiental também pesa. Em Belo Horizonte, a secretaria comandada por João Paulo trabalha com metas de redução de emissões de gases de efeito estufa até 2030 e programas de recuperação de áreas verdes em bairros periféricos. No Botafogo, esse traço tende a aparecer em projetos de eficiência energética em estádios e centros de treinamento, gestão de resíduos em dias de jogo e parcerias com empresas que vinculam patrocínio a compromissos de sustentabilidade.

Impacto na governança e na imagem do clube

A chegada de um dirigente com forte vínculo com o clube social ao conselho da SAF é lida por aliados como sinal de abertura. A expectativa é de que, a partir de agora, consultas aos associados se tornem mais frequentes em decisões estratégicas, tema que inclui desde reajustes de ingressos até o destino de receitas de venda de jogadores. Para um Botafogo que busca estabilidade após anos de oscilação financeira, esse canal de diálogo pode reduzir ruídos e dar previsibilidade à gestão.

No curto prazo, a presença de João Paulo tende a mexer na forma como o clube se comunica com sua base. A ideia, defendida por conselheiros próximos, é publicar relatórios periódicos com dados objetivos sobre receitas, despesas, dívidas, investimentos em base e futebol profissional, em linguagem acessível ao torcedor comum. Transparência vira palavra-chave em um ambiente em que a confiança se traduz em mais adesões ao programa de sócio-torcedor e maior disposição de investidores em financiar projetos de longo prazo.

O componente ambiental entra como diferencial na disputa por imagem e patrocínio. Clubes que adotam metas de sustentabilidade e relatórios anuais costumam conquistar, em média, contratos 10% a 15% mais vantajosos, segundo consultorias que atuam no mercado esportivo. Ao indicar um secretário de Meio Ambiente para seu conselho, o Botafogo sinaliza que quer jogar também nesse campo, mirando selos verdes, certificações internacionais e novas fontes de receita.

Repercussão e próximos passos da gestão

A eleição realizada em 24 de abril, na sede do clube, abre uma nova frente de articulação interna. Conselheiros que defendem maior participação associativa pretendem propor, ainda em 2026, a criação de fóruns permanentes de diálogo entre a SAF, o Conselho Deliberativo e representantes de torcidas organizadas e independentes. A meta é construir, até o fim do ano, uma agenda mínima de consensos sobre política de preços, prioridades de investimento e metas esportivas.

Na prática, essa agenda se traduz em prazos. A diretoria técnica da SAF trabalha com ciclos de planejamento de três a cinco anos, enquanto o calendário político do clube social gira em torno de mandatos de dois ou três anos. Caberá a João Paulo costurar esses tempos, buscando decisões que resistam ao calendário eleitoral interno e às oscilações de resultados em campo.

Os próximos meses mostram se o novo conselheiro consegue transformar discurso em prática. A pressão por resultados esportivos permanece alta, com metas claras de classificação a competições continentais e manutenção de receitas de bilheteria e direitos de transmissão em patamares competitivos. O teste real será conciliar essa corrida por títulos com uma gestão que se pretende mais transparente, sustentável e aberta ao associado, sem perder de vista a pergunta que hoje ronda os corredores de General Severiano: até que ponto a SAF consegue mudar sem deixar de ser, de fato, o Botafogo do seu torcedor?

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