Esportes

João Fonseca para nas quartas e se despede de Roland Garros 2026

João Fonseca se despede de Roland Garros 2026 nesta terça-feira (2) após derrota em sets diretos para o tcheco Jakub Mensik, na Philippe-Chatrier, em Paris. O brasileiro de 19 anos perde por 6/4, 6/3 e 7/6(4) e vê chegar ao fim a melhor campanha da carreira em Grand Slams.

Partida equilibrada, virada frustrada

O teto fechado da quadra central protege o jogo da ameaça de chuva e cria um clima de arena. Fonseca, número 30 do mundo, entra solto, agressivo no saque e nas devoluções. Mensik, 27º do ranking, responde com a mesma disposição. O equilíbrio dura até o sexto game. O tcheco encontra a primeira brecha, quebra o serviço do brasileiro e passa a controlar o placar para fechar o set em 6/4.

O segundo set repete o roteiro, mas com um detalhe que pesa. Fonseca abre 40-0 no sexto game, com o serviço na mão, e vê a vantagem escorrer ponto a ponto. Mensik ajusta o retorno, força erros, confirma a quebra e não devolve mais o presente. Com mais segurança nos momentos de pressão, confirma seus saques e fecha a parcial em 6/3, abrindo 2 a 0 na partida.

Sem margem para tropeços, o brasileiro apresenta o melhor tênis do dia no terceiro set. Logo no game inicial, aproveita uma dupla falta de Mensik para conseguir sua primeira quebra no jogo e abre 2 a 0. A reação do tcheco é imediata. Ele devolve a quebra, encosta em 2 a 2 e tenta esfriar o embalo da torcida brasileira espalhada pelas arquibancadas.

Fonseca mantém a postura ofensiva. Retoma a confiança no saque, volta a pressionar o rival e quebra novamente o serviço de Mensik para fazer 4/3. O momento passa a ser todo dele. Com mais um game firme, abre 5/3 e se aproxima do quarto set, enquanto o número 27 do mundo conversa consigo mesmo a cada erro e olha seguidamente para o box.

O jogo muda de tom quando Mensik volta a encontrar o primeiro saque. Ele confirma o serviço, encurta os pontos e devolve a quebra no game mais longo do duelo, cheio de vantagens alternadas. Empata em 5/5 e recoloca a pressão do lado brasileiro. Fonseca sofre, encara seis match points no game seguinte, salva todos com coragem na rede e boas escolhas, e arrasta a disputa para o tie-break.

No desempate, a diferença está na frieza. Mensik entra mais sólido, arrisca menos e aproveita dois minibreaks em erros de forehand do brasileiro. Abre vantagem, administra a pressão e fecha o set em 7/6(4), garantindo a vitória por 3 a 0 e a vaga na semifinal de Roland Garros, a mais importante da carreira até aqui.

Campanha histórica e nova geração em evidência

A eliminação interrompe uma campanha que recoloca um brasileiro em evidência no saibro de Paris depois de um jejum de 25 anos. Desde 2001, com Gustavo Kuerten, o país não vê um tenista tão perto da semifinal masculina em Roland Garros. Fonseca chega às quartas com vitórias sobre nomes de peso e constrói, em dez dias, uma narrativa de protagonista da nova geração.

O número 30 do mundo derruba Luka Pavlovic, Dino Prizmic e dois campeões de Grand Slam em sequência: o sérvio Novak Djokovic e o norueguês Casper Ruud. Atravessa jogos longos, enfrenta quadras cheias e ganha espaço na programação central do torneio. A partida desta terça coroa esse processo, ao colocá-lo no principal palco do complexo contra outro rosto da renovação do circuito.

Mensik, hoje 27º do ranking, chega às quartas embalado por triunfos sobre Titouan Droguet, Mariano Navone, o australiano Alex de Minaur e o russo Andrey Rublev. O confronto com Fonseca vira, na prática, um duelo direto por espaço no topo do tênis nos próximos anos. O equilíbrio dos três sets, com margem pequena de pontos entre os dois, reforça a sensação de que o circuito já convive com uma nova hierarquia em formação.

A presença de Fonseca nas quartas de final ainda tem efeito imediato na percepção do tênis no Brasil. A sequência de vitórias sobre atletas do alto escalão aumenta audiência, engajamento nas redes e interesse comercial. Torcedores que crescem com as lembranças de Kuerten passam a associar Paris a um novo nome. A derrota desta terça não apaga o saldo esportivo e simbólico da campanha.

Impactos no ranking e próximos passos de João

O resultado em Roland Garros tende a render uma boa quantidade de pontos no ranking e consolidar Fonseca dentro do top 30, com margem para subir nas próximas projeções. A campanha em Paris também pesa na construção de confiança para o restante da temporada, especialmente em uma fase do calendário marcada por quadras de grama e, depois, de piso rápido na América do Norte.

Mensik, por sua vez, transforma a vitória em trampolim imediato. Ele se garante na semifinal e tem pela frente o alemão Alexander Zverev, atual número 3 do planeta. A partida vale lugar na decisão de Roland Garros e pode redesenhar o topo do ranking ao longo do segundo semestre, de acordo com o desempenho dos principais cabeças de chave em Paris e em Wimbledon.

Para Fonseca, o desafio agora é administrar a frustração e traduzir o bom momento em regularidade. A campanha em Roland Garros abre portas, aumenta a cobrança e coloca o brasileiro sob um novo tipo de holofote. O próximo torneio no calendário deve indicar o quanto ele consegue sustentar o nível exibido em Paris e ajustar detalhes que custam caro em partidas longas em melhor de cinco sets.

Aos 19 anos, o número 30 do mundo deixa a Philippe-Chatrier sem a semifinal sonhada, mas com um recado claro ao circuito: a distância até os principais nomes se encurta. A resposta sobre até onde essa geração pode ir, e que lugar cabe a João Fonseca nesse mapa, fica para os próximos Grand Slams.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *