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Japão atropela Tunísia por 4 a 0 e segue no caminho do Brasil

Futebol

Com uma vitória convincente, o Japão mantém viva a chance de enfrentar o Brasil na próxima fase da competição.

O Japão goleia a Tunísia por 4 a 0 na madrugada deste domingo (21), em Monterrey, e encaminha a vaga no Grupo F da Copa de 2026. A seleção asiática chega a 4 pontos, assume de vez o papel de favorita à classificação e mantém vivo o cenário de cruzamento com o Brasil na próxima fase.

Domínio desde o primeiro minuto

A bola mal rola no Estádio BBVA, às 1h de Brasília, e a diferença técnica aparece. “Pressionando desde o início, o Japão não demorou a abrir o placar”, descreve o relato oficial da partida. Aos 3 minutos, a jogada nasce pela direita. Depois de um chute de Hannibal que quase surpreende Zion Suzuki, os japoneses contra-atacam com precisão. Tanaka encontra Nakamura na ponta da área, o atacante conduz até a linha de fundo e cruza rasteiro. Daichi Kamada se antecipa e desvia para fazer 1 a 0.

O gol cedo consolida o plano de Hajime Moriyasu. O Japão ocupa o campo ofensivo, pressiona a saída tunisiana e controla a posse. Ayase Ueda e Junya Ito puxam a marcação, enquanto Tanaka e Kamada ditam o ritmo no meio. A Tunísia, de Hervé Renard, se encolhe e quase não passa do meio-campo.

Aos 30 minutos, o controle vira goleada encaminhada. Depois da pausa para hidratação, Rekik erra um lançamento na saída de bola. Itakura intercepta ainda no campo de defesa, acalma o lance e aciona Ueda. O centroavante avança com liberdade e bate cruzado da entrada da área: 2 a 0. A Tunísia sente o golpe. Até o intervalo, segue correndo atrás da bola, sem organização para reagir.

FGV acerta tendência, mas placar surpreende

O resultado confirma a leitura prévia dos estatísticos brasileiros. A Escola de Matemática Aplicada da FGV projetava mais de 65% de probabilidade de vitória japonesa. Segundo o modelo, “a vitória do Japão por 1 a 0 lidera as chances com 15,94%, seguida pelo triunfo japonês por 2 a 0, com 14,17%, e o empate em 1 a 1, que registra 9,68% de probabilidade”.

O 4 a 0 foge dos placares mais prováveis, mas reforça a tese central do estudo: a distância entre as duas seleções. O Japão não apenas vence. Impõe ritmo, intensidade e precisão que a Tunísia não consegue acompanhar. Para Moriyasu, o duelo vale como confirmação de projeto. Para analistas e clubes, serve de vitrine para uma geração que chega amadurecida ao Mundial da América do Norte.

Na volta do intervalo, Renard mexe duas vezes, tenta dar agressividade ao meio-campo e às pontas. A equipe africana até adianta a marcação, mas continua vulnerável entre as linhas. O Japão, com o placar a favor, reduz a pressa, mas não perde o controle. Quando decide acelerar, machuca.

Show de Ueda e Junya Ito fecha a conta

O terceiro gol nasce de uma sequência que sintetiza a noite. A Tunísia tenta reagir, abre espaços, e o Japão escolhe o momento para atacar. Aos 23 minutos do segundo tempo, a equipe asiática aproxima jogadores na intermediária ofensiva. Depois de uma primeira chance com Tanaka, a jogada se rearranja no mesmo setor. “Tanaka acionou Ueda que, de primeira, deu lindo passe e deixou Junya Ito na cara do gol: 3 a 0”, registra o relato oficial. Ito só precisa tirar do goleiro para ampliar.

O placar elástico não diminui a fome dos japoneses. A reta final traz mais um golpe, em jogada trabalhada pela direita. Aos 37 minutos, Junya Ito recebe aberto, atrai a marcação e aciona Sano na linha de fundo. O ala cruza na medida para Ueda, que sobe entre dois zagueiros e testa com precisão, encobrindo a defesa tunisiana e fechando o 4 a 0.

Ueda sai de Monterrey com dois gols e uma assistência decisiva. Kamada e Junya Ito também deixam sua marca. O trio simboliza uma seleção que combina organização tática, intensidade física e capacidade de decisão individual. Do outro lado, a Tunísia acumula a segunda derrota, sem esboçar uma reação consistente em nenhum dos tempos.

Classificação, Brasil no horizonte e impacto fora de campo

Com o resultado, o Japão chega a 4 pontos em duas rodadas, com saldo de +4. A Holanda também soma 4 pontos e o mesmo saldo, mas leva vantagem no número de gols marcados: 7 contra 6 dos japoneses. A equipe asiática ocupa a segunda posição do Grupo F e, hoje, estaria no caminho do Brasil na fase de mata-mata. Pelo formato da Copa de 2026, o primeiro colocado do Grupo C enfrenta o segundo do Grupo F, e vice-versa.

A derrota, por sua vez, sela o destino tunisiano. “A derrota custou a eliminação para a Tunísia”, resume a análise da classificação. Depois de estrear com revés para a Suécia, a seleção africana segue zerada. Mesmo que vença na última rodada, só consegue igualar a pontuação sueca, mas perde no confronto direto, primeiro critério de desempate.

A goleada em Monterrey vai além da tabela. Para a seleção japonesa de futebol, o 4 a 0 consolida a imagem de candidata séria a vaga e, em caso de cruzamento com o Brasil, transforma o duelo em um dos jogos mais esperados do torneio. Para clubes e patrocinadores ligados ao futebol japonês, a campanha consistente projeta aumento de audiência, valorização de atletas e maior retorno comercial. A mídia local já trata o Mundial de 2026 como uma oportunidade de reposicionar o país no mapa do futebol internacional.

Na Tunísia, o cenário é oposto. A eliminação precoce tende a intensificar críticas à federação e ao técnico Hervé Renard. O desempenho em Monterrey obriga uma revisão de métodos, renovação de elenco e reavaliação de investimentos. Patrocinadores e emissoras perdem visibilidade com a saída antecipada, enquanto torcedores voltam a cobrar um projeto mais estável para futuras Copas.

Última rodada define rota japonesa

O caminho imediato está traçado. Na quinta-feira, 25 de junho, às 20h (de Brasília), o Japão enfrenta a Suécia em Dallas, na rodada que define a classificação do Grupo F. Moriyasu pode até administrar peças, mas não abre mão da base que atropela a Tunísia. A liderança da chave significa, em tese, um cruzamento menos indigesto. A manutenção da segunda posição, porém, mantém o Brasil no horizonte e alimenta a narrativa de um confronto de estilos entre disciplina asiática e protagonismo sul-americano.

A Tunísia encerra sua participação no mesmo dia, contra a Holanda, em Kansas City. Cumpre tabela, mas joga por dignidade esportiva e por minutos preciosos para uma geração que deve se dividir entre permanência e renovação.

Fora de campo, a noite em Monterrey serve de vitrine para a estatística aplicada ao futebol. A confirmação da tendência prevista pelo modelo da FGV/EMAp reforça o espaço crescente das análises preditivas no planejamento de seleções, no mercado de apostas e na cobertura esportiva. À medida que a Copa avança, o desempenho japonês e o acerto das projeções colocam números e algoritmos no centro de uma discussão que já não fica restrita às pranchetas dos técnicos.

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