Irã revê para 155 número de mortos em ataque a escola em Minab
O governo do Irã eleva para 155 o número de mortos no ataque a uma escola em Minab, região sul do país, em balanço oficial divulgado nesta terça-feira, 28 de abril de 2026. A nova contagem expõe a dimensão da tragédia e reforça a pressão interna e externa por explicações sobre falhas de segurança e atendimento às vítimas.
Revisão oficial e clima de desconfiança
A atualização ocorre após dias de informações desencontradas sobre o ataque, que atinge em cheio uma escola local e choca uma cidade habituada a viver à margem das grandes disputas de poder em Teerã. Autoridades iranianas admitem, em caráter reservado, dificuldade para reunir dados de hospitais, equipes de resgate e familiares em meio ao caos das primeiras horas. O governo não detalha quantas vítimas são crianças, professores ou funcionários, mas fontes ligadas a organizações humanitárias falam em “uma maioria esmagadora de estudantes” entre os mortos.
A primeira estimativa oficial, divulgada poucas horas após o ataque, apontava para um número bem menor de vítimas, descrito agora pelo próprio governo como “preliminar e incompleto”. A revisão para 155 mortos, confirmada pelo Ministério da Saúde e por autoridades de segurança, reforça críticas de que o Irã demora a consolidar informações em situações de crise. “Os dados mudam porque a situação muda, mas a população precisa de transparência desde o início”, afirma um integrante de uma ONG iraniana que atua na região de Hormozgan.
Tragédia local, repercussão internacional
O ataque à escola em Minab provoca luto imediato na cidade e desperta reação em outras partes do país. Famílias viajam centenas de quilômetros para reconhecer corpos, enquanto hospitais regionais seguem lotados com feridos em estado grave. Em bairros próximos à escola, moradores improvisam altares e velas nas calçadas. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram salas destruídas, carteiras quebradas e mochilas abandonadas entre escombros.
Organizações humanitárias expressam preocupação com a segurança de instituições de ensino em áreas consideradas sensíveis do ponto de vista político e militar. “Escolas nunca deveriam ser alvo. A morte de 155 pessoas, em grande parte crianças, exige uma investigação completa e independente”, diz um representante de uma entidade internacional de defesa dos direitos das crianças, sob condição de anonimato, citando o risco de represálias do governo iraniano. Países europeus e organismos multilaterais emitem notas de pesar e pedem acesso ao local do ataque para equipes técnicas.
Segurança escolar e tensão política
A revisão do número de mortos recoloca em debate a vulnerabilidade de escolas em regiões de tensão interna. Minab, próxima a rotas estratégicas e marcada por desigualdade social, aparece há anos em relatórios que apontam carência de infraestrutura, além de presença intermitente de forças de segurança. Especialistas em segurança ouvidos por veículos locais destacam que a escola atacada não contava com protocolos robustos de emergência, nem com sistemas modernos de vigilância.
No cenário político, a tragédia pressiona autoridades em Teerã a explicar como um ataque dessa magnitude ocorre sem prevenção eficiente. Parlamentares da oposição cobram uma comissão independente no Parlamento, enquanto aliados do governo falam em “momento de união nacional” e pedem que as críticas sejam adiadas. “A prioridade agora é cuidar das famílias e estabilizar a região”, declara um porta-voz governista na televisão estatal, sem se comprometer com prazos para a conclusão das investigações.
Resposta emergencial e disputa por narrativas
A ajuda às famílias das vítimas avança de forma desigual. Em Minab, relatos de moradores indicam que algumas famílias recebem apoio financeiro emergencial, enquanto outras aguardam atendimento básico, como orientações sobre identificação de corpos e transferência de feridos. Voluntários organizam coletas de alimentos, sangue e itens de higiene, numa tentativa de suprir lacunas da resposta oficial. “Não sabemos quanto tempo esse apoio vai durar. Hoje há muita solidariedade, mas o trauma vai ficar por anos”, diz um professor da rede pública local.
O governo tenta controlar a narrativa sobre o ataque. Canais estatais evitam mostrar imagens mais duras, enquanto jornalistas independentes relatam restrições de acesso à área da escola e aos hospitais. Em pronunciamentos, autoridades enfatizam a ideia de “resistência” e “estabilidade”, mas não fornecem detalhes sobre os responsáveis pelo ataque, nem sobre eventuais falhas de inteligência. Analistas ouvidos por veículos estrangeiros avaliam que a falta de informações claras alimenta versões conflitantes e amplia o clima de incerteza na população.
Impacto regional e pressão diplomática
O ataque em Minab não ocorre num vácuo. A região já convive com disputas internas, presença de forças de segurança e tensão em torno de rotas comerciais estratégicas. A morte de 155 pessoas em uma única ação torna-se símbolo da fragilidade do tecido social e da dificuldade do Estado em garantir proteção básica em áreas afastadas dos grandes centros. Países vizinhos acompanham o caso com atenção, receosos de um efeito de contágio em suas próprias fronteiras.
Na esfera internacional, a atualização oficial do número de mortos pode influenciar decisões sobre ajuda humanitária, cooperação em segurança e até sanções adicionais. Organizações multilaterais discutem enviar missões técnicas para apoiar a investigação e avaliar medidas de proteção a escolas em zonas de risco. “A comunidade internacional precisa agir para que a sala de aula continue sendo um lugar de aprendizado, não de medo”, afirma um diplomata europeu envolvido em conversas com o governo iraniano.
O que pode acontecer a partir de agora
O governo promete divulgar novos relatórios nas próximas semanas, com detalhamento das vítimas, das circunstâncias do ataque e de eventuais responsabilidades internas. Entidades civis pressionam para que o processo não fique restrito a órgãos ligados à segurança do Estado e pedem participação de especialistas independentes. A revisão do número de mortos, de qualquer forma, já se torna um marco da tragédia e um teste para a capacidade do Irã de lidar com crises complexas sob escrutínio global.
Minab tenta retomar uma rotina impossível, entre funerais diários e salas de aula vazias. Pais cobram garantias concretas antes de permitir o retorno dos filhos à escola, enquanto professores questionam que tipo de estrutura terão para seguir dando aula. A pergunta que se impõe, em Minab e fora dela, é se a morte de 155 pessoas será suficiente para mudar a forma como o país protege seus estudantes ou se essa tragédia será absorvida, aos poucos, por um cotidiano já acostumado à insegurança.
