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Irã ameaça atacar bancos dos EUA e de Israel após bombardeio em Teerã

O comando militar do Irã ameaça retaliar os Estados Unidos e Israel com ataques a centros econômicos e bancos, após o bombardeio a um prédio ligado ao Bank Sepah em Teerã. O aviso é feito nesta quinta-feira (12), em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, e inclui um alerta direto para que civis se afastem de instituições financeiras na região.

Escalada após ataque a banco público em Teerã

O recado parte do porta-voz militar iraniano, que fala à agência estatal IRNA poucas horas depois do ataque noturno ao edifício administrativo associado ao Bank Sepah, um dos maiores bancos públicos do país. O prédio, localizado na capital iraniana, tem ligações históricas com estruturas das Forças Armadas e funciona como um dos pilares do sistema financeiro estatal.

O militar descreve o bombardeio como ilegítimo e atribui a ação aos “terroristas do exército dos EUA” e ao “cruel regime israelense”. “Após a campanha fracassada deles, o exército terrorista dos EUA e o cruel regime israelense atacou um dos bancos do país”, afirma, num pronunciamento que ganha rápida repercussão na imprensa local e internacional.

O ataque atinge o edifício em Teerã durante a noite, de acordo com a agência iraniana Mehr, e aprofunda a percepção de vulnerabilidade de infraestruturas civis e econômicas no país. A ofensiva ocorre num momento em que Israel já admite que seus ataques ao território iraniano devem continuar “sem limite de tempo”, segundo declarações recentes de autoridades de Defesa em Tel Aviv.

O porta-voz eleva o tom e vincula o bombardeio ao direito de resposta de Teerã. Ele diz que a ação contra o Bank Sepah dá ao Irã justificativa para agir diretamente contra “centros econômicos e bancos” dos Estados Unidos e de Israel na região. Não cita cidades, prazos nem tipos de armamento, mas reforça que a retaliação deve mirar alvos sensíveis para as economias dos dois países.

Ameaça direta a centros financeiros amplia risco regional

A advertência não se limita a alvos militares tradicionais. O militar iraniano orienta a população a manter distância de bancos e instalações financeiras, numa indicação de que possíveis ataques podem ocorrer sem aviso prévio e em áreas densamente povoadas. O alerta aumenta o clima de tensão em Teerã e em capitais vizinhas, que já lidam com sucessivas rodadas de ataques aéreos e ataques de mísseis desde o início da guerra.

Ao dizer que Washington deve esperar uma “resposta dolorosa”, o porta-voz sinaliza que o Irã considera ampliar o campo de batalha para além das bases militares e dos corredores estratégicos do Golfo. A ameaça a centros econômicos sugere operações contra bancos, bolsas de valores, sedes corporativas ou estruturas de pagamento que sustentam o fluxo de recursos na região.

O Bank Sepah, fundado em 1925, ocupa posição central no sistema bancário estatal iraniano e, ao longo das últimas décadas, mantém laços estreitos com o aparato militar. A instituição já aparece em listas de sanções dos Estados Unidos e de países europeus, acusada de financiar programas de mísseis e operações de grupos aliados de Teerã. O novo ataque expõe, de forma simbólica, essa interseção entre finanças públicas e poder militar no país.

Diplomatas na região avaliam que a retórica iraniana, focada em alvos econômicos, pretende aumentar o custo político da campanha de Israel e dos Estados Unidos. Um ataque bem-sucedido a bancos ou centros de compensação pode afetar sistemas de pagamento, restringir crédito e provocar saídas de capitais, com impacto imediato em moedas locais. Em conflitos recentes no Oriente Médio, o mercado de petróleo chega a registrar altas diárias acima de 5% quando há risco a infraestruturas estratégicas.

A ameaça também amplia o temor de que a guerra deixe de ser restrita a bases militares e instalações energéticas e passe a atingir redes bancárias e tecnológicas. A possibilidade de operações híbridas, que combinem ataques físicos e cibernéticos a sistemas financeiros, entra no radar de agências de segurança e bancos centrais na região.

Pressão internacional e incerteza sobre próximos passos

Governos europeus e organismos multilaterais acompanham a escalada com preocupação, diante do risco de que a retórica se transforme em ataques coordenados a instituições financeiras. Um movimento dessa natureza tende a elevar o prêmio de risco de países do Oriente Médio e a pressionar bolsas e moedas emergentes, num cenário em que os mercados já reagem de forma sensível a qualquer sinal de interrupção de fluxos comerciais.

Assessorias diplomáticas consultadas em capitais ocidentais lembram que o sistema financeiro global ainda carrega cicatrizes das sanções amplas impostas ao Irã ao longo da última década. Episódios de congelamento de ativos e desligamento de bancos iranianos do sistema internacional de compensações reduzem a margem de manobra de Teerã, que agora ameaça responder mirando justamente o elo mais visível do poder econômico de seus adversários.

O quadro abre espaço para novas rodadas de negociação em fóruns como o Conselho de Segurança da ONU, que já discute desde o início do ano resoluções para tentar conter a escalada de ataques entre Irã, Israel e aliados. Até aqui, porém, não há consenso sobre mecanismos concretos de cessar-fogo nem sobre garantias de proteção a infraestruturas civis, como hospitais, redes elétricas e instituições financeiras.

No curto prazo, a principal incógnita é o formato da eventual retaliação iraniana. Um ataque direto a bancos ou centros econômicos dos Estados Unidos e de Israel pode desencadear uma nova rodada de sanções, ampliar a presença militar estrangeira no Golfo e empurrar para cima o custo de financiamento de países da região. A ausência de prazo explícito para essa resposta mantém governos, mercados e civis em estado de alerta permanente.

Enquanto as declarações se sucedem, o prédio ligado ao Bank Sepah em Teerã se torna símbolo visível da nova fase do conflito: uma disputa em que o alvo não é apenas o inimigo no campo de batalha, mas o coração econômico de cada país. A pergunta que se impõe agora, em Teerã, Washington, Tel Aviv e nas principais capitais financeiras do mundo, é até onde a guerra está disposta a atingir o sistema que movimenta o dinheiro do planeta.

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