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Holanda e Japão empatam em jogo intenso na estreia do Grupo F

Holanda e Japão empatam por 2 a 2 na estreia do Grupo F da Copa do Mundo, neste domingo (14), no AT&T Stadium, em Dallas, em jogo aberto e decidido no fim. As duas seleções saem de campo com um ponto e mantêm vivo o discurso de classificação, mas deixam também a sensação de oportunidade perdida.

Equilíbrio em campo e recado para o Mundial

O placar traduz um duelo em que ninguém se impõe por completo. A Holanda confirma o controle da bola e a força de nomes como Van Dijk e Gakpo, mas sofre com falhas defensivas e perde a vantagem duas vezes. O Japão responde com velocidade, organização e frieza nos momentos decisivos, e mostra, já na primeira rodada, que não viaja aos Estados Unidos apenas para cumprir tabela.

Em um Mundial ampliado, com 48 seleções e mais jogos, a partida em Dallas reforça uma tendência recente: a distância entre potências tradicionais e equipes asiáticas diminui. O empate de 2 a 2, construído todo no segundo tempo, mantém o Grupo F totalmente aberto e pressiona Holanda e Japão a buscar vitória imediata na sequência da fase de grupos.

Segundo tempo elétrico, viradas interrompidas e heróis divididos

O primeiro tempo oferece um retrato parcial do que viria depois. A Holanda domina a posse de bola, tenta acelerar pelos lados com Gakpo e Malen e encontra um goleiro em noite segura. Suzuki evita o gol logo no início, quando Malen gira dentro da área e finaliza forte. Do outro lado, o Japão demora a se soltar, mas, quando encontra espaço, assusta a defesa laranja com triangulações rápidas e muita movimentação.

Nakamura e Ueda têm duas boas chances antes do intervalo, sempre explorando o espaço entre os zagueiros holandeses. Na primeira, Nakamura domina cruzamento na área e chuta com perigo, à direita do gol de Verbruggen. Na sequência, Ueda invade a área pela esquerda e finaliza cruzado, acertando a rede pelo lado de fora. Gakpo ainda isola uma bola clara dentro da área, em chute que expõe a ansiedade holandesa na estreia.

O cenário muda de vez após o intervalo. A Holanda volta mais aguda pelo lado direito, com Summerville e Gravenberch. Em um dos cruzamentos do meia, aos 5 minutos do segundo tempo, Van Dijk aparece completamente livre na área e cabeceia firme para abrir o placar. O capitão comemora o primeiro gol na Copa de 2026, mas a vantagem dura pouco.

O Japão não se abala. Aos 13, Nakamura arrisca da entrada da área. A bola desvia em Van Hecke, engana Verbruggen e morre no canto, deixando tudo igual em Dallas. A seleção asiática cresce, ocupa o campo adversário e força erros de saída da defesa holandesa. A resposta da Laranja Mecânica, porém, é imediata.

Cinco minutos depois, aos 18, Gravenberch encontra Summerville com espaço pela direita. O atacante corta para dentro, ajeita para o pé e bate rasteiro, no canto, sem chance para Suzuki. O 2 a 1 recoloca a Holanda na frente e reforça a sensação de que a superioridade técnica, enfim, vai prevalecer.

O roteiro, mais uma vez, não se confirma. Em desvantagem, o Japão adianta a marcação, pressiona a saída de bola e ganha terreno. Kubo arrisca chute de muito longe e leva perigo. Gakpo, em contra-ataque, obriga Suzuki a outra defesa importante e mantém o jogo vivo até os minutos finais. Moriyasu mexe no time aos 29 minutos, coloca Ogawa e Tomiyasu, e ganha peso na bola aérea, arma decisiva no desfecho.

Quando o relógio se aproxima dos 42 minutos, o escanteio pelo lado esquerdo encontra Ogawa melhor posicionado que a defesa holandesa. O zagueiro cabeceia forte, a bola desvia em Kamada dentro da pequena área e entra. O gol, creditado ao meia, sela o 2 a 2 e provoca explosão da torcida japonesa em Dallas. Koeman ainda tenta reagir com Brobbey em campo, mas não há tempo para uma terceira virada.

Força asiática, alerta europeu e Grupo F em aberto

O empate em Dallas reforça uma leitura que ganha corpo nas últimas Copas: seleções asiáticas competem de igual para igual com europeias de primeira linha. O Japão se apoia em disciplina tática, intensidade sem bola e coragem para atacar, mesmo em desvantagem no placar. A atuação confirma a campanha consistente de 2022 e indica um time maduro, capaz de reagir em cenários adversos.

Para a Holanda, o resultado tem gosto agridoce. Van Dijk marca, o ataque produz, mas a defesa vacila em momentos-chave. A bola desviada no chute de Nakamura e o gol sofrido em escanteio expõem uma fragilidade que pode pesar em jogos eliminatórios. Ronald Koeman sai de campo com lições claras: é preciso ajustar a marcação na área e reduzir o espaço entre as linhas, especialmente nos minutos finais.

O ponto conquistado por cada lado deixa o Grupo F embaralhado logo na primeira rodada. Matemática básica indica que duas vitórias nas próximas duas partidas praticamente garantem a vaga no mata-mata. Qualquer tropeço, porém, abre margem para surpresa e aumenta a pressão sobre técnicos e jogadores. Cada gol, a partir de agora, pesa não só na tabela, mas também na confiança das equipes.

Próximos confrontos e a disputa pela classificação

O calendário oferece pouco tempo para assimilar o empate e corrigir erros. A Holanda volta a campo no sábado, dia 20, às 14h (de Brasília), em Houston, contra a Suécia. O duelo tende a ser direto na briga pela liderança do grupo. Koeman deve manter a espinha dorsal, mas não descarta ajustes no meio-campo e na defesa após os sustos sofridos diante do Japão.

O Japão encara a Tunísia no dia seguinte, 21, à 1h (de Brasília), no El Gigante de Acero, no México. Uma vitória coloca a seleção asiática em posição confortável antes da última rodada e reforça o peso do ponto conquistado contra a Holanda. O Grupo F começa sua trajetória com quatro gols, alternância no placar e um recado evidente: na Copa do Mundo de 2026, ninguém entra em campo com favoritismo garantido.

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