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Guia sherpa é encontrado vivo após 7 dias desaparecido no Everest

O guia sherpa Dawa Sherpa, 52, é encontrado vivo nesta quinta-feira (4) após quase sete dias desaparecido no Monte Everest. Ele rasteja em direção ao Acampamento Base quando equipes o localizam, com queimaduras de frio, mas consciente.

Sobrevivência na “zona da morte” do Everest

Dawa desaparece em 29 de maio de 2026, em um dos trechos mais hostis do Everest, acima dos 8 mil metros de altitude. A região é conhecida entre alpinistas como “zona da morte”, onde o ar rarefeito, o frio extremo e o cansaço cobram vidas todos os anos.

Durante quase uma semana, equipes de busca enfrentam vento forte, neve constante e visibilidade reduzida. O nome de Dawa entra para a lista de desaparecidos que costumam terminar em luto. A notícia de que ele está vivo, rastejando rumo ao Acampamento Base, rompe essa expectativa sombria e corre o mundo em poucas horas.

As primeiras imagens divulgadas nas redes sociais mostram o alpinista consciente, com o rosto e as mãos marcados por queimaduras de frio. Médicos falam em um caso “extraordinário” de resistência física e mental. Em condições normais, um ser humano resiste poucas horas exposto ao frio intenso em grandes altitudes sem abrigo adequado. Dawa permanece quase sete dias.

Operação de resgate e alerta à comunidade de montanha

O resgate de Dawa, próximo ao Acampamento Base, mobiliza guias locais, agências de expedição e autoridades nepalesas. Nas redes, um vídeo em inglês descreve o episódio como um “milagre no Everest” e destaca o intervalo de quase sete dias entre o desaparecimento e o reencontro. O caso rapidamente vira manchete em veículos especializados em montanhismo.

Guias experientes lembram que, na montanha mais alta do planeta, a margem de erro é mínima. A cada temporada, acidentes, quedas, exaustão e congelamento somam mortos e desaparecidos. Em 2023, por exemplo, o Nepal registra mais de 17 mortes relacionadas a expedições no Everest, segundo dados oficiais. A sobrevivência de Dawa contrasta com esse histórico e reacende debates sobre segurança e responsabilidade comercial nas escaladas.

Operadores de expedições admitem em privado que a pressão por resultados, somada ao aumento do número de clientes e à instabilidade do clima, torna cada temporada mais arriscada. “Sobreviver tantos dias na alta montanha, sozinho, não é só resistência, é também sorte”, comenta um guia veterano, ouvido por telefone. Ele ressalta que muitos sherpas trabalham em condições extremas, com pouco reconhecimento em comparação aos clientes estrangeiros que buscam o cume.

Impacto global e pressão por novas regras

A notícia de que Dawa está vivo provoca alívio imediato em comunidades de montanhismo do Nepal, da Europa e das Américas. Alpinistas e atletas de esportes de resistência comentam publicamente o caso e o tratam como símbolo de determinação humana. Ao mesmo tempo, o episódio reabre discussões sobre como o Everest se transforma em um destino de massa, com cerca de 500 a 600 permissões de escalada emitidas por temporada nos últimos anos.

Especialistas em segurança de montanha defendem protocolos mais rígidos para expedições comerciais, com exigência de treinamento prévio, triagem médica detalhada e uso obrigatório de equipamentos de localização por satélite. A sobrevivência de Dawa, encontrada por equipes que o veem rastejando rumo ao Acampamento Base, expõe a dificuldade de localizar pessoas em meio a nevascas e encostas íngremes.

Organizações de guias sherpas aproveitam a repercussão para cobrar melhores condições de trabalho, seguros mais robustos e investimentos em tecnologia de busca em alta altitude. “Todo ano perdemos colegas nesta montanha. Cada resgate bem-sucedido mostra o que ainda falta fazer”, afirma um representante local, em entrevista a uma rádio nepalesa. O caso também leva governos e federações esportivas a discutir padrões mínimos de segurança para expedições em montanhas acima de 8 mil metros.

O que muda após o “milagre” e os próximos passos

Dawa passa por avaliação médica detalhada após o resgate. Até o momento, as informações indicam queimaduras de frio e quadro estável, sem ferimentos graves além do congelamento. Equipes analisam como ele consegue se manter vivo por tantos dias com oxigênio rarefeito, pouca proteção térmica e acesso limitado a água e alimentos. Resgatistas avaliam que qualquer erro adicional teria sido fatal.

A experiência do guia deve alimentar investigações internas em agências de expedição e relatórios técnicos sobre a temporada de 2026. Operadores discutem rever rotas, comunicação por rádio, monitoramento meteorológico e protocolos de retirada em caso de mau tempo. A tendência é que o episódio ajude a acelerar a adoção de rastreadores individuais, melhorias em seguros obrigatórios e treinamentos mais rigorosos.

O nome de Dawa Sherpa, por anos ligado ao trabalho anônimo de apoiar estrangeiros rumo ao topo do mundo, entra agora no debate global sobre os limites do corpo humano e a ética nas grandes montanhas. A pergunta que se impõe para a próxima temporada é se o choque causado por sua quase morte vai de fato mudar práticas consolidadas ou se, passado o susto, o Everest continuará a ser palco do mesmo ciclo de recordes, filas e tragédias.

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