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Guerra com o Irã expõe racha entre Trump e Netanyahu

A ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, em junho de 2026, abre uma fissura inédita na aliança com Israel. Donald Trump e Benjamin Netanyahu divergem em público sobre estratégia, ritmo e objetivos da guerra, enquanto a popularidade do presidente americano recua e a tensão no Oriente Médio se intensifica.

Aliança em teste sob fogo cruzado

A ruptura deixa de ser apenas ruído diplomático quando, em menos de três semanas de campanha, pesquisas internas da Casa Branca apontam queda de 12 pontos na aprovação de Trump. O presidente, que inicia o mês com algo em torno de 48% de avaliação positiva, passa a ver seu apoio oscilar perto de 36%, segundo sondagens citadas por assessores em caráter reservado.

Em conversas vazadas para a imprensa americana, assessores de Trump relatam frustração com o que consideram pressão excessiva de Israel por uma operação mais extensa em território iraniano. Netanyahu, por sua vez, cobra uma “vitória clara” e rápida, segundo interlocutores em Jerusalém, temendo que um cessar-fogo prematuro fortaleça Teerã e grupos aliados na região.

A discordância aparece em público quando Trump, em coletiva na Casa Branca, fala em “campanha limitada” e em “objetivos bem definidos”. Horas depois, em Jerusalém, Netanyahu afirma que “não há meio-termo quando se enfrenta um regime que ameaça nossa existência”. A frase é lida em Washington como um recado direto ao aliado.

Diplomatas que acompanham a relação entre os dois países há mais de duas décadas descrevem o momento como o mais tenso desde a invasão do Iraque, em 2003. Naquele período, Israel apoiava discretamente a operação, mas evitava atritos públicos com Washington. Agora, a visibilidade é maior e o desgaste é imediato, alimentado por declarações diárias e pelo ciclo contínuo de redes sociais.

O atrito se aprofunda conforme o número de ataques e contra-ataques cresce. Entre 1º e 20 de junho, militares americanos registram mais de 60 lançamentos de mísseis e drones iranianos contra bases e navios na região do Golfo. Em resposta, os EUA conduzem dezenas de bombardeios de precisão contra alvos militares e de infraestrutura iraniana, em uma escalada que dispara o preço do barril de petróleo para além de US$ 110, alta de cerca de 25% em relação a maio.

Impacto político interno e pressão internacional

O custo da guerra começa a aparecer nas ruas americanas. Em cidades como Nova York, Chicago e Los Angeles, milhares de pessoas marcham em 15 de junho pedindo a interrupção imediata da campanha. Cartazes que misturam críticas à política externa e à situação econômica ganham espaço, em um cenário de inflação ainda sensível aos preços de energia.

Trump responde em tom desafiante. Em discurso na Flórida, afirma que “os Estados Unidos não podem recuar quando sua segurança é ameaçada” e acusa opositores de “fraqueza estratégica”. Ao mesmo tempo, auxiliares admitem em privado que o tema passa a ser visto como um passivo eleitoral, especialmente entre jovens e independentes, faixa decisiva em estados competitivos.

Em Israel, Netanyahu enfrenta pressão semelhante, mas em direção oposta. Setores da direita cobram envolvimento militar mais direto, com incursões específicas e apoio público a ações preventivas contra grupos alinhados a Teerã nos arredores de Israel. A oposição, por sua vez, acusa o premiê de “subcontratar” a guerra a Washington e de colocar o país em risco sem plano claro de saída.

Governos europeus tentam mediar um caminho que combine desescalada militar com garantias de segurança para Israel e para rotas energéticas estratégicas. Em Bruxelas, diplomatas falam em “janela de 30 dias” para evitar que o conflito se transforme em guerra aberta de longa duração, com impacto direto sobre mercados e cadeias de suprimento globais.

No Conselho de Segurança da ONU, resoluções para um cessar-fogo monitorado encontram bloqueios cruzados. Estados Unidos defendem o direito à autodefesa e resistem a condenações explícitas, enquanto Rússia e China exploram o desgaste americano para criticar a presença militar no Oriente Médio. O impasse reforça a percepção de que o conflito se torna símbolo de uma disputa geopolítica mais ampla.

Analistas apontam que a combinação de guerra, incerteza econômica e redes sociais acelera a erosão política. Numa década marcada por conflitos e recuos no Afeganistão, na Síria e no Iraque, qualquer nova operação militar é medida em horas nas pesquisas. Um consultor político em Washington resume: “Trump perde apoio mais rápido do que consegue explicar sua estratégia”.

Mercados, alianças e o que vem a seguir

Além da tensão diplomática, o conflito reconfigura interesses econômicos e energéticos. O aumento do preço do petróleo pressiona transportadoras, companhias aéreas e setores intensivos em energia, com reflexo direto em passagens, fretes e contas de luz. Empresas globais revisam projeções para 2026 e já consideram cortes de investimento em regiões mais expostas ao conflito.

Países importadores de energia, como os da Europa e partes da Ásia, aceleram conversas sobre estoques estratégicos e fontes alternativas, do gás liquefeito a projetos de renováveis. Um diplomata europeu resume o dilema: “Cada míssil disparado no Golfo é um alerta para nossas economias”.

No campo militar, a guerra expõe diferenças de doutrina. Israel defende ataques preventivos mais amplos e vê o Irã como ameaça existencial permanente. Washington tenta calibrar uma resposta que puna Teerã sem mergulhar em uma ocupação longa e cara, cenário que lembra os anos mais duros da presença americana no Iraque. Essa distância de objetivos alimenta desconfianças mútuas e abre espaço para que outros atores regionais testem limites.

Aliados tradicionais dos Estados Unidos no Golfo acompanham com cautela. Alguns oferecem apoio logístico limitado, com acesso a bases e corredores aéreos, mas evitam envolvimento direto que possa gerar retaliações. A sensação é de que uma escalada prolongada força todos a escolher lados com maior clareza, algo que muitos governos preferem evitar.

No horizonte imediato, conselheiros de Trump e Netanyahu falam em reuniões de alto nível para tentar recompor a coordenação estratégica. Encontros entre equipes de defesa e segurança são previstos para as próximas semanas, com o objetivo de definir linhas vermelhas, prazos e um possível roteiro de saída negociada.

Ainda não há indicação clara de cessar-fogo. Interlocutores em Washington e Jerusalém admitem, em privado, que nenhum dos dois líderes quer parecer fraco diante de suas bases internas. A pergunta que permanece aberta, em meio a mísseis, tweets e cotações em alta, é quanto tempo a aliança entre Estados Unidos e Israel suporta o peso político e estratégico dessa guerra.

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