Grêmio vira sobre o Santos, vence por 3 a 2 e respira no Brasileirão
O Grêmio vence o Santos por 3 a 2 de virada, neste sábado, na Arena, em Porto Alegre, e se afasta da zona de rebaixamento do Brasileirão. Carlos Vinícius marca duas vezes, reassume a artilharia, e Tetê decide em noite de cinco gols antes da parada para a Copa do Mundo.
Virada na Arena muda o clima antes da pausa
A segunda de quatro partidas seguidas em casa começa cercada de tensão. O time de Luís Castro entra em campo a três pontos da zona de rebaixamento e sob desconfiança da torcida. O Santos, organizado e com meio-campo dominante, transforma essa pressão em controle do jogo durante boa parte do primeiro tempo.
Sem Gabriel Mec, Braithwaite precisa assumir a função de meia ofensivo. A engrenagem não roda. O Grêmio cria pouco, perde o meio e vê o Santos comandar as ações. Logo aos 2 minutos, Willian Arão sobe livre e cabeceia na trave de Weverton. Pouco depois, o goleiro salva, no reflexo, conclusão de Viery, também de cabeça, evitando um desastre precoce.
Noriega e Pérez se preocupam mais em marcar os meias santistas e o próprio Gabigol, que recua para buscar o jogo, do que em construir. O resultado é um Grêmio travado, recuado, sem aproximação entre setores. O Santos, que não é sufocado, se sente à vontade para acelerar quando encontra espaço.
O gol visitante nasce de um erro gremista que se transforma em contra-ataque perfeito. A zaga santista corta uma tentativa de ataque e a bola sobra para Caio Paulista. O lateral hesita, perde a dividida para Miguelito e abre uma avenida. O meia conduz com liberdade até achar Gabigol, que finaliza para o gol vazio e silencia parte da Arena.
As vaias a Caio se tornam cada vez mais fortes a cada toque na bola. O ambiente azeda. O time parece preso entre o medo de errar e a necessidade de reagir. A resposta, porém, vem ainda antes do intervalo e recoloca o Grêmio no jogo. Amuzu atravessa o campo em diagonal, tabela com Enamorado e recebe de volta na esquerda. O ganês ergue a cabeça e cruza na medida para Carlos Vinícius, que testa firme e empata.
O centroavante sai para o intervalo com a sensação de alívio e missão em andamento. “Fui feliz em conseguir o empate e agora vamos tentar o 2 a 1, que é o que a gente precisa”, diz, ainda ofegante, na beira do gramado. A frase ganha contornos de roteiro, mas o enredo reserva uma curva inesperada.
Carlos Vinícius reage, Tetê decide e a Arena explode
O segundo tempo recomeça com o Santos novamente mais agudo. Aos 9 minutos, Enamorado erra na saída, perde a bola, e o castigo vem rápido. A jogada se desenvolve até chegar outra vez em Gabigol, que escolhe o canto, bate no contrapé de Weverton e faz 2 a 1 para os visitantes, o segundo dele na noite.
A resposta gremista desta vez é imediata. Pavon encontra Carlos Vinícius nas costas da zaga, em lançamento que quebra a linha defensiva santista. O camisa 9 domina com calma, ajeita o corpo e bate forte, rasteiro, para empatar. O nono gol no campeonato o recoloca na liderança da artilharia, agora ao lado de Pedro, do Flamengo, e devolve o gás ao time e à arquibancada.
O ambiente muda de tom. A Arena, que flertava com a impaciência, passa a empurrar. Luís Castro mexe na equipe e chama Tetê para o lugar de Enamorado. O atacante formado na base entra sob expectativa silenciosa. A resposta vem em minutos. Em jogada pela direita, ele recebe, corta para dentro e bate de esquerda, forte, no canto de Gabriel Brazão. A bola entra rente à trave, o 3 a 2 sai do placar eletrônico para a garganta da torcida.
A comemoração tem abraço coletivo. Tetê, que convive com a ansiedade de ainda não ter marcado no Brasileiro, desencanta em momento decisivo. O gol funciona como senha para uma mudança de postura em campo. Pela primeira vez na partida, o Grêmio passa a administrar a vantagem, valoriza a posse e escolhe melhor quando acelerar.
Arthur volta ao time e reforça esse controle com toques curtos e ritmo cadenciado. O Santos tenta reagir, mas esbarra na reorganização gremista. Aos 38 minutos, a tentativa de pressão vira problema para os paulistas. Gustavinho chega atrasado em dividida forte com Arthur, acerta o meia e é expulso por Bruno Arleu de Araújo. Com um jogador a mais, o Grêmio reduz riscos, trava o jogo quando necessário e carimba a vitória até o apito final.
Vitória afasta o risco e redesenha a semana decisiva
O resultado leva o Grêmio a abrir três pontos sobre a zona de rebaixamento e muda a temperatura interna do clube às vésperas da parada para a Copa do Mundo. A vitória de virada, construída diante de quase lotação na Arena, reforça a narrativa de reação em um momento em que qualquer tropeço em casa poderia aprofundar a crise.
A atuação de Carlos Vinícius consolida o centroavante como referência ofensiva do time. Os dois gols o recolocam no topo da artilharia do Brasileirão, com 9 bolas na rede, e dão peso estatístico ao protagonismo que ele já exibe em campo. A arrancada no segundo tempo também devolve confiança a Tetê, cria do clube que volta a ser decisivo em jogo grande, sob olhar de uma torcida exigente.
Do outro lado, o Santos deixa Porto Alegre com sensação amarga. A equipe de Cuca, que sai na frente duas vezes, volta para casa com zero ponto, um jogador expulso e mais pressão sobre um elenco que tenta se estabilizar na tabela. A expulsão de Gustavinho ainda pode pesar em rodada seguinte, em um calendário já apertado e com pouco espaço para reposição de peças.
A tabela reserva pouco tempo para comemoração ou lamento. Na terça-feira, a Arena volta a receber público elevado para o duelo com o City Torque, jogo que vale vaga direta nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. A vitória sobre o Santos injeta confiança e cria um ambiente mais favorável para o confronto continental.
No sábado seguinte, o último compromisso antes da pausa será contra o Corinthians, novamente em Porto Alegre. A sequência de jogos em casa transforma a Arena em centro de gravidade do clube nas próximas semanas. A forma como o time vai aproveitar essa janela pode definir se o torcedor voltará da Copa falando em fuga do rebaixamento ou em retomada de protagonismo.
