Grêmio empata com Athletico-PR e desperdiça chance com um a mais
O Grêmio empata em 0 a 0 com o Athletico-PR neste sábado (3), na Arena da Baixada, e segue sem vencer fora de casa no Brasileirão de 2026. Mesmo com um jogador a mais por mais de uma hora, o time gaúcho esbarra na própria falta de criatividade ofensiva e deixa escapar uma oportunidade rara em Curitiba.
Superioridade numérica, pouca ambição
O roteiro da noite em Curitiba se desenha favorável ao Grêmio ainda no primeiro tempo. Aos 20 minutos, depois de revisão no vídeo, o lateral Esquivel é expulso por falta em Enamorado. O Athletico se reorganiza às pressas, com Odair Hellmann sacrificando um volante para recompor a defesa. Do outro lado, o interino Vitor Severino subitamente tem nas mãos o controle do jogo e uma vantagem numérica que muitos times consideram decisiva.
O cenário, porém, não se traduz em futebol. O Grêmio ocupa o campo de ataque, mas erra passes simples, escolhe mal as jogadas e não consegue transformar posse de bola em pressão real. Balbuena, capitão e surpresa na escalação como terceiro zagueiro, dá segurança na saída, mas o time para na intermediária. Nardoni e Léo Pérez protegem a defesa, sem conectar o meio com o ataque. Enamorado e Braithwaite se movimentam, porém recebem poucas bolas em condições de finalizar.
O Athletico, mesmo com dez jogadores, não se sente acuado. Cada bola que chega em Viveros vira um incômodo para a zaga gremista. Em um dos primeiros lances, o colombiano chega atrasado em Weverton e causa o primeiro tumulto da noite. Depois da expulsão, a equipe paranaense reduz o ritmo, fecha espaços e aceita sobreviver de contra-ataques esporádicos. A estratégia funciona: o Grêmio circula a bola, mas não ameaça Santos.
O intervalo chega com o placar zerado e muitos gestos de impaciência no banco gaúcho. A equipe chuta pouco, finaliza mal e não acerta a última bola. A vantagem numérica, que deveria pesar desde a metade do primeiro tempo, não altera a lógica da partida. O Athletico se protege, o Grêmio não se impõe.
Segundo tempo expõe limitações ofensivas
Vitor Severino mexe logo na volta para o segundo tempo. André Henrique entra no lugar de Enamorado, e Riquelme substitui Gabriel Mec. A ideia é dar mais velocidade pelos lados e presença diária na área de Santos. Nardoni sente uma lesão muscular minutos depois e obriga nova troca, com Willian em campo. A resposta em desempenho é mínima. O Grêmio mantém a posse, mas segue previsível.
O Athletico administra o tempo e a própria limitação numérica. Odair fecha ainda mais o meio, adensa a marcação e aposta em uma bola vadia para surpreender. Quando o relógio passa dos 30 minutos, o jogo enfim oferece sinais de vida. Pavon, até então discreto, consegue abrir espaço pela direita e cruza na medida. André Henrique cabeceia com liberdade, mas manda para fora. Em seguida, Tetê arrisca de fora da área e acerta chute forte, perto do travessão.
O lance mais perigoso, porém, vem do lado paranaense. Aos 40, após cobrança de escanteio e desvio na primeira trave, Gustavo Martins salva quase em cima da linha o que seria o gol da vitória do Athletico. O susto escancara o risco que o Grêmio corre mesmo com um jogador a mais. A equipe gaúcha não acelera, não verticaliza e permite que o adversário, em desvantagem numérica, se sinta confortável até o apito final.
O empate sem gols condensa o retrato da noite: um Athletico resiliente, mesmo com dez, e um Grêmio que não encontra soluções com a bola. A atuação reforça dúvidas sobre o modelo de jogo e a capacidade do time de transformar controle em agressividade. O zero a zero não é só um resultado, mas um sintoma repetido de um problema que se arrasta.
Pressão crescente e próximos desafios
O resultado pesa mais para o lado gremista. A equipe segue sem a primeira vitória como visitante no Brasileirão, já desperdiça pontos em sequência e vê a confiança balançar. Em um campeonato de 38 rodadas, tropeços assim costumam cobrar preço alto na tabela. Pontos perdidos em maio frequentemente fazem falta em dezembro, quando a disputa por vaga em competições continentais e a fuga da parte de baixo afunila.
O desempenho em Curitiba também alimenta questionamentos sobre a leitura de jogo e a gestão da vantagem numérica. Em mais de 60 minutos com um jogador a mais, o Grêmio cria apenas duas chances claras, ambas no fim, e flerta com a derrota em um lance de bola parada. A sensação é de um time que não sabe acelerar quando o contexto favorece. A falta de repertório ofensivo se torna tema central na análise interna e externa.
O calendário não dá respiro. Na terça-feira, o Grêmio viaja a Buenos Aires para enfrentar o Riestra pela Copa Sul-Americana, em jogo que ganha peso extra. A competição continental passa a ser, também, espaço para recuperar confiança e testar alternativas na frente. Uma vitória fora do país pode aliviar parte da pressão antes do reencontro com o Brasileirão.
No outro domingo, o time volta à Arena para encarar o Flamengo, adversário direto por ambições maiores na temporada. O jogo em Porto Alegre traz a chance de somar três pontos em casa e compensar parte do que escapou em Curitiba. A noite na Arena da Baixada deixa uma pergunta incômoda para a semana: o Grêmio consegue transformar a bola no pé em resultado quando a margem de erro diminui?
