Fortaleza vira sobre o Goiás, goleia por 4 a 1 e assume liderança da Série B
O Fortaleza vence o Goiás por 4 a 1, de virada, na noite deste sábado (2), na Arena Castelão, e assume a liderança provisória da Série B. Vitinho e Miritello marcam dois gols cada no segundo tempo e transformam um primeiro tempo sofrido em goleada e euforia nas arquibancadas.
Virada em casa reacende time e torcida
A vitória muda o clima no Pici e recoloca o Fortaleza como protagonista da disputa pelo acesso. O time sai de um primeiro tempo dominado e vulnerável para uma segunda etapa de imposição técnica e física, com quatro gols marcados em 37 minutos. O resultado coloca o Tricolor na ponta da tabela ao fim da sétima rodada, à espera do duelo entre Vila Nova e Athletic, na segunda-feira (4), às 19h.
O Goiás abre o placar aos 23 minutos do primeiro tempo, com o volante Gegê, cearense formado na base do rival Ceará, em cobrança de falta rasteira por baixo da barreira. O gol premia o domínio esmeraldino. Até então, o time visitante acumula chances claras, acerta a trave com o próprio Gegê logo aos 3 minutos e explora as saídas inseguras do goleiro Vinicius Silvestre. O Fortaleza só finaliza pela primeira vez aos 15, em cabeçada para fora de Lucas Gazal.
O roteiro no intervalo é de apreensão. O meio-campo tricolor perde quase todas as segundas bolas, a defesa sofre com a velocidade pelos lados e o 3-5-2 armado por Thiago Carpini não funciona. O Goiás poderia ir para o vestiário com vantagem maior, não fosse a falta de precisão nas conclusões de Gegê e Anselmo Ramon. O 1 a 0 parece pouco pelo que o visitante produz nos primeiros 45 minutos.
Mudanças de Carpini viram o jogo e a tabela
O segundo tempo começa com uma decisão clara do banco tricolor. Carpini desiste dos três zagueiros, recompõe a linha de quatro defensores e lança Vitinho e Welliton. A ideia é simples e ambiciosa: acelerar pelos lados, pressionar a saída de bola e impedir que o Goiás pense o jogo com calma. O risco é alto, porque o adversário tem espaço para contra-atacar, mas o ajuste coloca o Fortaleza dentro da partida.
O empate nasce aos 8 minutos, em jogada que sintetiza a nova postura. O time recupera a bola no campo ofensivo, Mucuri conduz com criatividade e encontra Vitinho na intermediária. O camisa 11 domina, ajeita para a perna esquerda e acerta chute forte, de fora da área, no canto. O Castelão desperta de vez, e a pressão muda de lado. O Goiás sente o golpe e recua metros preciosos.
Vitinho volta a aparecer aos 15, em lance quase idêntico. O Fortaleza articula pela esquerda, encontra o atacante livre na entrada da área e ele repete a receita, desta vez com ainda mais precisão. O chute cruzado, de canhota, vira o jogo e transforma o ambiente. De um primeiro tempo travado, o Tricolor passa a controlar as ações, com linhas compactas em um 4-4-2 sólido quando perde a bola.
O Goiás tenta reagir. Daniel Paulista mexe na equipe, coloca Brayann e Diego Caito e aposta na experiência de Anselmo Ramon. Aos 23, o camisa 9 tem boa chance para empatar, mas para em defesa segura de Vinicius Silvestre. A essa altura, porém, a chuva engrossa sobre a capital cearense, o gramado pesa e o Fortaleza se beneficia do momento anímico superior.
Aos 32 minutos, a virada se consolida em goleada. Brítez avança para o campo de ataque, rouba a bola na intermediária e aciona Miritello. O centroavante argentino protege, gira com espaço e finaliza com precisão, fazendo 3 a 1. O Goiás, já abalado, perde força física e organização. Aos 45, em escanteio pela direita, Miritello sobe mais que a zaga e testa firme, fechando o placar em 4 a 1 e garantindo a liderança leonina na rodada.
Liderança provisória, moral em alta e pressão nos rivais
O triunfo por três gols de diferença não vale apenas os mesmos três pontos de qualquer vitória. A goleada melhora o saldo, hoje decisivo em uma Série B marcada por equilíbrio desde a primeira rodada, e envia recado direto aos concorrentes pelo G4. O Fortaleza chega aos pontos que lhe garantem o topo da tabela neste sábado e ficará em primeiro de forma definitiva na sétima rodada em caso de empate ou derrota do Vila Nova diante do Athletic.
A forma como o resultado se constrói pesa tanto quanto o placar. O time sai vaiado ao fim do primeiro tempo, reage com intensidade após o intervalo e sustenta o domínio até o apito final. A virada expõe virtudes que contam em campanha longa: capacidade de ajuste tático, elenco com opções que mudam jogos e resistência emocional diante da pressão. Em noite de quatro gols no segundo tempo, o Fortaleza transforma um cenário de risco em demonstração de força.
O Goiás, por sua vez, acumula mais uma atuação irregular na Série B. A equipe domina a etapa inicial, mas não mata o jogo quando tem chances claras, sofre com a queda física e se desorganiza após o empate. A expulsão de Nicolas no fim agrava o quadro de frustração, em um contexto de sequência ruim de resultados e pressão crescente sobre Daniel Paulista.
Desafio é sustentar o topo em maratona de 38 rodadas
A vitória coloca o Fortaleza em posição de destaque, mas o campeonato ainda oferece 31 rodadas e armadilhas conhecidas. O time volta a campo com a missão de manter a consistência, controlar oscilações e evitar a dependência de viradas heroicas como a deste sábado. O desempenho defensivo da etapa inicial serve de alerta interno, apesar da resposta convincente no segundo tempo.
O clube passa a conviver com um novo tipo de pressão: a de defender a liderança, ainda que sujeita ao resultado de Vila Nova x Athletic. O elenco ganha confiança, a torcida reforça a crença no acesso e os adversários estudam com atenção as mudanças que destravam o jogo na Arena Castelão. A partir de agora, a pergunta não é apenas se o Fortaleza pode chegar à ponta, mas se terá fôlego e repertório para permanecer nela até a 38ª rodada.
