Gol relâmpago de Galarza relança Paraguai na Copa
Copa 2026
Galarza marca o gol mais rápido e impulsiona o Paraguai rumo à próxima fase do torneio.
Matías Galarza precisa de 1 minuto e 4 segundos para mudar a Copa do Mundo de 2026. Na madrugada deste sábado (20), o meia abre o placar para o Paraguai contra a Turquia, no Levi’s Stadium, e assina o gol mais rápido do Mundial. A vitória por 1 a 0, com a seleção jogando quase todo o segundo tempo com um homem a menos, encerra um jejum de 16 anos sem triunfos paraguaios em Copas e mantém viva a disputa por vaga no mata-mata do Grupo D.
Gol relâmpago que muda o jogo e o grupo
A partida mal começa quando o Paraguai sufoca a saída de bola turca. A pressão alta dá resultado imediato. Cubas rouba, Enciso aciona Galarza na entrada da área, e o ex-vascaíno ajeita para a perna esquerda. O chute sai forte, no canto esquerdo de Cakir, silencioso e preciso, antes que a defesa reaja.
O lance entra para a história instantaneamente. “Matías Galarza precisou de um minuto e quatro segundos para anotar o gol do Paraguai diante da Turquia”, registra o ge. O disparo supera a marca de Saibari, do Marrocos, que havia balançado as redes com 1 minuto e 9 segundos mais cedo, e vira o novo recorde desta Copa.
O 1 a 0 inicial permite ao time de Gustavo Alfaro ditar o ritmo. Com o placar a favor, o Paraguai recua um pouco as linhas, controla os espaços e obriga a Turquia a propor o jogo. O cenário, porém, muda radicalmente nos acréscimos do primeiro tempo, quando a arbitragem estreia uma regra polêmica.
Expulsão inédita e resistência com um a menos
O relógio marca 47 minutos da etapa inicial quando uma discussão se forma após disputa entre Isidro Pitta e Ismail Yüksek. No meio do empurra-empurra, Miguel Almirón leva a mão à boca para falar algo a Mert Müldür. O gesto aciona o VAR.
Chamado à tela, o salvadorenho David Morán consulta as imagens e volta com o cartão vermelho nas mãos. “Com auxílio do recurso do VAR, o árbitro salvadorenho David Morán expulsou o paraguaio com cartão vermelho”, descreve o UOL. O motivo não é a entrada, nem um empurrão, mas a nova diretriz que proíbe jogadores de taparem a boca em discussões em campo. “A regra entrou em vigor na Copa do Mundo de 2026”, lembra o portal.
O Paraguai perde seu camisa 10 no intervalo e precisa se reinventar. Alfaro recompõe o meio, fecha os lados e monta duas linhas de cinco jogadores para proteger a área de Orlando Gill. A partir daí, a partida vira um ataque contra defesa, com a Turquia empilhando posse de bola e cruzamentos, mas pouca clareza.
Arda Güler, símbolo da geração turca, encontra dificuldade para se livrar da marcação compacta. A melhor chance vem aos 16 minutos do segundo tempo, quando o jovem ganha pelo alto após cruzamento de Kenan Yildiz e testa firme. Gill encaixa sem rebote e, na prática, encerra a grande oportunidade rival.
A disciplina paraguaia cresce na mesma medida em que o relógio avança. Cada recuperação de bola é comemorada, cada lateral vira um respiro. A Turquia circula de um lado ao outro, mas não fura o bloqueio. A vitória, construída em pouco mais de um minuto, passa a depender de quase uma hora de sofrimento defensivo.
Fim do jejum e grupo embolado
O apito final encerra um tabu incômodo. O Paraguai não vencia em Copas do Mundo havia 16 anos. Sai do Levi’s Stadium com três pontos, saldo de gols ainda negativo, mas a moral em alta antes do duelo decisivo contra a Austrália, no dia 25 de junho.
A tabela do Grupo D ganha nova cara. Os Estados Unidos lideram com 6 pontos. Australianos e paraguaios somam 3, separados pelo saldo de gols, enquanto a Turquia, sem pontos e sem gols marcados, está eliminada e joga apenas pela honra contra os anfitriões na última rodada.
Para Alfaro, o resultado comprova a aposta em Galarza, que ganha a vaga do são-paulino Damián Bobadilla no meio-campo. A confiança se paga rápido, com o chute que entra para o imaginário paraguaio. O técnico, agora, precisa calibrar o equilíbrio entre a ousadia do início e a solidez exibida com dez em campo.
Da base do Vasco ao recorde na Copa
O protagonista da madrugada já sabe o que é viver de altos e baixos. Galarza, 24 anos, chega ao Vasco em 2020, emprestado pelo Olimpia, para atuar na base. O clube carioca aposta e, um ano depois, o compra em definitivo por US$ 500 mil.
“Em 2021, o volante viveu sua melhor temporada no Rio, com 36 jogos, três gols e três assistências com a camisa vascaína”, lembra o ge. Ao todo, o paraguaio soma 58 partidas e 5 gols pelo Vasco antes de rodar por Coritiba e Talleres.
O River Plate entra em cena em 2024 e leva o meio-campista para Buenos Aires. A passagem argentina abre as portas da MLS. Hoje, Galarza defende o Atlanta United por empréstimo e tenta se firmar em um mercado em expansão. O nome figura em listas de possíveis negociáveis, segundo a imprensa argentina, e a vitrine da Copa pode mudar essa equação.
“O gol da vitória paraguaia foi marcado pelo ex-Vasco Matías Galarza”, destaca o UOL. A frase resume o roteiro de um jogador que sai de um investimento de meio milhão de dólares, passa por empréstimos sucessivos e, em 1 minuto e 4 segundos, redesenha sua própria cotação esportiva.
Arbitragem em xeque e próximos capítulos
O cartão vermelho a Almirón, baseado na nova regra da IFAB, promete seguir em debate. A intenção de coibir ofensas e intimidações encontra resistência quando o gesto punido é o de cobrir a boca, prática comum em jogos de alto nível. Técnicos e jogadores começam a entender, dentro de campo, os limites reais dessa mudança.
Para o Paraguai, o efeito imediato é prático. Qualquer nova infração disciplinar pode custar caro em um grupo equilibrado. A equipe tende a reforçar a disciplina tática e emocional antes de enfrentar uma Austrália física e organizada.
A Turquia, já eliminada, precisa administrar a frustração de uma geração badalada que não entrega o esperado. Arda Güler deixa o gramado sem brilho, enquanto a seleção volta para casa com a sensação de oportunidade desperdiçada.
Galarza sai em direção oposta. O recorde de gol mais rápido da Copa de 2026, aliado à atuação madura em um jogo de pressão máxima, amplia sua visibilidade internacional. Clubes atentos a meio-campistas versáteis monitoram estatísticas e contextos. Em Santa Clara, o relógio marca 1min04s. No mercado, o tempo de Matías Galarza começa a correr agora.
Quem é Matías Galarza?
Matías Galarza é um meio-campista paraguaio de 24 anos. Revelado no Olimpia, passou pelo Vasco, onde fez 58 jogos e 5 gols, e hoje atua no Atlanta United, emprestado pelo River Plate.
Matías Galarza valor?
O Vasco comprou Galarza em definitivo do Olimpia por US$ 500 mil em 2021. Desde então, sucessivas transferências e o gol histórico na Copa tendem a elevar seu valor de mercado.
