Esportes

Gana marca no fim, vence o Panamá e estreia com vitória na Copa

Gana estreia na Copa do Mundo de 2026 com vitória dramática sobre o Panamá, nesta quarta-feira (17), pelo Grupo L, graças a um gol aos 49 do segundo tempo. Caleb Yirenkyi aparece na pequena área para definir o 1 a 0 em um jogo tenso, de poucas oportunidades claras, mas de enorme peso para a campanha africana rumo ao mata-mata.

Jogo truncado, goleiro em destaque e castigo no fim

O placar magro esconde a quantidade de sustos que a defesa ganesa leva ao longo dos 90 minutos. O Panamá, em sua estreia no Mundial de 2026, começa mais solto, ocupa o campo de ataque e acumula finalizações perigosas. Waterman, Blackman, Cristian Martínez e Puma Rodríguez se revezam nas chegadas à área, obrigando o goleiro Ati Zigi a aparecer como protagonista do primeiro tempo.

Gana demora a transformar o talento individual em volume de jogo. Sulemana tenta acelerar pelas pontas, parte para o drible e até balança a rede, mas a arbitragem anula o lance por impedimento ainda na etapa inicial. Na melhor construção africana antes do intervalo, o próprio Sulemana puxa contra-ataque, aciona Nuamah e recebe de volta, mas finaliza muito longe, para alívio do goleiro Mosquera.

O segundo tempo mantém o roteiro de tensão. O Panamá segue mais organizado, pressiona a saída de bola e volta a rondar a área adversária. Mensah, pela esquerda, quase muda a história ao cruzar fechado e forçar Mosquera a sair de soco. A bola atravessa a pequena área sem desvio, numa das raras vezes em que o Panamá parece vulnerável atrás.

Martínez levanta a torcida panamenha ao finalizar forte em bate-rebate dentro da área. O chute é travado no momento exato, e a bola toca a rede pelo lado de fora, dando a impressão de gol. A comemoração dura poucos segundos. A expressão frustrada do volante sintetiza a noite centro-americana: intensidade, mas falta de precisão no último toque.

Os ganeses pedem pênalti em lance com Opoku, derrubado por Córdoba após cruzamento, pouco antes da pausa para hidratação. O árbitro manda o jogo seguir, e o VAR não interfere. A reclamação expõe a ansiedade de uma equipe que sabe o peso de desperdiçar pontos em estreia de Copa, ainda mais em um grupo que tem Inglaterra e Croácia.

Pressão tardia, gol salvador e grupo embolado

Gana enfim se solta na metade final da segunda etapa. A partir dos 27 minutos, a equipe se instala no campo de ataque, encurta passes e transforma escanteios e faltas em munição. Ayew cobra falta na área, Adjetey ganha pelo alto e cabeceia rente à trave de Mosquera, em lance que anuncia o que vem a seguir.

Thomas-Asante também aparece mais. Aos 44, ele finaliza cruzado, Mosquera defende e o impedimento já assinalado alivia a pressão panamenha por alguns instantes. O relógio entra nos acréscimos com a sensação de que o empate interessa mais ao Panamá, que constrói mais, e menos a Gana, que projeta desde o sorteio da Fifa uma briga direta com Inglaterra e Croácia por duas vagas.

A virada emocional do jogo nasce de um movimento simples. Aos 49 minutos, Thomas-Asante recebe pela direita, tem espaço e cruza rasteiro para a pequena área. A defesa panamenha se atrapalha, a linha não sobe a tempo e Caleb Yirenkyi aparece praticamente embaixo do travessão para empurrar para o gol vazio. O 1 a 0 explode a torcida africana e derruba jogadores do Panamá no gramado.

A partida ainda guarda um último sobressalto. No minuto final, Mosquera vai para a área em cobrança de bola parada, escora de cabeça e quase participa do empate histórico. A zaga de Gana corta antes da finalização, garantindo três pontos que mudam o clima interno da concentração e ampliam a margem de erro para a sequência do torneio.

O resultado contrasta desempenho e eficácia. O Panamá produz mais ao longo dos 90 minutos, cria chances claras, mas sai sem pontuar. Gana joga abaixo do que seu elenco sugere, mas mostra frieza para decidir na única oportunidade limpa dentro da pequena área. Em Copas, esse tipo de eficiência costuma pesar tanto quanto o talento.

Confiança para Gana, pressão para o Panamá e próximos desafios

A vitória nos acréscimos coloca Gana em posição confortável neste início de Grupo L. Com três pontos, a seleção entra viva na disputa pela liderança, dividida com a Inglaterra, que vence o Panamá por 4 a 2 na outra partida da chave. O confronto direto entre ganeses e ingleses, na próxima terça-feira (23), às 17h, ganha contorno de decisão antecipada.

O triunfo também reforça um traço recorrente da história recente de Gana em Copas: a capacidade de competir em jogos grandes mesmo sem brilho constante. Em 2010, a equipe chega às quartas de final e só cai para o Uruguai nos pênaltis, após desperdiçar uma cobrança no último lance da prorrogação. Em 2026, o objetivo mínimo é voltar ao mata-mata, agora em um Mundial de 48 seleções, com mais vagas e mais armadilhas.

O Panamá deixa o campo com sensação oposta. A atuação consistente, sobretudo na primeira etapa, não rende pontos e aumenta a pressão para o duelo contra a Croácia, também na terça (23), às 20h, no BMO Field. Uma segunda derrota pode praticamente encerrar as chances de classificação de uma seleção que busca se firmar no cenário mundial desde a primeira participação em Copas, em 2018.

A partida desta quarta reforça uma lição conhecida, mas frequentemente ignorada em grandes torneios: concentração até o apito final não é frase de efeito, é condição de sobrevivência. Gana aproveita o único vacilo grave da defesa adversária e transforma um jogo opaco em vitória fundadora de campanha. O Panamá volta para o hotel com a missão de repetir o desempenho, mas trocar urgência por precisão.

O Grupo L se redesenha a partir desse gol aos 49 minutos. Gana chega embalada para encarar uma Inglaterra em alta, enquanto o Panamá entra em modo de emergência diante da Croácia. As próximas rodadas dirão se o lance de Yirenkyi será lembrado apenas como um alívio na estreia ou como o ponto de partida de uma nova corrida africana rumo ao topo do Mundial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *