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Fluminense vence La Guaira por 3 a 1 e avança às oitavas da Libertadores

O Fluminense vence o La Guaira por 3 a 1 nesta quarta-feira (27), no Maracanã, e garante vaga nas oitavas de final da Libertadores. A classificação vem com ajuda do Independiente Rivadavia, que derrota o Bolívar na outra partida do grupo C.

Vitória, combinação de resultados e Maracanã em clima de decisão

O Maracanã recebe o jogo com atmosfera de mata-mata, embora ainda seja fase de grupos. O Fluminense entra em campo pressionado pela obrigação de vencer e pela dependência do resultado em La Paz. A missão é clara: fazer a própria parte contra o lanterna La Guaira e torcer por um tropeço do Bolívar diante do líder Independiente Rivadavia.

O time de Luis Zubeldía responde cedo ao cenário. Aos 6 minutos, Canobbio chega à linha de fundo pela direita e cruza rasteiro. César da Silva se atira de carrinho e a bola desvia em seu braço dentro da área. O árbitro chileno José Cabero marca pênalti imediatamente, sob protestos discretos dos venezuelanos, enquanto o VAR, comandado pelo equatoriano Brian Loayza, revisa o lance por cerca de três minutos.

A penalidade é confirmada e Savarino assume a responsabilidade. Aos 9 minutos, o venezuelano bate firme de direita, no canto esquerdo de Varela, que salta para o lado oposto. O gol abre o placar e alivia parte da tensão no estádio, mas a vantagem dura pouco.

O La Guaira reage de forma quase instantânea. Dois minutos depois, Londoño recebe lançamento na entrada da área, domina com categoria e aplica um lençol em Jemmes. A zaga tenta o corte em carrinho com Freytes, a bola rebate, volta para o próprio Londoño, que finaliza com calma e empata o jogo, silenciando o setor mais nervoso das arquibancadas.

O empate expõe a fragilidade defensiva tricolor em um raro descuido, mas o Fluminense não desorganiza. Martinelli passa a ditar o ritmo no meio, alternando passes curtos e inversões de jogo. A recompensa vem aos 27 minutos: o volante acha um passe preciso dentro da área para Hércules, que surge como elemento surpresa, domina e bate cruzado. A bola passa por Varela e morre no canto, recolocando o time da casa em vantagem.

O 2 a 1 devolve o controle emocional à equipe e ao estádio. Hércules, porém, deixa o campo no intervalo após sentir dores no joelho e dá lugar a Nonato. A mudança não altera a estrutura tática, mas reforça o cuidado da comissão técnica em preservar o elenco às vésperas da fase eliminatória.

Jogo limpo, VAR discreto e um golaço que sela a classificação

O segundo tempo mantém o desenho de um Fluminense dominante e um La Guaira perigoso em jogadas isoladas. A arbitragem segue o tom da partida: intervém pouco, controla à base do diálogo e praticamente não leva a mão ao bolso. O jogo termina sem um único cartão amarelo, um fato raro em confronto decisivo de Libertadores, ainda mais em noite de tensão por vaga.

O VAR, protagonista no início ao confirmar o pênalti em Savarino, desaparece do centro da cena. No lance mais polêmico da etapa final, Acosta invade a área, costura a defesa venezuelana e cai após choque com Ortíz. Cabero manda seguir, e a cabine não recomenda revisão. O ritmo segue alto, mas sem entradas violentas ou reclamações exageradas.

O gol que transforma a vitória em atuação de destaque sai aos 20 minutos do segundo tempo. Lucho Acosta infiltra pela esquerda, tenta a jogada e perde a bola. O rebote sobra para Canobbio na entrada da área. O atacante uruguaio aplica uma caneta em Osio, limpa o marcador e finaliza de três dedos no canto de Varela. A bola viaja com curva perfeita e entra baixa, um golaço que desperta gritos de alívio e admiração no Maracanã.

O 3 a 1 mata qualquer reação do La Guaira e, na prática, garante a classificação tricolor. No mesmo momento, as atenções se dividem com o que acontece na Bolívia. O Independiente Rivadavia confirma o favoritismo e vence o Bolívar, chegando a 16 pontos e consolidando a liderança isolada do grupo C. O Fluminense fecha a fase em 2º lugar, com 8 pontos. O Bolívar para em 5 pontos, em 3º, enquanto o La Guaira encerra a campanha com apenas 3.

O cenário confirma um desfecho de alívio para o clube das Laranjeiras. O time sofre, oscila na fase de grupos, mas avança e mantém vivo o objetivo de voltar a disputar o título continental. A atuação desta noite mostra evolução em pontos sensíveis: maior eficiência nas finalizações, participação ativa dos meias na construção das jogadas e equilíbrio emocional mesmo após o gol sofrido.

Confiança renovada, agenda cheia e foco dividido antes da Copa

A vaga nas oitavas modifica o clima nas Laranjeiras. A pressão por resultado imediato dá lugar a um sentimento de reconstrução em curso. Zubeldía ganha tempo para ajustar detalhes, principalmente no sistema defensivo, que ainda alterna boas intervenções com falhas pontuais, como no lance do gol de Londoño. A disciplina em campo, evidenciada pela ausência de cartões, reforça a imagem de um grupo concentrado, algo decisivo em confrontos eliminatórios.

Na prática, avançar no torneio significa calendário mais pesado e recursos extras. O clube garante premiação em dólar, amplia exposição internacional de jogadores como Savarino, Hércules, Canobbio e Lucho Acosta e se mantém em vitrine para o mercado europeu às vésperas da janela de meio de ano. A boa noite de nomes que chegam recentemente aumenta a concorrência interna e eleva o nível de exigência do elenco.

A classificação continental, porém, não reduz a responsabilidade no cenário doméstico. Antes da parada para a Copa do Mundo, o Fluminense ainda enfrenta o Cruzeiro, domingo, no Mineirão, pela 18ª rodada do Brasileirão. O time carioca ocupa a 3ª posição, com 30 pontos, e tenta seguir na perseguição aos líderes. O Cruzeiro, em 9º, com 23 pontos, encara o jogo como chance de encostar no bloco de cima e atrapalhar o embalo tricolor.

O duelo em Belo Horizonte fecha uma sequência intensa e funciona como termômetro para o período sem jogos oficiais. A comissão técnica avalia possíveis preservações, sobretudo para jogadores mais desgastados e para quem sente incômodo físico, caso de Hércules. A ideia é chegar ao retorno das competições com o grupo inteiro e pronto para a maratona de mata-mata.

O sorteio das oitavas de final colocará diante do Fluminense rivais de peso, alguns com campanhas mais estáveis na fase de grupos. A noite no Maracanã mostra que o time ainda não entrega atuações constantes durante 90 minutos, mas também deixa claro que há repertório ofensivo e qualidade individual para decidir jogos grandes. A pergunta que passa a acompanhar o clube até a retomada da Libertadores é se essa combinação de evolução tática, eficiência e disciplina resiste à pressão dos confrontos eliminatórios.

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