Ferrero assume Ben Shelton e promete título de Grand Slam em 2027
Juan Carlos Ferrero se junta a Ben Shelton para buscar o primeiro título de Grand Slam do jovem americano em 2027.

Juan Carlos Ferrero escolhe Ben Shelton como novo pupilo e confirma que volta ao circuito da ATP em 2027, dividindo o comando da equipe técnica com Bryan Shelton e assumindo o desafio de levar o americano ao primeiro título de Grand Slam.
Ferrero se junta a Bryan Shelton e mira Grand Slam com Ben
O espanhol, ex-número 1 do mundo e campeão de Roland Garros, anunciou que será um dos treinadores de Ben Shelton, atual número 4 do ranking, a partir da próxima temporada. Ele trabalhará ao lado de Bryan Shelton, pai e técnico do jogador de 24 anos, em um formato de parceria que prevê divisão de viagens e períodos de treino entre Europa e Estados Unidos.
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“Estou muito feliz em anunciar que voltarei ao circuito da ATP em 2027 ao lado de Ben Shelton. Ben tem talento, potência e personalidade extraordinários. Estou muito contente por me juntar a Bryan (Shelton) e à equipe neste novo e empolgante capítulo. Estou muito animado para contribuir com minha experiência e trabalhar ao lado de todos para alcançar objetivos ambiciosos”, afirmou Ferrero.
O movimento marca o retorno do treinador ao dia a dia do circuito após o fim da parceria com Carlos Alcaraz, encerrada em dezembro de 2025. Com o espanhol, Ferrero somou seis títulos de Grand Slam como técnico e ajudou a transformar o ex-pupilo em referência da nova geração.
Ben Shelton vive o melhor momento da carreira. Em 2026, o canhoto conquistou quatro títulos — Dallas, Munique, Stuttgart e Montreal — e foi vice-campeão do US Open, resultado que o consolidou entre os principais nomes do circuito masculino. “Uma grande adição à minha equipe para a próxima temporada. Estou animado para começar e trabalhar duro nesta pré-temporada”, escreveu o americano ao confirmar a chegada de Ferrero.
Entenda o contexto
A escolha de Shelton acontece menos de um ano depois do rompimento entre Ferrero e Alcaraz, parceria que começou quando o espanhol ainda era adolescente e que chegou ao fim no fim de 2025. Desde então, Ferrero vinha se dedicando principalmente à sua academia na Espanha e avaliando novos projetos.
Ao optar por um jogador baseado nos Estados Unidos, o treinador aceita uma logística mais complexa, mitigada pela permanência de Bryan Shelton na equipe. A ideia é que o pai siga no comando diário, especialmente em períodos em solo americano, enquanto Ferrero entra com blocos específicos de treino e presença em torneios estratégicos, além da liderança em ajustes técnicos e táticos de médio e longo prazo.
O principal ponto de atenção está no saibro, superfície em que Shelton ainda oscila e onde Ferrero construiu boa parte de sua carreira como jogador. A expectativa é que a experiência do espanhol ajude o americano a sustentar trocas mais longas, administrar melhor os pontos e competir em alto nível também na temporada europeia de torneios de terra batida.
“Projeto que realmente motiva”, diz Roddick
Andy Roddick, ex-número 1 do mundo, vê na parceria um casamento de ambição e necessidade técnica. Para ele, Ferrero encontra em Shelton um desafio à altura de sua trajetória. “Se você se colocar no lugar de Ferrero, nesta altura da carreira, apenas alguns projetos podem realmente motivá-lo. Um deles é ajudar um jogador a conquistar seu primeiro Grand Slam. Estamos falando de alguém que já disputou uma final, chegou a várias semifinais e conseguiu derrotar seu antigo pupilo em um Grand Slam neste ano”, disse o norte-americano, em seu podcast.
Roddick também enxerga um componente de orgulho esportivo na decisão. “Você não se torna campeão de Roland Garros e número 1 do mundo sem uma boa dose de orgulho e ambição. Ferrero pode estar pensando: ‘Qual jogador tenho à disposição para tentar derrotar quem me dispensou?’. E Shelton certamente é uma das melhores opções possíveis”, afirmou.
Para o ex-campeão do US Open, o encaixe dentro da equipe é promissor. “Bryan tem um dos currículos mais completos que um treinador pode ter. Trabalhou com homens, mulheres, no tênis universitário e no profissional. Mas nunca foi número 1 do mundo. É aí que Ferrero pode acrescentar algo diferente, porque sabe o que significa conquistar um Grand Slam”, avaliou.
Na visão de Roddick, o foco do trabalho deve passar por dar mais consistência ao jogo de Shelton. “Shelton precisa aguentar mais tempo nas trocas de bola, melhorar a seleção de golpes e tomar decisões melhores. Em muitas partidas, ele tem a arma mais poderosa da quadra. Mas como fazer para que também vença usando outras ferramentas? É aí que Ferrero pode fazer a diferença”, completou.
Alcaraz aprova escolha e possível duelo já anima circuito
Mesmo deixando de contar com Ferrero em seu box, Carlos Alcaraz fez questão de elogiar o novo passo da carreira do antigo técnico e a escolha de Shelton. “Será uma grande adição ao time do Ben Shelton, acho que o Juanki (Ferrero) irá muito bem, vai lhe ajudar bastante a aumentar seu nível. Ficarei atento a ele”, disse o espanhol.
A derrota de Alcaraz para Shelton nas quartas de final do US Open deste ano, em Nova York, deu combustível extra às expectativas em torno da rivalidade. Agora, com Ferrero ao lado do americano, um reencontro em um palco grande já é tratado como um dos potenciais enredos fortes de 2027.
Roddick, por exemplo, já mira um possível confronto logo no início da temporada. “O que mais quero ver é uma revanche entre Alcaraz e Shelton na Austrália. Imagine esse jogo com Ferrero sentado agora no banco de Shelton. Seria espetacular”, comentou.
O ex-jogador acredita que eventuais desconfortos pela separação entre técnico e pupilo tendem a se diluir. Ele lembrou a própria experiência após o fim da parceria com o treinador Brad Gilbert. A avaliação é que, em um eventual duelo entre Shelton e Alcaraz, a motivação de ambos — e de Ferrero — será alta, mas dentro de um clima competitivo considerado saudável.
Quando Juan Carlos Ferrero vai começar a treinar Ben Shelton?
Juan Carlos Ferrero começa a trabalhar com Ben Shelton na temporada de 2027, com participação já na pré-temporada. O acordo prevê que o espanhol integre a equipe liderada por Bryan Shelton desde o início da preparação para o calendário do próximo ano, com presença em blocos de treino e em torneios-chave do circuito da ATP.
A dinâmica exata de divisão de torneios ainda não foi detalhada publicamente, mas a ideia é que Ferrero esteja ao lado de Shelton em parte dos eventos grandes, incluindo os principais torneios de quadra dura e a gira europeia, enquanto Bryan mantém a rotina diária e acompanha o filho de forma contínua.
Qual foi o papel de Juan Carlos Ferrero na carreira de Carlos Alcaraz?
Juan Carlos Ferrero foi o treinador que conduziu Carlos Alcaraz do início da fase profissional até o topo do circuito, em uma parceria que terminou em dezembro de 2025. Sob seu comando, o espanhol conquistou seis títulos de Grand Slam, alcançou o número 1 do mundo e consolidou o estilo agressivo, completo e competitivo que o transformou em referência da nova geração.
Além dos resultados, Ferrero teve papel central na formação técnica e mental de Alcaraz, ajudando o tenista a lidar com a pressão desde muito jovem, a gerir o calendário e a adaptar o jogo a diferentes superfícies. A experiência acumulada nesse período agora passa a ser uma das principais credenciais que ele leva para o trabalho com Ben Shelton a partir de 2027.


