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Falhas de Hugo Souza marcam derrota do Corinthians para o Platense

O Corinthians perde por 2 a 0 para o Platense nesta quarta-feira (27), na Neo Química Arena, em noite marcada por falhas decisivas de Hugo Souza. O meia argentino Zapiola aproveita dois erros do goleiro e define o placar pela última rodada do Grupo E da Libertadores. A derrota não tira a liderança da chave, mas expõe a fragilidade do time às vésperas do mata-mata.

Erros do goleiro mudam a noite em Itaquera

O frio de 27 de maio contrasta com o clima na arquibancada. Quase 40 mil torcedores empurram o Corinthians em busca de uma despedida segura da fase de grupos. O roteiro muda cedo. Aos 20 minutos do primeiro tempo, Zapiola cobra escanteio fechado, Hugo sai atrasado e se enrola na pequena área. Na sequência, Rodrigo Garro bloqueia a bola com o braço. O árbitro venezuelano Alexis Herrera deixa o lance seguir, mas volta atrás após chamada do árbitro de vídeo.

O pênalti devolve o silêncio ao estádio. Zapiola bate no canto esquerdo, desloca Hugo e abre o placar: 1 a 0 para o Platense. O gol expõe em poucos segundos dois problemas conhecidos da defesa corintiana na temporada, a insegurança na bola aérea e a tomada de decisão sob pressão. O time de Fernando Diniz tenta reagir, mas esbarra em erros de definição no ataque e na boa atuação do goleiro Borgogno.

O Corinthians até cria. Aos 10 minutos, antes do gol, Gustavo Henrique cabeceia por cima após falta cobrada por Garro, em lance que assusta a defesa argentina. Mais tarde, Memphis Depay aparece pela primeira vez com perigo. O holandês tabela, invade a área, ganha da marcação e finaliza forte. Borgogno espalma e segura a vantagem. No último lance da etapa inicial, Zapiola arrisca de longe e obriga Hugo Souza a fazer defesa difícil com a mão trocada, numa rara intervenção segura da noite.

O intervalo chega com a sensação de que o jogo ainda está aberto. O Corinthians soma 39.996 pagantes, arrecada renda bruta de R$ 2.909.567,98 e mantém o incentivo da arquibancada. A liderança do Grupo E está garantida desde o empate com o Peñarol, em Montevidéu, uma semana antes. A missão agora parece simples: virar o jogo, melhorar a impressão e seguir para o mata-mata com moral.

Noite desastrosa de Hugo pesa mais que a classificação

O plano desmorona em 11 minutos de segundo tempo. Matheuzinho recua bola simples para Hugo. O goleiro domina mal, hesita e tenta um passe curto pelo meio. Zapiola lê o erro, intercepta e, com um toque sutil, encobre o camisa 1 corintiano. A bola entra devagar, enquanto a torcida reage com um misto de incredulidade e irritação. O 2 a 0 transforma uma partida controlável em alerta geral.

O roteiro repete erros que já rondam a carreira de Hugo. A insegurança nas saídas do gol e o jogo com os pés, pontos citados desde os tempos de Flamengo, voltam a aparecer em sequência. A exclusão da lista final para a Copa do Mundo pesa nos bastidores. Pessoas próximas relatam frustração com a ausência na convocação, e a atuação desta noite alimenta a impressão de que o goleiro ainda tenta se reencontrar emocionalmente.

Hugo ainda evita um placar maior. Defende finalização forte de Retamar, que entra pela esquerda em busca do ângulo, e segura outro chute perigoso do próprio Zapiola. Nada disso, porém, compensa as duas falhas capitais. Em campo, o Corinthians se lança ao ataque e acumula chances desperdiçadas. Matheus Bidu pega de primeira após cruzamento de Matheuzinho e tira tinta da trave esquerda. Zakaria Labyad tenta de fora da área e para em Borgogno, que defende em dois tempos.

Pedro Raul perde o gol que poderia recolocar o time na partida. Aos 39 minutos, o centroavante entra livre na área, recebe cruzamento perfeito de Matheuzinho e cabeceia fraco, nas mãos do goleiro argentino. Minutos depois, Breno Bidon cai após contato com Tomás Silva e conquista pênalti em campo. O VAR chama Herrera novamente, que revê o lance e anula a marcação. A reação se esgota ali. O Corinthians chega à primeira derrota nesta Libertadores sob um misto de frustração ofensiva e insegurança defensiva.

Pressão no gol às vésperas do mata-mata

A derrota não altera a matemática da classificação, mas mexe com o ambiente. O Corinthians encerra a fase de grupos sem a melhor campanha geral e entra no sorteio das oitavas, marcado para sexta-feira em Luque, no Paraguai, com dúvidas expostas. A queda em casa para um Platense modesto, ainda em construção no cenário continental, alimenta críticas à consistência defensiva e à gestão da posição mais sensível do elenco.

Nas redes sociais, o nome de Hugo Souza vira alvo imediato de torcedores. A discussão deixa de lado o bom início de campanha e se concentra na pergunta que ganha força depois da noite em Itaquera: o goleiro deve seguir como titular? A comissão técnica evita declarações públicas mais duras, mas sabe que o debate não se encerra no vestiário. A pausa para a Copa do Mundo, que começa após o jogo contra o Grêmio, sábado, às 17h30, em Porto Alegre, oferece tempo para reflexão, mas também amplia a pressão.

O clube volta a campo pelo Brasileiro sob obrigação tácita de dar resposta rápida. A torcida cobra solidez, menos sobressaltos na defesa e um time capaz de sustentar vantagem nos jogos decisivos que virão. A Libertadores retorna apenas depois do Mundial, com outro cenário físico, mental e talvez com mudanças na meta corintiana. A próxima vez que Hugo Souza entrar em campo com a camisa 1, se isso ocorrer, dirá se a noite contra o Platense vira ponto de virada ou cicatriz permanente na temporada.

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