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EUA dizem ver avanço em acordo para entrega de urânio pelo Irã

O secretário Marco Rubio afirma neste domingo (24.mai.2026), em visita oficial à Índia, que há “progresso significativo” nas negociações com o Irã sobre a entrega de urânio enriquecido. A declaração sinaliza um possível desfecho para um dos temas mais sensíveis da agenda nuclear mundial.

Negociações avançam em meio a tensão regional

Rubio fala em Nova Délhi após uma série de reuniões com autoridades indianas e representantes de países aliados dos Estados Unidos na Ásia. O secretário descreve as conversas com Teerã como “difíceis, mas construtivas” e indica que, nas últimas semanas, os dois lados reduzem diferenças que travam o acordo desde o ano passado.

O foco das tratativas é a transferência controlada de parte do estoque de urânio enriquecido do Irã para fora do país, sob supervisão internacional. Esse material, quando enriquecido a níveis elevados, pode servir de base para a fabricação de armas nucleares. Segundo diplomatas envolvidos, o entendimento em discussão prevê limites claros de pureza do urânio, prazos de envio e verificação rigorosa pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O que está em jogo na entrega de urânio

Desde 2015, quando o Irã aceita restringir seu programa nuclear em troca de alívio de sanções, o grau de enriquecimento do urânio se torna o principal termômetro da crise. Após a saída dos Estados Unidos do acordo em 2018, o país persa retoma etapas sensíveis de seu programa e passa a operar em níveis considerados críticos por especialistas. A possibilidade de retirar parte desse estoque do território iraniano volta ao centro da diplomacia em 2024, mas emperra em detalhes técnicos e garantias políticas.

A nova rodada de negociações, descrita por Rubio como “a mais detalhada em anos”, tenta fechar um cronograma de entrega em fases, com marcos a cada 3 ou 6 meses. Interlocutores ouvidos reservadamente falam em volumes de até algumas centenas de quilos de urânio enriquecido em níveis intermediários, a serem enviados para países terceiros com capacidade de estocagem segura. “Não se trata só de números, mas de confiança. Cada quilo retirado representa um risco a menos de proliferação”, diz um diplomata europeu que acompanha as conversas.

Impacto para o Oriente Médio e a segurança global

O avanço descrito pelo secretário norte-americano ocorre em um momento de forte instabilidade no Oriente Médio, alimentada por disputas regionais e pela desconfiança mútua entre Teerã e seus vizinhos. A redução concreta do estoque de urânio enriquecido tende a aliviar o temor de uma corrida armamentista envolvendo países como Arábia Saudita e Turquia, que já manifestam preocupação com o equilíbrio de forças na região.

Especialistas em não proliferação avaliam que um acordo verificável pode fortalecer os mecanismos criados após a Guerra Fria para limitar o acesso a tecnologia nuclear de uso militar. A AIEA deve ter papel central na checagem de instalações, no controle de selos de segurança e na certificação dos níveis de enriquecimento. “Se o Irã aceita uma supervisão mais intrusiva em troca de garantias econômicas e políticas, isso pode se tornar um novo modelo de negociação para crises futuras”, afirma um pesquisador de temas nucleares ligado a um centro de estudos em Viena.

Repercussões internas e resistência política

Dentro do Irã, qualquer concessão em matéria nuclear costuma enfrentar resistência de alas mais duras do regime, que veem o programa atômico como símbolo de soberania. Lideranças conservadoras já criticam tentativas anteriores de limitação do enriquecimento e alertam para o risco de “humilhação nacional” caso a entrega de urânio seja percebida como imposição externa. O governo iraniano, por outro lado, enfrenta pressão econômica e busca saídas para aliviar sanções que afetam exportações de petróleo e acesso a sistemas financeiros internacionais.

Nos Estados Unidos, Rubio também precisa lidar com um ambiente doméstico polarizado, no qual qualquer entendimento com Teerã é atacado por setores do Congresso. Parlamentares mais céticos exigem garantias de que o Irã não manterá programas paralelos e pedem cláusulas de “retorno automático” de sanções em caso de violação. A Casa Branca tenta equilibrar essas pressões com a promessa de reduzir o risco de novas guerras no Oriente Médio e de reforçar a credibilidade das instituições multilaterais.

Próximos passos e o olhar da comunidade internacional

Diplomatas envolvidos afirmam que as próximas semanas serão decisivas para transformar o “progresso significativo” anunciado por Rubio em texto concreto de acordo. Negociadores discutem rascunhos de documentos que detalham níveis máximos de enriquecimento, destino do material transferido e rotinas de inspeção surpresa. A expectativa é que uma minuta seja apresentada ainda em 2026 às partes diretamente envolvidas e depois submetida à avaliação da AIEA e do Conselho de Segurança da ONU.

O resultado das conversas tende a influenciar não apenas a dinâmica de poder no Oriente Médio, mas também futuras tratativas sobre energia nuclear e segurança global. Um desfecho positivo pode abrir espaço para cooperação econômica e tecnológica entre o Irã e outras potências, enquanto um fracasso pode reacender ameaças de sanções mais duras e até de ações militares. A declaração em Nova Délhi, acompanhada de perto por capitais de todos os continentes, deixa no ar a mesma pergunta para os próximos meses: até que ponto Teerã e Washington estão dispostos a transformar avanço diplomático em compromisso duradouro?

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