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Empresário nos EUA vai à Justiça por controle de ações da SAF Botafogo

O empresário americano David Texor entra na Justiça da Flórida, em junho de 2026, para reivindicar a propriedade de ações da SAF Botafogo. Ele acusa a empresa Eagle de não pagar o valor devido na transferência dos papéis e tenta reverter o controle societário do clube.

Disputa atravessa fronteiras e chega aos EUA

O novo processo amplia a batalha judicial que já se desenrola no Rio de Janeiro e leva a disputa pelo comando da SAF Botafogo para o terreno da Justiça americana. No centro do caso está a alegação de que Texor, apontado como detentor original das ações, não recebe integralmente o que considera seu direito financeiro ao transferir os papéis de pessoa física para a pessoa jurídica Eagle.

A ação em território norte-americano busca o reconhecimento da titularidade das ações e cobra o pagamento de valores que, segundo o empresário, ficaram em aberto na operação societária. O montante em discussão não é divulgado nos autos, mas fontes próximas ao caso falam em cifras de muitos milhões de dólares, suficientes para alterar a correlação de forças na administração da SAF e no dia a dia do futebol alvinegro.

Da disputa no Rio à ofensiva na Flórida

A crise não nasce agora. O conflito começa quando a estrutura da SAF Botafogo é desenhada, com a migração da participação de Texor, como pessoa física, para a Eagle, veículo corporativo criado para concentrar investimentos no clube. O empresário afirma que aceita a operação sob a condição de receber um valor específico pela cessão das ações, com prazo e etapas bem definidos em contrato. Passados os prazos acordados, ele sustenta que parte relevante do pagamento não chega.

O primeiro embate ocorre na Justiça do Rio de Janeiro, onde Texor tenta travar decisões da gestão atual e questiona a forma como o controle da SAF é exercido. A Eagle, por sua vez, defende a regularidade da transferência e argumenta que o acordo é cumprido dentro dos limites legais. Esse impasse jurídico faz o caso escalar e, três anos depois da criação do modelo de clube-empresa no país ganhar força, desemboca na corte da Flórida, estado onde a Eagle mantém vínculos societários e bancários.

No novo processo, os advogados do empresário buscam vincular contratos assinados no Brasil a normas comerciais dos Estados Unidos, numa tentativa de ampliar a capacidade de cobrança e de responsabilização dos gestores da Eagle. O movimento adiciona uma camada internacional à disputa, algo ainda raro nas brigas societárias envolvendo clubes brasileiros. “A discussão deixa de ser apenas sobre um contrato de investimento e passa a envolver quem, de fato, manda na SAF”, resume um advogado que acompanha o caso, sob reserva.

Impacto direto na gestão e no mercado de SAFs

A ação na Flórida aumenta a insegurança em torno da estrutura de poder dentro da SAF Botafogo. A depender da decisão americana, a composição acionária pode ser redesenhada, com reflexos na indicação de executivos, na aprovação de orçamentos anuais e até na estratégia de contratações para a temporada de 2027. Um eventual reconhecimento judicial de que Texor mantém direitos sobre um bloco relevante de ações obrigaria a Eagle a negociar espaço no comando ou a recompor financeiramente o empresário.

Investidores que acompanham o mercado de SAFs veem o caso com atenção redobrada. Desde 2021, quando a lei brasileira abre caminho para clubes-empresa, operações envolvendo venda de 60%, 70% e até 90% das ações tornam-se comuns, com contratos de longo prazo e metas de aporte mínimo em reais e em dólares. A disputa entre Texor e Eagle expõe o ponto mais sensível desse modelo: a confiança de que o fluxo de pagamentos e o respeito a acordos de acionistas serão preservados mesmo após mudanças de gestão.

Especialistas em direito esportivo e societário alertam para o efeito-demonstração da causa. Uma decisão favorável ao empresário, nos Estados Unidos, pode encorajar outros ex-sócios a recorrer a tribunais estrangeiros sempre que identificarem brechas contratuais. “Se a Justiça americana admitir que há inadimplência e interferir no controle de uma SAF brasileira, o mercado inteiro vai reprecificar o risco dessas operações”, avalia um consultor que assessora fundos interessados em clubes de Série A.

Para o Botafogo, o risco imediato não é a paralisação de campeonatos ou a perda de pontos em campo, mas a paralisia decisória. Qualquer dúvida sobre quem manda, quantos por cento de participação cada parte detém e quem responde por novos aportes pode travar contratações, renegociações de dívidas e projetos de infraestrutura. Em um cenário de disputa societária aberta em dois países, cada movimento no mercado passa a ser calculado à luz de possíveis desdobramentos judiciais.

Próximos passos e cenário em aberto

O caso entra na Justiça da Flórida em junho de 2026 e deve seguir o rito local, com prazos que podem se estender por meses até a primeira decisão substantiva. No Brasil, o processo no Rio de Janeiro continua a tramitar, o que abre a possibilidade de decisões divergentes entre as duas jurisdições. Advogados ouvidos avaliam que a Eagle será obrigada a apresentar, em detalhes, o histórico de transferências, comprovantes de pagamento e a cadeia completa de contratos usados na reestruturação da SAF.

Dirigentes e investidores observam o desenrolar dos processos antes de assumir novos compromissos de longo prazo com o clube. A disputa serve de teste para o modelo de clube-empresa no país, ainda jovem e em construção, e coloca sob holofotes a necessidade de contratos mais robustos, governança transparente e mecanismos claros de solução de conflitos. A Justiça americana agora entra em campo, e a questão que permanece é se a batalha nos tribunais vai redesenhar o mapa de poder não apenas no Botafogo, mas em todo o mercado de SAFs no futebol brasileiro.

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