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Eduardo Bolsonaro reage a Zema e ameaça rompimento com o Novo

Eduardo Bolsonaro reage nesta sexta-feira (13) às críticas de Romeu Zema a Flávio Bolsonaro e ameaça rompimento total com o Partido Novo. O deputado defende o irmão, contesta a associação com Daniel Vorcaro e reposiciona o tabuleiro da direita para 2026.

Crítica de Zema acende disputa na direita

A crise ganha corpo depois de uma entrevista de Romeu Zema ao portal Brasil Paralelo. O ex-governador de Minas Gerais diz ter ficado “indignado” com as notícias sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e dispara: “Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela”. A frase circula em grupos políticos e redes sociais ao longo da semana e atinge o coração do bolsonarismo.

Eduardo reage publicamente. Em publicação no X, antigo Twitter, o deputado afirma que Zema ataca o irmão por inveja. “Que postura vagabunda, critica o Flávio apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim rompia geral com o @partidonovo30”, escreve, em mensagem postada na noite de 13 de junho de 2026. Ele também pergunta, em referência a Vorcaro: “E em 2024 quem sabia quem era Vorcaro? E qual era a contrapartida que o Flávio poderia oferecer em 2024, além de sofrer perseguição?”

O embate ocorre em um momento em que a direita tenta organizar uma frente competitiva para a eleição presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro se movimenta como pré-candidato ao Planalto, enquanto Zema, também pré-candidato, busca consolidar sua imagem de gestor liberal e distante de escândalos. Até a semana passada, aliados de Jair Bolsonaro citam o mineiro como favorito para ocupar o posto de vice em uma chapa bolsonarista.

As mensagens mudam esse cenário. A partir das críticas de Zema, o deputado Eduardo passa a defender outro nome para vice: a deputada federal Júlia Zanatta. Em postagem no início da semana, ele destaca “a sua lealdade, pautas que muito bem defende no Congresso e, claro, o esperneio da esquerda”. Na sexta-feira (12), volta ao tema e radicaliza o contraste com o ex-governador mineiro.

Vice em disputa e rachadura com o Partido Novo

Eduardo passa a usar o embate com Zema para discutir o perfil de vice que deseja para Flávio. “Quero ver o Flávio Bolsonaro presidente, alguém querer fazer o impeachment dele para entrar a Júlia Zanatta. Agora, bota um vice igual ao Zema, que você tanto ama, para ver como será…”, escreve. A frase mira diretamente o temor de traições internas, comum em campanhas presidenciais desde a redemocratização de 1985.

O deputado reforça a ideia em outra interação nas redes. “Onde você enxerga voto eu enxergo caráter”, responde a um jornalista, numa tentativa de afastar a discussão dos cálculos eleitorais frios e aproximá-la de uma narrativa moral. O alvo é duplo: Zema, que tenta vender competência técnica, e o próprio Partido Novo, sigla que o bolsonarismo já acusa de “elitista” em outras disputas locais.

A ameaça de rompimento “geral” com o Novo abre uma frente de desgaste para Zema. O partido, que conquista cerca de 2% dos votos nacionais para deputado federal em 2022 e elege uma bancada reduzida, aposta em alianças com setores da direita para crescer em 2026. Um veto explícito do clã Bolsonaro compromete a estratégia e afasta parte do eleitorado mais radical, que ainda orbita em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Zema tenta, por sua vez, sustentar o discurso de que age em defesa da “credibilidade”. Em outra declaração, dada em entrevista coletiva após participação na Marcha dos Municípios, o mineiro reafirma o incômodo com as mensagens vazadas entre Flávio e Vorcaro. “Precisamos de um presidente com credibilidade. Mesmo morando na mesma cidade do banqueiro bandido, nunca tive uma reunião com ele”, diz. E emenda: “Minha forma de atuar é o oposto do que ele [Vorcaro] pratica. Até estranho que ele nunca tenha procurado o governo de Minas”.

A CNN procura a assessoria de Romeu Zema para comentar a reação de Eduardo e o risco de ruptura com o bolsonarismo, mas não obtém resposta até a conclusão deste texto. Zema é hoje um dos principais nomes da terceira via liberal e tenta se diferenciar tanto da esquerda quanto do próprio ex-presidente, mesmo dependendo de parte do mesmo eleitorado de direita.

Alianças em xeque e pressão para 2026

As trocas de acusações expõem uma fragilidade que interlocutores do campo conservador tentam esconder há meses. A direita que chega às eleições municipais de 2024 ainda dividida agora entra em 2026 sob ameaça de fratura entre bolsonaristas raiz e liberais do Novo. O episódio empurra o PP, o PL e outras siglas do centrão a recalcular apoios, em um cenário em que tempo de TV, fundos partidários e palanques estaduais tornam-se decisivos.

Dirigentes do PP, que já falam em “probabilidade zero” de o partido abandonar Flávio, veem na fala de Zema um entrave para qualquer composição futura entre as legendas. A leitura é que o mineiro tenta se credenciar como candidato competitivo sem o carimbo do bolsonarismo, enquanto o senador do PL se ancora na base fiel do pai e em alianças com partidos de centro. A escolha do vice, antes tratada como detalhe, passa a ser símbolo dessa disputa de projetos.

O novo protagonismo de Júlia Zanatta na discussão reforça o peso da bancada ideológica no Congresso. Aos 35 anos, a deputada se projeta como voz alinhada ao discurso mais duro da direita em temas como porte de armas, costumes e combate à esquerda. A defesa de Eduardo indica que a campanha de Flávio deve apostar menos em um aceno moderado ao centro e mais na consolidação do núcleo bolsonarista, ainda majoritário em estados-chave como Rio de Janeiro, Santa Catarina e partes do interior de São Paulo.

A escalada retórica também atinge a percepção do eleitorado sobre ética e alianças políticas. A associação entre Flávio e Vorcaro, ainda cercada de dúvidas sobre qual seria a contrapartida concreta, vira munição para adversários internos e externos. Já o uso do termo “bandido” por Zema para se referir ao banqueiro amplia o tom de confronto e força o senador a reforçar a narrativa de perseguição judicial e midiática, recorrente desde 2019.

Definição de chapas e risco de fragmentação

As próximas semanas tendem a mostrar se a ameaça de Eduardo de romper com o Partido Novo será levada ao limite ou usada como pressão para reposicionar Zema. A janela de negociações para 2026 se fecha de forma mais concreta a partir do primeiro semestre de 2025, quando partidos começam a formalizar alianças estaduais e a testar chapas presidenciais em pesquisas qualitativas.

Enquanto isso, o campo bolsonarista precisa decidir se aposta em uma frente ampla à direita ou em uma candidatura pura, apoiada apenas em PL, PP e aliados mais próximos. A escolha do vice de Flávio, seja Júlia Zanatta, Zema ou outro nome, passa a ser um termômetro da capacidade de acomodar interesses divergentes. A pergunta que fica é se a direita conseguirá transformar essa disputa interna em unidade eleitoral ou se chegará a 2026 fragmentada, abrindo espaço para adversários que hoje observam a briga do lado de fora.

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