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Defesa de Jairinho diz que Henry chegou vivo ao hospital

Os advogados de Jairo Souza Santos, o ex-vereador Jairinho, afirmam neste 1º de junho de 2026, no Rio, que o menino Henry teria chegado vivo ao hospital. A tese, baseada em argumento médico sobre uma suposta coagulação espontânea da lesão no fígado, tenta afastar a laceração hepática como causa imediata da morte.

Defesa tenta desmontar causa oficial da morte

No julgamento que mobiliza o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, a defesa sustenta que a lesão no fígado de Henry não provoca morte instantânea. Advogados afirmam que o órgão poderia ter gerado um coágulo interno, capaz de conter temporariamente o sangramento. O objetivo é minar o laudo pericial que vincula a laceração hepática ao óbito e abrir brecha para outras hipóteses sobre o momento e a dinâmica da morte.

A narrativa confronta diretamente a versão construída desde 2021 pelo Ministério Público e por peritos oficiais. Segundo o processo, a criança sofre agressões em casa e chega ao hospital já sem vida. A defesa agora tenta recontar os minutos finais do menino, sugerindo que haveria janela de intervenção médica. Ao insinuar que Henry teria sinais vitais na chegada, os advogados buscam deslocar parte do foco das suspeitas sobre Jairinho para a cadeia de atendimento posterior.

Julgamento sob forte pressão pública

O caso Henry se transforma em um dos processos criminais mais acompanhados do país ao longo dos últimos cinco anos. A morte do menino, de 4 anos, expõe debates sobre violência doméstica, desigualdade de poder entre adultos e crianças e falhas de proteção institucional. No plenário, cada nova tese técnica reverbera fora do fórum, alimenta discussões nas redes sociais e acirra a divisão entre quem já condena moralmente o réu e quem cobra rigor absoluto na análise das provas.

Advogados de defesa afirmam em plenário que “a medicina não é exata” e que a evolução de uma lesão hepática pode variar de paciente para paciente. Com esse discurso, tentam introduzir margem de dúvida na cabeça dos jurados, que formam um colegiado leigo, mas pressionado por anos de cobertura intensa do caso. Promotores, por outro lado, tratam a nova linha como tentativa de reescrever fatos consolidados em laudos oficiais e reforçam que o conjunto das lesões do menino aponta para agressões incompatíveis com acidente doméstico.

Disputa pericial deve marcar próximos dias

O argumento sobre a suposta coagulação espontânea da lesão no fígado abre espaço para uma guerra de pareceres. Peritos oficiais e assistentes técnicos, ligados tanto à acusação quanto à defesa, devem ser ouvidos ao longo dos próximos dias de sessão. A tendência é que o julgamento se concentre em detalhes de exames, tempo de sangramento interno e capacidade de sobrevida em casos similares. Nessas horas, cada minuto entre a suposta agressão e a chegada ao hospital ganha peso político e emocional.

Especialistas em direito penal avaliam que a nova tese não altera, por si só, o núcleo da acusação, mas pode influenciar a percepção sobre o grau de responsabilidade de cada envolvido. Se os jurados aceitarem a possibilidade de que Henry ainda estivesse vivo ao dar entrada no pronto-atendimento, cresce o espaço para questionamentos sobre protocolos médicos, fluxo de atendimento e eventuais omissões. A acusação, entretanto, insiste que a causa primária permanece a mesma: lesões graves, incompatíveis com uma queda banal, sofridas dentro do apartamento.

O que está em jogo no veredicto

O julgamento testa a confiança da sociedade na capacidade do sistema de Justiça de responder com firmeza a casos de violência contra crianças. Ao colocar em dúvida a causa imediata da morte, a defesa tenta reposicionar o réu como alvo de uma narrativa acusatória construída sob forte pressão midiática desde 2021. A cada nova sessão, o plenário se torna palco de uma disputa que mistura linguagem técnica, emoção e símbolos de proteção à infância.

O Tribunal do Júri precisa decidir, com base em provas produzidas ao longo de mais de cinco anos, se Jairinho é culpado pela morte de Henry e em que medida. A tese de que o menino teria chegado vivo ao hospital deve ser confrontada com prontuários, exames, registros de horário e testemunhos de profissionais de saúde. O resultado não encerra apenas um processo criminal emblemático. Define também que tipo de mensagem o país envia sobre responsabilidade adulta, escuta de sinais de alerta e limites da dúvida razoável quando uma criança morre em circunstâncias violentas.

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