Cruzeiro vence a Chape no Mineirão e respira no Brasileirão
O Cruzeiro vence a Chapecoense por 2 a 1 neste domingo (24), no Mineirão, e afasta parte da pressão no Brasileirão. Kaio Jorge e Luis Sinisterra marcam, enquanto João Paulo desconta para os catarinenses.
Cruzeiro se impõe cedo e controla o jogo
O Mineirão recebe pouco mais de 40 mil torcedores em clima de urgência. A equipe de Artur Jorge entra em campo pressionada pela oscilação recente no Campeonato Brasileiro, mas encontra uma Chapecoense ainda mais aflita, na lanterna com apenas nove pontos em 16 rodadas.
O Cruzeiro entende o cenário e assume o controle desde o início. Aos oito minutos, Kenji finaliza forte de dentro da área e obriga Anderson a fazer a primeira grande defesa da noite. A jogada funciona como aviso de que os donos da casa não pretendem administrar o empate.
Kaiki Bruno aparece na sequência, aos 16, arriscando de fora da área. A bola passa perto, mas reforça a sensação de domínio mineiro. A Chapecoense tenta esfriar o jogo, recua as linhas e aposta em contra-ataques isolados, quase sempre neutralizados ainda no meio-campo.
Aos 25 minutos, o Cruzeiro transforma a pressão em vantagem. Matheus Pereira invade a área e é derrubado por Rafael Carvalheira. O árbitro aponta imediatamente para a marca do pênalti, sob forte reclamação dos catarinenses. Kaio Jorge assume a responsabilidade, bate firme, sem firula, e abre o placar. É o 12º gol do centroavante na temporada, número que confirma o protagonismo do jovem atacante em 2026.
O gol não desacelera o ritmo cruzeirense. Aos 34, Kauã Moraes vai à linha de fundo e encontra Sinisterra livre na área. O colombiano finaliza para o gol, mas a arbitragem anula o lance por falta de Kauã em Marcinho na origem da jogada. A frustração dura pouco, porque o time segue empurrando a Chape para o próprio campo.
Kenji ainda perde ótima chance nos acréscimos do primeiro tempo. Ele recebe passe em profundidade de Kaio Jorge, finaliza cruzado e para em nova intervenção segura de Anderson. O intervalo chega com sensação de vantagem curta para o que o Cruzeiro produz, mas também com um alerta: a Chapecoense segue viva no jogo.
Sinisterra volta a marcar e Chapecoense reage
O segundo tempo começa com o Cruzeiro repetindo o roteiro. Sinisterra, mais participativo, testa o goleiro rival logo nos primeiros minutos, em chute forte defendido por Anderson. O colombiano demonstra ansiedade para encerrar um jejum que dura desde novembro do ano passado.
Aos 28, ele exagera na força e manda por cima da meta. No lance seguinte, porém, o cenário enfim muda. Kaio Jorge abre pela direita, Christian recebe e rola na medida para Sinisterra, que chega batendo de primeira. A bola entra rasteira, no canto, e o placar salta para 2 a 0. O gol vale mais que a simples ampliação da conta. Para Sinisterra, é o fim de meses de espera; para o Cruzeiro, é o alívio de uma atuação dominante refletida no marcador.
A Chapecoense, contudo, recusa o papel de coadjuvante. O técnico ajusta a postura ofensiva, empurra a equipe à frente e encontra espaços na defesa mineira, que relaxa após o segundo gol. Em cobrança de falta pela esquerda, Bruno Pacheco cruza na medida, e João Paulo sobe mais que a marcação para diminuir de cabeça. O relógio marca a reta final da partida, e o jogo, que parecia tranquilo, ganha contornos de drama.
O gol mexe com o ambiente no Mineirão. A torcida, que canta em clima de festa, passa a acompanhar cada lance com apreensão. O Cruzeiro recua alguns metros, tenta cadenciar a bola, mas se expõe a erros na saída de jogo. Em uma dessas falhas, a Chapecoense quase estraga a noite celeste.
Depois de uma saída equivocada da defesa mandante, Yannick Bolasie recebe dentro da área e manda para o gol, já nos minutos finais. A vibração catarinense dura pouco. O lance é revisado, e a arbitragem anula o empate por participação de Jean Carlos, em posição irregular. A decisão provoca nova onda de protestos visitantes e funciona como último aviso para o Cruzeiro retomar a concentração.
Otávio assume então papel de protagonista silencioso. O goleiro celeste faz duas defesas decisivas, em finalizações de Bolasie e Higor Meritão, e mantém o placar. A Chapecoense ainda vê um possível pênalti ser marcado e depois cancelado por impedimento no início da jogada. O apito final confirma a vitória por 2 a 1 e transforma o Mineirão em desabafo coletivo.
Vitória alivia pressão e projeta Libertadores
O resultado representa mais que três pontos. O Cruzeiro alcança a sexta vitória no Brasileirão e sobe na tabela, afastando momentaneamente o risco de se aproximar da zona de rebaixamento e mantendo viva a meta de uma campanha sólida em 2026. A equipe passa a mensagem de que consegue administrar vantagem e suportar pressão, ainda que com sustos desnecessários no fim.
Kaio Jorge reforça a condição de referência ofensiva, com 12 gols na temporada, e assume protagonismo em jogos decisivos. Sinisterra, ao voltar a marcar após mais de cinco meses, ganha confiança e oferece a Artur Jorge uma alternativa mais agressiva pelos lados do campo. O treinador, que convive com críticas pelas oscilações no torneio nacional, encontra na atuação deste domingo argumentos para defender o projeto em andamento.
Na outra ponta, a Chapecoense sai de Belo Horizonte com mais dúvidas do que respostas. O time soma nove pontos em 16 rodadas, permanece na lanterna e vê a permanência na elite ficar mais distante a cada tropeço. A reação no segundo tempo, com pressão até o fim, indica força emocional, mas expõe também a dificuldade em transformar esforço em pontos.
O calendário não oferece muito tempo para lamentos. O Cruzeiro volta a campo na quinta-feira (28), às 21h30, novamente no Mineirão, para enfrentar o Barcelona de Guayaquil pela Libertadores. O clube depende apenas de si para avançar ao mata-mata, cenário que aumenta o peso da noite e dá à vitória sobre a Chapecoense um papel de trampolim emocional.
A Chapecoense mira agora a semifinal da Copa Sul-Sudeste, contra o Novorizontino, na quarta-feira (27), às 19h. O torneio regional surge como oportunidade para recuperar confiança e testar soluções em meio à luta contra o rebaixamento no Brasileiro. A pergunta que fica após o jogo em Belo Horizonte é se a reação tardia no Mineirão será lembrada como ponto de virada ou como mais um sinal de uma campanha que não consegue sair do lugar.
