Esportes

Corinthians recebe Atlético-MG em jogo-chave contra o rebaixamento

Corinthians e Atlético-MG se enfrentam neste domingo (24), às 18h30, na Neo Química Arena, pela 17ª rodada do Brasileirão. O time paulista entra em campo pressionado para se afastar da zona de rebaixamento antes da pausa para a Copa do Mundo, enquanto o clube mineiro administra prioridades entre o campeonato nacional e a Copa Sul-Americana.

Corinthians joga para respirar antes da pausa

O clima em Itaquera é de decisão, apesar de o calendário ainda apontar o meio do campeonato. Em 16º lugar, com 18 pontos somados em 16 jogos, o Corinthians ocupa hoje a primeira posição fora do Z-4. Uma vitória diante do Atlético pode transformar uma rotina de cobranças em algum fôlego para as quase oito semanas de interrupção do torneio durante a Copa do Mundo.

O recorte recente na Libertadores contrasta com a instabilidade doméstica. Sob o comando de Fernando Diniz, o time já garante vaga nas oitavas de final e carrega sequência invicta na competição continental. São cinco jogos de fase de grupos sem derrota, com três vitórias, dois empates, oito gols marcados e apenas dois sofridos. Essa consistência ainda não aparece com a mesma força no Brasileirão, onde o time alterna atuações e acumula tropeços que o empurram para a parte de baixo da tabela.

O ataque é o problema mais visível. O Corinthians tem o pior desempenho ofensivo do campeonato, com só 14 gols marcados em 16 rodadas. A ausência prolongada de Memphis Depay, que volta a adiar o retorno no último mês de contrato, limita alternativas de criação e finalização. A situação de Yuri Alberto amplia a incerteza. Principal referência na área, o centroavante vive má fase, perdeu chances importantes inclusive na Libertadores e encara um futuro em aberto com a aproximação da próxima janela de transferências.

Nos bastidores, a diretoria tenta blindar o elenco antes da parada. Jogadores e comissão técnica repetem o discurso de “virada de chave” no Brasileiro, depois de um início abaixo do esperado. O desempenho sólido da defesa sob Diniz, que já se reflete na Libertadores, vira argumento para sustentar a ideia de que o time pode reagir. As atuações recentes de Rodrigo Garro reforçam esse quadro. O meia volta a ser protagonista na articulação, se apresenta para o jogo e ajuda a equilibrar um setor que oscilou desde o início da temporada.

Atlético administra time misto e calendário apertado

O Atlético-MG chega a São Paulo em situação mais confortável na tabela, mas com a cabeça dividida. Em 10º lugar no Brasileirão, o clube mineiro soma campanha que o deixa a apenas três pontos do São Paulo, primeiro integrante do G-4. A distância curta permite mirar a parte de cima, mas o calendário empurra outra prioridade imediata: a sobrevivência na Copa Sul-Americana.

Sob o comando de Eduardo Domínguez, o time reage no torneio continental. A vitória por 2 a 0 sobre o Cienciano, em casa, recoloca o Atlético na briga direta pela classificação às oitavas. O Galo chega à última rodada do Grupo B empatado com sete pontos com o próprio Cienciano e o Puerto Cabello. O duelo contra os venezuelanos, na quarta-feira (27), vira jogo de mata-mata disfarçado de fase de grupos. Vencer significa avançar; qualquer tropeço pode encerrar a campanha internacional.

O peso desse compromisso deve se refletir na escalação em Itaquera. Domínguez avalia a utilização de um time misto contra o Corinthians para preservar titulares para a decisão da Sul-Americana. A escolha tem custo técnico, mas faz parte de uma lógica comum no futebol brasileiro, em que treinadores precisam equilibrar desgaste físico, viagens e pressão por resultados em mais de um torneio ao mesmo tempo.

Mesmo com possíveis mudanças, o Atlético tenta manter a estabilidade que constrói desde a chegada do treinador argentino. Jogadores acostumados a minutos menores ganham espaço e veem no duelo em São Paulo uma chance de se firmar. Cada ponto somado fora de casa permite ao clube mineiro se manter colado no grupo da frente e atravessar o período pré-Copa com margem para disputar vaga direta na próxima Libertadores.

Pressão, transmissão em TV aberta e o que está em jogo

A partida entra na grade da RECORD, com transmissão exclusiva na TV aberta a partir das 18h30. O pré-jogo começa às 17h30, no R7 e no RecordPlus, sob o comando de Zé Luiz e do grupo Desimpedidos. A exposição nacional amplia o peso do resultado para os dois clubes. Torcedores do Corinthians voltam a encher a Neo Química Arena em um cenário em que cada falha é rapidamente amplificada por redes sociais e programas esportivos.

Para o time paulista, um triunfo neste domingo representa mais do que três pontos. A equipe pode abrir distância mínima em relação à zona de rebaixamento e atravessar a pausa com ambiente controlado no CT. Em caso de derrota ou empate, especialmente diante de um adversário com escalação mista, a crise tende a se aprofundar. A discussão sobre o rendimento do ataque, o futuro de Yuri Alberto e a falta de peças de reposição ganha novo fôlego em meio ao mercado de meio de ano.

No Atlético, o impacto é mais tático do que emocional. Um bom resultado em São Paulo, mesmo com rodízio de titulares, consolida a ideia de elenco competitivo e dá tranquilidade extra para a decisão de quarta pela Sul-Americana. Uma atuação ruim, por outro lado, reabre o debate sobre a escolha de poupar jogadores em um momento em que o clube ainda disputa posição no bloco de cima do Brasileiro.

O encontro em Itaquera olha para além dos 90 minutos. Corinthians e Atlético se medem num ponto de inflexão da temporada, em que cada clube testa seu plano para atravessar um calendário comprimido. A tabela do Brasileirão se congela por quase dois meses com a Copa do Mundo, mas a percepção sobre cada campanha não pausa. O resultado desta noite ajuda a desenhar qual dos dois volta da parada sob pressão e qual retoma o campeonato com a sensação de ter aproveitado o tempo a favor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *