Corinthians mira 2ª melhor campanha da Libertadores contra Platense
O Corinthians enfrenta o Platense nesta quarta-feira (27), às 21h30, na Neo Química Arena, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores. Já classificado e líder do Grupo E, o time de Fernando Diniz entra em campo para tentar garantir uma das melhores campanhas gerais do torneio continental enquanto o rival argentino joga a sobrevivência na competição.
Neo Química vira palco de disputa por campanha e sobrevivência
A noite em Itaquera coloca em lados opostos um Corinthians que pensa no mata-mata e um Platense que joga o futuro imediato na Libertadores. O time paulista soma 11 pontos e pode chegar a 14 com uma vitória, resultado que o mantém na briga pela segunda melhor campanha geral da fase de grupos. A posição ganha peso depois da vitória do Flamengo e da derrota do Mirassol nesta terça-feira (26), que redesenham o topo da tabela e abrem espaço para o avanço corintiano em caso de tropeços de Independiente Rivadavia e Rosario Central.
O cenário mexe diretamente com o planejamento técnico e esportivo do clube. Uma campanha entre as melhores garante a vantagem de decidir em casa os confrontos até, pelo menos, as semifinais, dependendo do cruzamento. A Neo Química Arena, onde o Corinthians constrói boa parte de seus resultados internacionais desde 2012, vira ativo estratégico em uma fase de mata-mata que costuma ser decidida em detalhes.
Do lado argentino, o clima é de pressão. O Platense chega à última rodada na segunda posição do Grupo E, com 7 pontos, e não depende apenas de si para avançar. Uma derrota em São Paulo combinada com vitória do Independiente Santa Fe sobre o eliminado Peñarol, no Uruguai, elimina a equipe dirigida por Walter Adrian Zunino. O clube encara o jogo como uma espécie de final antecipada, com risco esportivo e financeiro em caso de queda precoce.
Diniz equilibra ambição na Libertadores e urgência no Brasileirão
A partida acontece em meio a um calendário comprimido e a um Brasileirão que cobra atenção. O Corinthians ocupa a 15ª colocação na tabela nacional, com 21 pontos, e ainda olha com preocupação para a zona de rebaixamento às vésperas da pausa para a Copa do Mundo. No sábado (30), o time visita o Grêmio, em Porto Alegre, pela 18ª rodada, em confronto direto para ganhar fôlego antes da interrupção do campeonato.
Fernando Diniz administra esse tabuleiro desde a vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG, no fim de semana, que trouxe alívio, mas não mudou o diagnóstico de um time que ainda oscila. Depois do jogo, o elenco se reapresenta no CT Joaquim Grava com rotina conhecida: titulares que atuam por mais de 45 minutos fazem trabalho regenerativo interno, enquanto reservas e atletas com menos minutos vão a campo em treino coletivo, reforçado por jovens da base para completar as equipes.
O treinador conta com apenas dois dias cheios de preparação antes de encarar o Platense, o que torna a gestão física uma obsessão. A liderança já assegurada no grupo abre espaço para mudanças na escalação, ideia que o técnico estuda para minimizar o desgaste de peças que acumulam minutos no Brasileirão. A prioridade é sair da maratona de jogos com o elenco inteiro para o duelo com o Grêmio, sem abrir mão da chance de melhorar a posição geral na Libertadores.
Uma das novidades mais aguardadas é o retorno de Memphis Depay entre os titulares. O holandês, uma das principais contratações da temporada, volta a ganhar espaço após período fora do time principal. A provável escalação tem Hugo Souza; Pedro Milans, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Fabrizio Angileri; Allan, Raniele, Matheus Pereira e Rodrigo Garro; Lingard (ou Labyad) e Memphis Depay. A formação indica um meio-campo técnico e ofensivo, com meias capazes de organizar o jogo e dois atacantes móveis na frente.
No Platense, a realidade é outra. O departamento médico interfere diretamente nas escolhas de Zunino. Franco Minerva, Gonzalo Goñi, Marcos Portillo e Victor Cuesta aparecem como desfalques e reduzem as opções de rotação em uma reta final de grupo em que cada substituição pesa. A provável escalação argentina tem Matías Borgogno; Agustín Lagos, Ignacio Vázquez, Mateo Mendia e Tomás Silva; Ivan Gomez, Maximiliano Amarfil, Ferreira e Franco Zapiola; Guido Mainero e Gonzalo Lencina.
Vantagem em casa, milhões em jogo e tabelas em efeito dominó
A disputa pela campanha geral envolve mais do que o conforto de decidir em casa. Em torneios como a Libertadores, a combinação de mando de campo e sequência de jogos em estádio próprio costuma refletir em bilheteria mais alta, ambiente favorável e pressão adicional sobre adversários sul-americanos pouco acostumados com a Neo Química Arena cheia. Um Corinthians com 14 pontos entra no mata-mata com peso maior na balança dos cruzamentos.
O Platense enxerga outro tipo de prêmio. A classificação às oitavas significa continuidade na vitrine continental, negociação de direitos de transmissão, bônus contratuais e valorização de elenco. Uma eliminação ainda na fase de grupos, diante de um rival já garantido na liderança, tende a ser cobrada por torcida e direção, principalmente em um cenário em que o Peñarol, adversário direto do Santa Fe, já chega eliminado e pode aliviar a vida do concorrente colombiano.
A arbitragem venezuelana, com Alexis Herrera no apito, Alberto Ponte e Erizon Nieto nas bandeiras e Reyes Soto no comando do VAR, tenta manter o jogo sob controle em um ambiente de interesses distintos. A pressão por resultado recai mais sobre os argentinos, mas uma atuação ruim do Corinthians em casa, mesmo classificado, reacende dúvidas sobre o momento do time às vésperas do mata-mata.
O contexto doméstico também entra na conta. Um tropeço em Itaquera pode desgastar Diniz e aumentar o ruído em torno da estratégia de poupar ou escalar força máxima às vésperas do jogo com o Grêmio. Um bom desempenho com time misto, por outro lado, reforça a ideia de elenco mais profundo e dá confiança para a reta final antes da pausa do Brasileirão.
Libertadores em foco, Brasileirão no retrovisor
O Corinthians entra em campo com uma equação clara: garantir a segunda melhor campanha geral, ou ao menos se manter entre os melhores, para usar a Neo Química Arena como trunfo nas próximas fases. A convicção de que decidir em casa pesa segue forte no clube desde campanhas recentes em torneios de mata-mata, em que a atmosfera em Itaquera influencia o ritmo do jogo e a postura dos adversários.
O Platense joga a presente e o futuro em 90 minutos. Uma vitória em São Paulo pode representar a manutenção do projeto esportivo da temporada e a chance de enfrentar um gigante sul-americano nas oitavas. Uma derrota, combinada com resultado paralelo no Uruguai, abre uma interrogação sobre o caminho do clube em 2026. Para o Corinthians, a noite desta quarta-feira encerra a fase de grupos, mas também inicia um novo capítulo: o de testar até onde a combinação de ambição continental e sobrevivência no Brasileirão pode levar o time de Fernando Diniz até o fim do ano.
