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Copa de 2026 começa com três aberturas em México, Canadá e EUA

A Copa do Mundo de 2026 começa oficialmente entre quinta (11) e sexta-feira (12) com jogos e cerimônias de abertura em México, Canadá e Estados Unidos. Os três anfitriões estreiam em casa e dividem o centro das atenções na primeira edição do torneio com 48 seleções e 104 partidas.

Três anfitriões, três palcos de estreia

O Mundial abre na quinta-feira (11), na Cidade do México, com México x África do Sul no Estádio Azteca. A partida inaugura em campo a Copa mais inchada da história, com 12 grupos e jogos distribuídos por três países-sede. Antes da bola rolar, o estádio recebe a primeira cerimônia oficial de abertura, que mistura discursos protocolares e um show desenhado para marcar o protagonismo latino.

A festa mexicana traz uma programação musical ampla e aposta em artistas de apelo global. A colombiana Shakira, ligada à memória coletiva das Copas desde “Waka Waka” em 2010, volta ao palco do Mundial como uma das principais atrações. O Azteca, símbolo de duas finais de Copa em 1970 e 1986, se transforma mais uma vez em vitrine do futebol e da cultura da região, agora em um formato que tenta conversar com uma audiência ainda maior, dentro e fora dos estádios.

Menos de 24 horas depois, o centro da cena se desloca para o Canadá. Em Toronto, a seleção canadense estreia na sexta-feira (12) contra a Bósnia e Herzegovina, em jogo marcado para as 16h (horário de Brasília). A segunda cerimônia oficial de abertura começa às 14h30 e reforça a vitrine multicultural do país. O palco reúne Alanis Morissette, Alessia Cara, Elyanna, Jessie Reyez, Michael Bublé, Nora Fatehi, Sanjoy, Vegedream e William Prince, em um roteiro que coloca artistas de diferentes origens sob a mesma bandeira.

No mesmo dia, o ciclo se completa em Los Angeles. A terceira e última cerimônia de abertura acontece no início da noite de Brasília, às 20h30, como prévia de Estados Unidos x Paraguai, marcado para as 22h. O palco californiano escala Katy Perry, Anitta, LISA, Rema, Tyla e Future, em uma combinação de pop, rap e música latina que mira tanto o público local quanto o global. A presença de Anitta reforça o peso comercial do mercado brasileiro, mesmo antes de a seleção entrar em campo.

Formato inédito muda escala da Copa

A edição de 2026 rompe com duas tradições ao mesmo tempo. O torneio deixa o formato de 32 seleções, em vigor desde 1998, e passa a reunir 48 times, divididos em 12 grupos. A competição também passa a ser sediada por três países de forma simultânea, algo inédito em quase um século de história da Copa. A escolha de México, Canadá e Estados Unidos amplia o alcance geográfico do evento e reorganiza a logística de torcedores, delegações e imprensa.

A decisão de criar três cerimônias de abertura segue essa lógica de expansão. Em vez de um único espetáculo concentrado no país-sede principal, a Fifa reparte a vitrine inicial entre os três anfitriões. A estratégia busca reforçar a presença simbólica de cada país no torneio e oferecer produtos audiovisuais diferentes para plataformas de TV aberta, fechada e streaming, hoje responsáveis por fatias crescentes da receita do futebol internacional.

A Copa também se torna mais longa. O calendário passa a somar 104 partidas, contra 64 jogos no formato anterior, o que representa um aumento de 62,5% no número de confrontos. Esse salto redistribui receitas de bilheteria, venda de direitos de transmissão e publicidade. Cidades-sede em três países disputam atenção, turistas e investimentos, enquanto marcas globais adaptam campanhas para três mercados com perfis culturais e regulatórios distintos.

Para o México, a abertura em casa consolida um raro tricampeonato fora de campo. O país entra para o grupo de anfitriões de três Copas, ao lado de Estados Unidos (que completa o trio agora) e de nenhum outro até aqui. Já o Canadá vive apenas sua segunda participação em Mundiais masculinos, agora como anfitrião, e usa a cerimônia em Toronto para reforçar a imagem de país diverso e aberto. Os Estados Unidos retomam o comando de uma Copa 32 anos após 1994 e miram uma geração que já cresceu consumindo futebol em ligas locais e plataformas digitais.

Impacto esportivo, econômico e cultural

A multiplicação de sedes e seleções altera a dinâmica esportiva. Federações de médio porte, que antes tinham poucas chances de classificação, ganham espaço no novo desenho com 48 vagas. A fase de grupos se torna mais ampla e diluída, com risco de jogos menos decisivos no início, mas abre janelas para estreias históricas e campanhas-surpresa. Ao mesmo tempo, o volume de deslocamentos aumenta e testa o planejamento físico das seleções, que precisam lidar com fusos, viagens longas e climas variados entre América do Norte e Caribe.

Na prática, o torneio injeta recursos em turismo, hotelaria, transporte e entretenimento ao longo de várias semanas. Governos locais projetam ocupação elevada em grandes centros urbanos e buscam estender o fluxo de visitantes para além das cidades que recebem partidas. Patrocinadores intensificam ativações em espaços públicos e fan fests, que passam a operar em três frentes simultâneas, muitas vezes com programações próprias e artistas locais.

A divisão dos direitos de transmissão no Brasil segue essa fragmentação. Aberturas e jogos estão espalhados por diferentes emissoras e plataformas digitais, que brigam por audiência em horários estratégicos. A multiplicidade de janelas tenta alcançar desde o torcedor que ainda liga a TV aberta até o público que acompanha lances e bastidores pelo celular, em tempo real. A Copa se consolida como produto multiplataforma e pressiona o mercado nacional a acelerar modelos de assinatura, pay-per-view e conteúdo sob demanda.

Para a Seleção Brasileira, o Mundial começa dois dias depois da festa inicial. O time estreia em 13 de junho, pelo Grupo C, com calendário da primeira fase já definido e expectativa de disputar, mais uma vez, o protagonismo esportivo em um palco agora ainda mais competitivo. A caminhada se desenvolve em meio a uma Copa que mistura estádios lotados, superproduções musicais e uma disputa global por atenção de telas.

Próximos passos e legado em disputa

As primeiras 48 horas da Copa de 2026 servem como teste para o novo modelo. Três aberturas sucessivas expõem a capacidade de coordenação entre federações locais, Fifa, cidades-sede e empresas de mídia. Qualquer problema de transmissão, segurança ou logística ganha repercussão imediata e alimenta o debate sobre os limites de expansão do torneio.

O legado desse Mundial ainda está em aberto. A resposta de torcedores, jogadores e anunciantes ao formato com 48 seleções e três anfitriões vai orientar as próximas decisões da Fifa e de outras entidades esportivas. Se o modelo conseguir equilibrar espetáculo, competitividade e organização, a Copa de 2026 tende a se tornar referência para megaeventos globais. Se a experiência se mostrar cansativa ou desigual, a pergunta sobre até onde a Copa pode crescer continuará no centro da discussão quando a bola parar de rolar.

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