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Conmebol decreta W.O., pune Medellín e Flamengo lidera grupo na Libertadores

A Conmebol decreta W.O. a favor do Flamengo após a interrupção do jogo contra o Independiente Medellín, em 7 de maio, na Colômbia, e aplica punições duras ao clube colombiano. A decisão confirma vitória por 3 a 0 para o rubro-negro e garante a liderança do Grupo A com uma rodada de antecedência.

Decisão transforma confusão em resultado de campo

O tribunal disciplinar da Conmebol conclui que o Independiente Medellín é o responsável direto pelo cancelamento da partida no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín. A entidade aponta falhas graves de segurança e uso de violência por parte da torcida local como motivos para interromper o confronto logo nos primeiros minutos.

O artigo 24.2 do Código Disciplinar prevê que, quando o mandante não assegura condições mínimas para o jogo, a equipe visitante vence por 3 a 0. Com esse desfecho administrativo, o Flamengo chega a 13 pontos no Grupo A e não pode mais ser alcançado, mesmo com uma rodada ainda por disputar.

O episódio altera o desenho da chave da Libertadores. O time brasileiro, que já convive com calendário apertado e atletas convocados para seleções, ganha respiro inesperado na briga pela classificação. A equipe volta ao campo pela competição continental na próxima terça-feira, 26 de maio, contra o Cusco, no Maracanã.

A Conmebol tenta, ao mesmo tempo, dar uma resposta rápida ao caos nas arquibancadas de Medellín. A decisão mira não só o resultado de uma partida, mas o recado político de que atos violentos em estádios terão custo esportivo e financeiro alto.

Violência em Medellín leva a punições severas ao clube colombiano

O jogo de 7 de maio começa cercado por tensão. Antes mesmo da entrada dos times em campo, torcedores do Independiente Medellín, em grande parte vestidos de preto, atiram objetos ao gramado. Um jornalista é atingido ainda no aquecimento, em meio a gritos de protesto contra a diretoria e a má fase da equipe.

Quando a bola rola, o clima explode de vez. Barricadas de metal são arrancadas e lançadas para dentro do campo. Parte da arquibancada pega fogo, enquanto torcedores invadem o gramado e avançam em direção ao setor de transmissão. Diante do cenário, o árbitro venezuelano Jesús Valenzuela manda os jogadores para os vestiários e a partida não é retomada.

Uma faixa com a frase “Transformaram o campo em um cemitério” sintetiza o tom do protesto, direcionado sobretudo ao acionista majoritário do clube, Raúl Giraldo. A insatisfação atinge também jogadores, federação colombiana, Conmebol e até a Fifa, apontados como cúmplices de uma gestão considerada desastrosa pela organizada local.

O tribunal da Conmebol entende que o Medellín falha em garantir segurança à delegação visitante, aos profissionais de imprensa e ao próprio público presente. Como consequência, determina que o clube atue com portões fechados pelos próximos cinco jogos como mandante em competições organizadas pela entidade. Apenas delegações, credenciados, equipe de transmissão, segurança, funcionários e pessoas autorizadas podem acessar o estádio nesse período.

A sanção se estende também aos deslocamentos do time. Torcedores do Medellín ficam proibidos de acompanhar a equipe nos dois próximos jogos como visitante em torneios da Conmebol. A medida leva em conta inclusive uma partida já disputada sem público, resultado de suspensão provisória aplicada logo após os incidentes.

O impacto financeiro também é pesado. A Conmebol impõe multa de 80 mil dólares por violações ao Código Disciplinar e ao Manual de Clubes da Libertadores, valor que será descontado de receitas de TV e patrocínios ainda a receber. Em seguida, aplica nova multa de 20 mil dólares, prevista no artigo 12.2 do Código Disciplinar, por reincidência em falhas de controle e segurança.

O clube colombiano ainda precisa arcar com 8,7 mil dólares pelos danos à unidade móvel de transmissão e ao veículo do chefe técnico estacionados no setor conhecido como TV Compound. A conta inclui mais 7.578,90 dólares referentes à reposição de placas estáticas, coletes e tapetes oficiais da Conmebol destruídos durante a confusão.

Na decisão, a entidade sul-americana adverte o Independiente Medellín de que novos episódios semelhantes podem levar a punições mais severas, com base no artigo 27 do Código Disciplinar. Em linguagem direta, o recado é que o clube está em última advertência.

Flamengo ganha em tabela e debate sobre segurança ganha força

O W.O. muda o eixo da discussão esportiva no Brasil. O Flamengo, que encontra resistência da CBF para adiar jogos em meio a convocações para seleções, vê a classificação antecipada aliviar parte da pressão no calendário. Com a liderança do grupo assegurada, o técnico ganha margem para administrar elenco e desgaste físico na reta final da fase de grupos.

A decisão também dialoga com um movimento recente da CBF, que libera jogadores de Flamengo, Botafogo, Grêmio e Santos para torneios da Conmebol, mas mantém a agenda interna cheia. O caso de Medellín expõe como a combinação de estádios inseguros e calendário comprimido torna a organização de competições cada vez mais frágil.

Especialistas em segurança veem na punição um recado para clubes que toleram, por omissão ou conveniência, ações extremas de torcidas organizadas. Ao responsabilizar o mandante e transformar protestos violentos em derrota automática, a Conmebol tenta forçar dirigentes a investir em prevenção, monitoramento e diálogo real com seus torcedores.

Do lado colombiano, a resposta ainda é de resistência. O Independiente Medellín tem prazo de sete dias corridos, a partir da notificação oficial, para recorrer à Comissão de Apelações da Conmebol. A diretoria estuda argumentos jurídicos para tentar reduzir o número de jogos com portões fechados e o valor das multas.

O caso tende a servir de referência para futuras decisões no continente. Em um cenário em que explosões de violência voltam a rondar estádios sul-americanos, a linha adotada pela Conmebol em Medellín será observada por clubes, federações e poder público. A dúvida, agora, é se a combinação de W.O., multas altas e portões fechados bastará para mudar o comportamento das torcidas ou se incidentes como o de 7 de maio seguirão empurrando o futebol para longe de seu próprio público.

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