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Cobolli vira sobre Aliassime e coloca a Itália na rota da final em Roland Garros

Flavio Cobolli vira sobre Félix Auger-Aliassime por 3 sets a 1 nesta quarta-feira (3), em Paris, e alcança a semifinal de Roland Garros pela primeira vez. A vitória, em 3h25 de jogo, garante um italiano na decisão de domingo no saibro francês.

Virada em condições adversas em Paris

O italiano de 22 anos, cabeça 14 do torneio, entra em quadra como azarão diante do canadense número 4. Sai atrás, mas não desiste. Perde o primeiro set por 6/4, sente o vento cruzado na Philippe-Chatrier e vê o rival controlar melhor os ralis longos.

O início mostra um Cobolli oscilante. Ele consegue uma quebra cedo, mas devolve a vantagem logo em seguida. Os dois sofrem para calibrar o saque com as rajadas que cortam a quadra principal. Aliassime encontra primeiro o controle dos golpes e fecha a parcial com mais solidez nas trocas de fundo.

O cenário muda no intervalo entre os sets. A ameaça de chuva leva a organização a fechar o teto do estádio, transformando a partida em um duelo indoor. O novo ambiente parece favorecer o canadense, que volta mais solto, abre 3/1 e dá a impressão de que vai confirmar o favoritismo.

O que se vê a partir daí, porém, é uma inversão completa de papéis. Cobolli ajusta a devolução, encurta as jogadas e arrisca mais com a direita cruzada. Devolve a quebra, pressiona com profundidade e encontra brechas no segundo saque de Aliassime. Vira para 6/4 e empata o jogo.

O terceiro set segue em tom de equilíbrio, game a game. O canadense volta a ameaçar, força erros e conquista break points em dois serviços do italiano. Cobolli reage com primeiro saque firme e coragem para atacar a bola curta. No 3/3, aproveita a primeira chance mais clara, sobe na devolução e conquista a quebra que define a parcial em 6/4.

A quarta parcial mantém o fio de tensão. Os serviços prevalecem até 2/2, com poucos espaços para devoluções agressivas. Cobolli encontra uma janela na devolução paralela, explora o backhand de Aliassime e arranca a quebra que se torna decisiva. A partir desse momento, administra a vantagem com frieza, confirma todos os saques seguintes e fecha a partida com novo 6/4, em 3h25 de batalha.

Significado histórico para o tênis italiano

O resultado desta quarta-feira tem peso que vai além da classificação inédita. Com a vitória de Cobolli, a Itália assegura ao menos um representante na final masculina de Roland Garros, algo que consolida a fase atual do país no tênis de saibro. Desde a década de 1970, o país não reúne tantas opções competitivas simultâneas em um Grand Slam.

O italiano enfrenta na sexta-feira um compatriota: Matteo Arnaldi ou Matteo Berrettini, que ainda duelam pelas quartas. O cruzamento garante uma semifinal totalmente italiana e, por consequência, um finalista do país no domingo. A presença dupla entre os quatro melhores fortalece o projeto esportivo que a federação italiana constrói há mais de uma década, com investimento em centros de treinamento e torneios no piso lento.

No circuito, Cobolli não aparece entre os principais favoritos no papel. O triunfo sobre o cabeça 4, em um dos palcos mais tradicionais do calendário, altera essa percepção. A vitória de virada, com três sets seguidos por 6/4, oferece um recorte claro de resiliência e maturidade competitiva, atributos valorizados em Grand Slams, que exigem constância em melhor de cinco sets.

Para Aliassime, a derrota representa um freio em uma campanha que parecia controlada após o primeiro set. O canadense, de 25 anos, tinha a chance de voltar às semifinais de um grande torneio e confirmar o status de candidato ao título no saibro, piso em que ainda busca uma grande conquista. Sai de Paris com uma queda que reacende dúvidas sobre sua regularidade em partidas longas.

O impacto em casa é direto. Com um italiano garantido na final, a audiência na TV tende a crescer, assim como a procura por ingressos nas sessões decisivas em Paris. A presença constante de tenistas do país em fases agudas de Masters 1000 e Grand Slams, somada a campanhas relevantes em Roma e agora em Roland Garros, mantém o tênis em evidência e estimula novas gerações.

Próximos capítulos em Roland Garros

O foco de Cobolli se volta agora para a semifinal de sexta-feira. O adversário, seja Arnaldi, seja Berrettini, traz desafios distintos. Contra Arnaldi, o duelo tende a ser de resistência física e trocas longas de fundo. Diante de Berrettini, o teste passa por lidar com um saque potente e pontos curtos em superfície onde o serviço costuma pesar menos.

A comissão técnica italiana acompanha com atenção. Um título em Roland Garros, conquistado no dia 7 de junho, reforçaria o momento do país em ano de calendário cheio, com circuito de saibro prolongado e preparação para a temporada de quadras rápidas. O desempenho em Paris também influencia a confiança para os próximos Grand Slams, em especial Wimbledon, em julho.

Para o público, a reta final em Paris oferece uma narrativa clara: a Itália ocupa o centro do palco em um torneio historicamente associado a potências como Espanha e França. A pergunta que ganha força a partir desta noite é direta. Cobolli será apenas o nome da virada sobre Aliassime ou o protagonista de um título inédito no domingo?

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